Pressão de lideranças da Reserva Buriti obriga vereador se desculpar e Câmara assinar termo de cooperação

Diante da cobrança dos representantes de aldeias, o vereador subiu a tribuna para tentar se justificar.

De dedo em riste, índio exige de vereador André Salineiro (PSDB), pedido de desculpa por declaração incitando a violência - Foto: Fabiano Arruda/TV Morena/Meio do Texto: Câmara de Campo Grande

Diante da pressão de lideranças terena da Reserva Indígena Buriti, indignadas com as criticas do vereador da Capital, André Salineiro, contra o bloqueio da BR-163 na manhã da última quarta-feira, o vereador, não só se desculpou como se retratou da sua declaração de que a polícia deveria “descer o cacete” contra manifestantes (representantes de várias etnias) por estarem impedindo o direito de ir e vir. Os representantes terenas interpelaram de dedo em riste o vereador exigindo que ele se retratasse.

A comitiva liderada pelo cacique da Aldeia Córrego do Meio, Genivaldo Antônio Campos, depois da sessão se reuniu com o vereador e o presidente da Câmara, João Rocha. Do encontro resultou o compromisso do Legislativo firmar um termo de cooperação com o CMDDI (Conselho Municipal dos Direitos e Defesa dos Povos Indígenas).

Genivaldo Antônio Campos reclamou que a fala do vereador, que é policial federal, "incitou a violência e trouxe indignação para nossa comunidade". O cacique diz, ainda, que durante o protesto a pista estava sendo parcialmente liberada na ocasião da manifestação. “Nós estávamos liberando a cada dez minutos até mesmo por orientação dos policiais que estavam no local", concluiu Genivaldo.

Diante da cobrança dos representantes de aldeias, o vereador subiu a tribuna para tentar se justificar. "Reconhecer os erros é uma virtude, mas afirmo que a luta de uns não pode retirar o direito de outros", afirmou Salineiro. "O protesto na minha fala não foi contra o povo indígena, mas sim contra protestos que proíbem o direito de ir e vir, inclusive os dos sem-terra", argumentou.

Para o vereador, o bloqueio de vias não é a melhor alternativa para que determinadas situações sejam resolvidas, visto que afeta outras pessoas. "Soube que um senhor portador de câncer foi barrado no protesto e perdeu uma consulta que já estava marcada há três meses", citou André, reforçando ser contra a ação. Durante o movimento, uma pessoa chegou a passar mal na rodovia.

Confusão - A fala do vereador que provocou descontentamento dos indígenas foi durante discurso na Casa de Leis, na manhã de ontem (7). Salineiro fez críticas aos protestos na BR-163, dizendo ser necessário o policiamento nesses locais.

"Se não tiver conversa, tem que descer o cacete mesmo. Tem que apanhar, que eles vão revidar", afirmou o político, na ocasião. O vereador já havia enviado nota de retratação à imprensa, justificando sua fala.

No documento, Salineiro destacou que se "referia aos protestos que tiram O DIREITO DE IR E VIR das pessoas e reafirmou não ser contra as causas indígenas”.

Em relação ao termo usado para indicar a possível necessidade de agressão, o vereador afirmou que se referia "à necessidade do uso progressivo da força em caso de delitos, sejam eles quais forem. O Estado precisa usar da força necessária para conter o crime, o ideal é conseguir resolver sem uso da força, porém muitas vezes isso não acontece".