Aumentar a produtividade, sim, nós podemos!

Nas áreas de altas produtividades verificou-se maior volume de raízes nas profundidades abaixo de 40 cm.

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O Comitê Estratégico Soja Brasil - CESB realiza no Brasil há vários anos o Desafio da Máxima Produtividade da Soja. Na safra 2014/15, o Desafio somou 12 produtores que conseguiram suplantar a produtividade de 110 sacos por hectare, sendo que o recorde desse concurso atingiu 141 sacos por hectare, registrado no Paraná; provando que é possível ultrapassar, com folga, a média nacional de 50 sacos por hectare.

Por essa razão, reconhece-se a extrema competência do Brasil agrícola que alcançou, globalmente, os maiores índices de produtividade de soja no ciclo passado. Tal eficiência produtiva pode ser atribuída à adoção de boas práticas agrícolas; ao emprego de tecnologias apropriadas, à quebra de inúmeros paradigmas; ao aproveitamento das condições climáticas satisfatórias presentes nas principais regiões produtoras do país, bem como à mudança do perfil do agricultor.

Neste contexto a identificação das práticas usadas pelos responsáveis por altas produtividades e sua efetiva difusão para outros produtores e regiões, com certeza proporcionarão significativos benefícios para a melhoria da produção e da sustentabilidade da atividade agrícola nacional. Este é o objetivo do CESB e do Desafio Nacional, consolidando uma forma de difusão de tecnologia, eficaz e possível, pois se utiliza de exemplos práticos fundamentados em quem já fez.

Nas áreas do Desafio verificou-se que além da qualidade da semeadura garantindo a distribuição espacial correta de plantas; a presença de perfil de solo corrigido; o uso de adubação equilibrada e fundamentada nas necessidades nutricionais e na expectativa de produção, aliada à proteção efetiva das plantas contra pragas, doenças e plantas daninhas, foram às práticas responsáveis pelos excelentes resultados obtidos. 

Em algumas dessas áreas de alta produtividade foram abertas trincheiras de 1,20 metros de profundidade para a avaliação do volume de raízes e da qualidade física e da fertilidade do solo, ao longo da profundidade. Os resultados obtidos foram comparados com aqueles relativos às trincheiras abertas em outro talhão de soja do mesmo produtor apresentando menor produtividade. Nesses locais onde a produtividade ultrapassou 90 sacos/ha observou se as seguintes características de solo, na camada entre 40 e 100 centímetros: (i) saturação por bases acima de 30%; (ii) saturação de cálcio acima de 20% na CTC efetiva; (iii) valores absolutos de cálcio acima de 8 mmol/dm³ e (iv) pH, em CaCl2, entre 5,0 e 5,5. Tais constatações confirmam as condições decisivas para o pleno aprofundamento e funcionamento das raízes e para as plantas atingirem altos rendimentos.

Áreas com menor taxa de compactação e adensamento de solo permitem um melhor crescimento de raízes, conforme constatado na determinação do volume das raízes das duas áreas avaliadas. Nas áreas de altas produtividades verificou-se maior volume de raízes nas profundidades abaixo de 40 cm. Esse fato propicia grande impacto na redução de estresses hídricos e no melhor aproveitamento de água e nutrientes, em profundidade.

Os indicadores citados, tais como: (i) maior quantidade de raízes em profundidade; (ii) presença de cálcio em subsuperfície, que asseguram o crescimento radicular e  (iii) menor compactação do solo, elucidam uma parte importante do segredo da alta produtividade e do desempenho de plantas.

Finalmente, objetivando a compreensão desses e de outros fatores que impactam na produtividade da cultura, a Rede de Pesquisa do CESB irá realizar nesta safra 2015/16 um estudo extensivo em inúmeros locais apresentando condições edafo-climáticas diversas. Porém, pelos resultados e tecnologias atualmente disponíveis, já é possível afirmar que a atual média nacional de 50 sc/ha é coisa do passado, pois o agricultor brasileiro está habilitado a produzir mais de 100 sc/ha.

*Prof. Dr. Antonio Luiz Fancelli é professor da Esalq/USP e membro fundador do CESB

*Eng. Agrônomo Henry Sako é coordenador Técnico do CESB