Artigos: Mordomias de parlamentares e juízes são uma afronta ao povo

Estudos também apontam que 30.990 autoridades dos três poderes recebem auxílio moradia que dão um gasto para os cofres públicos de quase R$ 2 bilhões anualmente.

- Foto: Divulgação

Nesses anos difíceis, de profunda crise que o País atravessa, com as mais elevadas taxas de desemprego já registradas (mais de 14 milhões de trabalhadores brasileiros na fila por um emprego) a notícia da manutenção dos elevadíssimos salários e mordomias de toda ordem daqueles que encabeçam os poderes constituídos deste país, é estarrecedora, uma aberração, uma afronta à Nação e ao povo brasileiro.

Como se não bastassem deter os maiores salários do país e desbancar também até mesmo os grandes salários de outros países desenvolvidos, os nossos "ilustríssimos" deputados federais, senadores, juízes e os altos escalões do Ministério Público, Tribunal de Contas da União e do judiciário de maneira geral e do Executivo, gozam de mordomias que são inconcebíveis mesmo numa condição normal da economia de um país.

Manter o gasto de milhões de reais com auxílio isso, auxílio aquilo, é inconcebível, imoral, nefasto.

Como pode, por exemplo, nosso Congresso Nacional (deputados federais e senadores) e mais 16 assembleias legislativas do país gastarem R$ 252 milhões só em auxílio paletó em 4 anos de mandato parlamentar? Levantamentos de diversas fontes oficiais apontam isso, que 1.315 políticos, dessas instituições gastam, só com essa mordomia, R$ 63 milhões/ano, que dariam para sustentar 17 mil famílias com bolsa família de R$ 306.

Outro dado interessante desse gasto com ternos é que o montante daria para comprar 126.250 ternos pelo valor médio de R$ 2 mil cada um. Ou seja, cada parlamentar vem tendo a oportunidade de adquirir em torno de 20 ternos por ano. Uma afronta com o dinheiro público.

Estudos também apontam que 30.990 autoridades dos três poderes recebem auxílio moradia que dão um gasto para os cofres públicos de quase R$ 2 bilhões anualmente.

Além desses auxílios mais conhecidos, paletó e moradia, nossas autoridades ainda desfrutam de valores altíssimos em dinheiro para cobrir despesas que deveriam ser pessoais como: gráfica, combustível, passagem aérea, jornais e revistas, telefonia e outros.

É preciso dar um basta nessa maré de extorsão do dinheiro dos cofres públicos no Brasil.

O povo brasileiro não pode mais permitir tanto abuso e insanidade com o dinheiro público. É preciso dar um basta, agora e para todos. Esse estado de coisas não pode mais continuar.

Uma das formas de moralizar o serviço público nos altos escalões é agora, neste ano eleitoral. Quando candidatos procurarem ganhar o seu voto é preciso dizer a eles que não aceitamos mais esse estado de coisas no país. É preciso dizer para nossos candidatos à Câmara dos Deputados, aos das assembleias legislativas e senadores, que queremos que trabalhem para acabar com essas mordomias criadas há décadas, quando o povo era alienado das questões nacionais. Hoje tudo é sabido! Tudo ficaàs claras e não tem mais como esconder. Precisamos cobrar e cobrar duro para acabar com tais abusos.

É muito comum a imprensa citar o custo dos poderes de outros países, maiores que o Brasil, onde esses custos são 10, 100, 1000 ou mais vezes menores lá fora do que nosso país. Ainda me lembro de reportagem recente mostrando um juiz sueco que vai trabalhar de bicicleta. Outros que pegam ônibus para ir ao trabalho. Mostra também países em que os parlamentares não recebem remuneração alguma, como aliás, houve um tempo no Brasil, em que vereadores não eram remunerados.

Basta de exploração! Basta de gasto de dinheiro público com mordomias e regalias que nada combinam mesmo com um país em franco desenvolvimento. Já basta!.

Brasil! Povo brasileiro! acorde e exija mudanças imediatas e radicais para colocar fim a esses malditos e  famigerados auxílios mordomias às custas da miséria de milhares de famílias.  Já basta! Todos por um Brasil melhor e mais justo.

*José Lucas da Silva é presidente da Feintramag MS/MT, coordenador da central CSB e membro da CNTC.