Dodson explica não ter lutado contra Munhoz em Belém: "Valor não foi justo"

Peso-galo americano mostra o habitual bom humor, mas fala sério quando aborda o que ele considerou falta de profissionalismo do seu adversário no UFC 222.

A única encarada acontecida entre John Dodson e Pedro Munhoz aconteceu após o media day em Belém - Foto: Buda Mendes/Getty Images

A grande surpresa do UFC Belém, realizado em fevereiro, no Pará, foi o cancelamento da luta entre os peso-galos John Dodson e Pedro Munhoz. Na ocasião, o brasileiro não bateu o peso e o americano decidiu não enfrentá-lo após várias horas de negociação nos bastidores. Com a luta reagendada para o próximo sábado, no UFC 222, Dodson conversou com o Combate.com com exclusividade e explicou o ocorrido na capital paraense. Segundo ele, o problema foi o acerto da parte financeira com o UFC, pois o valor oferecido pela organização como compensação não atingiu o patamar que ele esperava após ter batido o peso, e Pedro Munhoz, seu adversário, não.

A verdade sobre o que aconteceu em Belém é que eles quiseram me dar apenas uma pequena parte do que eu achava que deveria receber para ter que enfrentar Pedro naquelas circunstâncias. Eu não aceitei, não era justo comigo, porque eu fui profissional. Nosso esporte é profissional, e nós todos sabemos que temos de estar no limite de uma categoria de peso. Se quiserem que eu lute com 66kg, tudo bem, desde que me avisem e coloquem isso no meu contrato. Não estamos mais no tempo em que não havia categorias. São novos tempos, somos uma nova geração de lutadores e deveríamos seguir as regras como profissionais. Eu recebi uma parte da minha bolsa, e vou receber o resto quando vencê-lo.

Ao saber que Pedro Munhoz culpou problemas com a banheira para seu método de corte de peso, Dodson ironizou a declaração do brasileiro.

Estou surpreso por ele ter tido uma banheira. Eu não tive. Só tive um chuveiro, que nem era tão grande assim. Ele é brasileiro, e sabe o que tem que fazer para bater o peso no seu próprio país. Eu era um estrangeiro indo a outro país, então cheguei com o peso mais baixo possível para não ter problemas no corte, e só comi as comidas que pudesse preparar no meu quarto. Eu fui preparado para fazer o que tinha que ser feito, que era bater o peso e lutar da melhor maneira possível.

O americano garante, no entanto, que não guarda nenhum tipo de sentimento negativo em relação ao brasileiro. Segundo ele, lutar é somente a sua profissão.

Para mim, as lutas são sempre o meu trabalho. Não tenho ressentimentos com relação a ninguém. Quem quer que apareça na minha frente, é sempre mais um degrau em direção ao meu objetivo, que é ser campeão. Para mim o processo não parou. Eu continuei treinando e mantendo o peso baixo para o trabalho que ainda precisava ser feito. Meu trabalho é lutar para entreter os fãs na categoria de peso que eu concordei em estar. Eu tirei dois ou três dias para descansar antes de voltar a treinar a sério. Eu queria ter certeza de que estaria hidratado e ativo para voltar e fazer o que é preciso. Me preparei para tudo que ele puder fazer no chão. Eu serei uma cobra escorregadia que vai acertá-lo na cara.

Ao analisar Pedro Munhoz, Dodson elogiou seu jogo de chão, mas deixou claro que não se intimidará, e brincou sobre a forma como pretende finalizar a luta no sábado.

Munhoz é um lutador com um jiu-jítsu muito forte, é muito esforçado e que sempre anda para a frente. Eu sei que ele vai me acertar alguns golpes, mas eu também sei o caminho que eu tenho que seguir, que é em direção a cara dele. Minha estratégia para essa luta é simples: bater, bater de novo, bater mais forte bater mais rápido, bater de novo, não ser acertado, bater mais e, de repente, deitar de conchinha e fazer cócegas para ver se ele desiste da luta (risos).

O americano também aproveitou para reclamar da forma como os juízes laterais vêm julgando suas apresentações. Para ele, as derrotas diante de John Lineker e Marlon Moraes foram, na verdade, vitórias suas. Ele promete voltar a atuar de forma mais agressiva para não deixar dúvidas, e deixa um recado para TJ Dillashaw.

Parece que os juízes fecham os olhos quando eu tenho grandes atuações. Vou ter de fazer o que eles querem me ver fazendo. Vou voltar ao modo nocaute e bater nos meus adversários até que eles apaguem ou que o árbitro me afaste. Eu acho que venci John Lineker e Marlon Moraes, e vou fazer o mesmo com Pedro Munhoz. Após passar por ele, vou garantir que TJ Dillashaw saiba que, se não consegue me vencer, ele não pode desafiar Demetrious Johnson.

O Combate transmite ao vivo, na íntegra e com exclusividade o UFC 222 neste sábado, a partir de 20h15 (horário de Brasília). O Combate.comtransmite as duas primeiras lutas do evento em vídeo, e o restante do card em Tempo Real.

UFC 222
3 de março de 2018, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL (0h, horário de Brasília):
Peso-pena: Cris Cyborg x Yana Kunitskaya
Peso-pena: Frankie Edgar x Brian Ortega
Peso-galo: Sean O'Malley x Andre Soukhamthath
Peso-pesado: Stefan Struve x Andrei Arlovski
Peso-galo: Cat Zingano x Ketlen Vieira
CARD PRELIMINAR (20h30, horário de Brasília):
Peso-palha: Ashley Yoder x Mackenzie Dern
Peso-leve: Beneil Dariush x Alexander Hernandez
Peso-galo: John Dodson x Pedro Munhoz
Peso-médio: CB Dollaway x Hector Lombard
Peso-meio-médio: Mike Pyle x Zak Ottow
Peso-galo: Bryan Caraway x Cody Stamann
Peso-meio-pesado: Jordan Johnson x Adam Milstead