Paraguai e Mercosul: um casamento que interessa ao Brasil. Por Fabio Trad

A Democracia sul-americana saúda, neste quinze de agosto, a posse de Horácio Cartes como Presidente da República do Paraguai, escolhido em eleições reconhecidas por observadores internacionais como transparentes e legítimas.

Contudo, ainda que grande número de chefes de Estado e de Governo da América do Sul, incluindo a Presidente Dilma, deva estar presente na celebração democrática da nação guarani, esses importantes convivas farão enorme esforço para dissimular o desconforto decorrente do embaraço diplomático que eles próprios criaram ao suspender o Paraguai do Mercosul.

Suspenso da organização multilateral logo após a remoção sumária de Fernando Lugo da Presidência, em junho de 2012, o Paraguai experimentou o rigor legalista de um Mercosul tradicionalmente mais tolerante ante transigências flagrantes de países-membros. Como o permissivo flerte de ontem, do Brasil com a Líbia de Kadaf e com o Irã de Ahmadinejad; as astuciosas arremetidas, de ontem e de hoje, do kirchnerismo contra a liberdade de imprensa na Argentina; e a esdrúxula sucessão de Hugo Chávez que ainda há pouco guindou Nicolás Maduro ao poder na Venezuela.

Aliás, no vácuo da heterodoxa suspensão, o Mercosul admitiu a Venezuela, que o Paraguai vetava, dobrando a afronta a um membro fundador do organismo. Cúmulo da ironia, ou contundente resultado da soma de improvisos diplomáticos, neste momento a presidência de turno do Mercosul é exercida pela Venezuela, que sequer tem relações diplomáticas com o Paraguai.

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