Polêmica criptomoeda da Minerworld para pagar atrasados é lançada na Suiça

MCash será lançada como ativo financeiro alternativo ao Bitcoin.

O CEO da Minerworld Jonhnes Carvalho com o Presidente Cícero Saad durante inauguração da Minertech - Foto: Reprodução

Quem apostou ficar rico com os lucros da empresa Minerworld mas amargou, em 2017, o atraso dos repasses da mineradora de Bitcoins, não tem opção a não ser apostar na valorização do Mcash, a polêmica criptomoeda criada pela empresa em novembro do ano passado. É que o MCash foi uma das formas de pagamento utilizadas para liquidar o saldo devedor da empresa a seus associados, já que quem quisesse os cobiçados Bitcoins deveria aguardar parcelamento em 24 parcelas.

A polêmica criptomoeda Mcash, a propósito, deverá ser lançada mundialmente como uma alternativa ao Bitcoin, conforme anúncio da mineradora em suas plataformas. O lançamento tem até data e local: 18 de março, em Zurique, capital da Suíça. A proposta da empresa é que a criptomoeda tenha seu próprio exchange e carteira digital, ou seja, o MCash poderá ser comprado ou vendido em um aplicativo, aos moldes do Bitcoin, e utilizado como dinheiro em transações comerciais.

Todavia, o projeto é considerado polêmico e desperta desconfianças: além de não haver, até o momento, divulgação acerca da segurança dos códigos da Mcash, a estratégia também é apontada por especialistas como possível tentativa de SCAM, ou seja, um golpe virtual no qual usuários investem dinheiro na esperança de grandes lucros.

O que alimenta a desconfiança, primeiramente, é o valor atribuído à criptomoeda: US$ 100 milhões, divididos em 1 bilhão de unidades. Outro ponto importante é de que não há garantia de que o código da criptomoeda seja seguro e à prova de fraudes virtuais. Em terceiro, por que uma moeda que não desperta, ainda, o interesse de nenhum mercado (a não ser dos próprios associados da Minerworld) teria valor?

Questões como essas são frequentemente levantadas por sites especializados em análises mercadológicas de moedas virtuais. No portal Guia do BitCoin, que acompanha a Minerworld desde quando as primeiras denúncias de pirâmide financeira surgiram, a desconfiança perdura.

"Onde está o whitepaper da MCash, contendo suas especificações técnicas? É possível auditar seu código, verificar se é seguro o suficiente para circular? E qual o sentido de haver uma moeda de marketing multinível para pagar associados? Qual a necessidade de criar uma moeda intermediária para pagamentos, uma vez que existe a opção de pagar afiliados tanto em criptomoedas já existentes e consolidadas como em moeda fiduciária?", questiona Diego Marques, integrante da equipe do site.

O lado da empresa

Ao Jornal Midiamax, a empresa Minerworld se defende das acusações e afirmou que justamente no evento de sábado, na Suiça, será apresentado o whitepaper da moeda. Segundo a empresa, a blockchain privada da MCash foi planejada e lançada em novembro de 2017 com a plataforma minerchain.io, onde todas as transações são registadas.

"Ao todo, foi emitido 1 bilhão de MCash, de forma controlada, assim como outros criptoativos. Desse total, 40% vêm sendo distribuído como forma de recompensa por venda de terahash no nosso sistema do Miner360. Dez por cento (10%) é uma reserva da empresa e outros 10% são reservados para mercados futuros em 2020. Os 40% restantes serão liberados para mineração a partir de 2019", traz nota enviada à reportagem.

A empresa também afirma que a criptomoeda se diferencia das outras, que "são vistas muito mais pelo potencial de investimento", como o Bitcoin, pois suporta uma grande quantidade de transações e faz parte do projeto levar o criptoativo para diversos mercados e para o comércio, passando a ser efetivamente utilizada no lugar do dinheiro fiduciário - o dinheiro comum.

"É o que resta"

Associados à empresa, que foram atraídos pela promessa de altos lucros e retirada do valor de investimento em cerca de um ano, afirmam que não há opção a não ser torcer para que a criptomoeda 'emplaque'. "É o que resta, porque das opções de pagamento do que eles nos devem só duas a gente não tem que esperar muito e as duas tem Mcash envolvida", explica um investidor que não quer ser identificado.

"Não tem como esperar dois anos, eu optei por metade em Bitcoin e metade em Mcash no pagamento dos meus atrasados. Se dou sorte e o Bitcoin valoriza não saio tanto no prejuízo. Mas, receber 100% em Mcash, à vista, é ser muito paciente, porque a moeda ainda não serve pra nada", comenta outra associada.

Após lançar o plano de liquidez, no início do ano, a empresa disponibilizou três modalidades de pagamento, com início aprimeira parcela entre janeiro e fevereiro. O primeiro deles, com liquidação à vista do contrato, pagaria valor integral dos lucros, porém, somente em Mcash, e não em Bitcoin.

A segunda prevê pagamento de metade dos lucros em Mcash à vista, e metade em Bitcoin parcelada em 12 meses. Já a terceira modalidade promete repassar os rendimentos 100% em Bitcoin, porém, os investidores que optarem por esta forma de pagamento amargarão um parcelamento em 24 prestações mensais, ou seja, dois anos para receber seus rendimentos.

Rodeada de polêmicas

Afirmando minerar BitCoins no Paraguai, a empresa surgiu no mercado de exploração de BitCoins com a garantia de alto lucro a partir da mineração da criptomoeda mais famosa. Ou seja, a partir das fazendas de mineração, que serviriam para validar as operações do Bitcoin, lucros seriam repassados aos investidores.

Todavia, a primeira fazenda de mineração comprovada da empresa, a MinerTech, só foi inaugurada em 2018. Desde outubro de 2017, a Minerworld vem enfrentando denúncias de calote referentes aos repasses de rendimentos aos associados. Neste ano, quando o plano de liquidez foi anunciado, com parcelamento do saldo devedor, causou temerosidade e insatisfação dos associados.

Além das acusações de ser pirâmide financeira - ela é investigada pelo MPE-MS e pela Polícia Federal - a empresa também amarga parecer negativo do CMV (Comissão de Valores Mobiliários), que identificou indícios de crime contra a economia popular na natureza do negócio. Em agosto, a empresa também foi desmentida pelo CNV (Comissão Nacional de Valores) do Paraguai acerca da afirmação de que teria conseguido licença do país para atuar regularmente no ramo de mineração de Bitcoins no país vizinho.