Semana de muita articulação política com o fim do prazo da janela partidária dos candidatos

O troca-troca partidário é um componente que precede as alianças para o processo sucessório estadual. Prazo para troca de partido segue até o próximo dia 7 de abril.

Governador Reinaldo Azambuja/ex-governador André Puccinelli/juiz Odilon Oliveira e Luiz Henrique Mandetta - Fotos: Marcos Tomé/Região News/Divulgação/Luciano Muta/Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Os bastidores políticos estarão movimentados até o próximo sábado, dia 7, quando termina o prazo para troca de partido de quem for candidato na eleição de outubro. O troca-troca partidário é um componente que precede as alianças para o processo sucessório estadual.

Tanto o governador Reinaldo Azambuja, quanto o ex-governador André Puccinelli, que têm mostrado disposição de concorrer ao cargo, atuam para assegurar o apoio de várias legendas e assim, garantir de forma antecipada possíveis alianças fundamentais para definir do tempo de rádio e tv do horário eleitoral.

O Democratas, que já havia atraído para seus quadros a deputada federal Tereza Cristina, trouxe de volta o ex-prefeito de Dourados, Murilo Zauith. O presidente regional do Democratas, Luiz Henrique Mandetta, simpático a candidatura presidencial de Jair Bolsonaro, sinaliza como uma possível “quarta via”, se juntando a Azambuja, Puccinelli e ao juiz aposentado Odilon de Oliveira, na disputa pelo Governo.

“Nos reforçamos e fortalecemos o partido no Estado e isto vai ser levado em conta na hora de decidir como vamos atuar nesta campanha. Existem três candidatos ao governo com perfis diferentes e nós também podemos ter candidatura própria, ou seja, vamos analisar as opções”, conta Mandetta.

Na próxima sexta-feira, provavelmente com a presença do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pré-candidato à presidência da República e do prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, o deputado estadual José Carlos Barbosa deixa o PSB e volta ao Democratas.

“Com o retorno do Murilo, ao lado de Zé Teixeira, Mandetta e Tereza Cristina, o partido fica fortalecido”, declara Barbosinha, que foi presidente da Sanesul na gestão André Puccinelli, teve apoio do ex-governador para se eleger deputado, foi secretário de Justiça e Segurança Pública na gestão Reinaldo Azambuja.

Quem também deve deixar o PSB é o ex-diretor geral do Detran, Gerson Claro, pré-candidato a deputado estadual. Com a sigla socialista agora sob controle do deputado Elizeu Dionizio, Gerson pode migrar para o PTB ou alguma legenda que esteja aliada com o projeto de reeleição do governador Reinaldo Azambuja. Ele estaria conversando também com o ex-prefeito Alcides Bernal, presidente regional do PP.

Ex-secretário José Carlos Barbosa e ex-diretor do Detran Gerson Claro. Foto: Sejusp/Top Mídia News.

Possibilidades

Mandetta garante que há várias possibilidades de candidatura para as lideranças do DEM. “A Tereza (Cristina) pode buscar a reeleição em Brasília, ou tentar cargos na majoritária, assim como eu e o Murilo, não tem definição ainda”.

Também comentou que confia na permanência do deputado Zé Teixeira (DEM). “Esperamos contar com ele, até para montarmos uma chapa forte na proporcional”. O parlamentar tinha dito que caso houvesse um veto do partido sobre apoio ao governador Reinaldo Azambuja (PSDB), deixaria a legenda.

Dionizio

Já o deputado federal Elizeu Dionizio anunciou na semana passada sua filiação ao PSB, após uma passagem de cerca de três anos pelo PSDB - ao qual se filiou meses depois de assumir mandato na Câmara dos Deputados. A troca ocorreu durante a janela partidária, que deve ser encerrada dentro de uma semana, e segue informações de que o parlamentar buscava um partido no qual teria melhores condições de disputar a reeleição.

Em nota, o deputado informou que migrou para o PSB “para garantir a continuidade e intensificar o trabalho que desenvolvo como cidadão, tanto no Estado de Mato Grosso do Sul quanto no Congresso Nacional como deputado federal preocupado e engajado em atividades que promovam o bem estar social”. Ele destacou o fato de a legenda socialista ter 70 anos de atuação política e já teve entre suas fileiras nomes como Miguel Arraes, João Mangabeira e Eduardo Campos.

Na nova legenda, prosseguiu, o deputado afirmou que espera fortalecer seu histórico de atuação “em defesa do social”. O convite, segundo ele, partiu do presidente regional do PSB, o prefeito Aluísio São José (Coxim), e do nacional, Carlos Siqueira.

Representação – Com a filiação de Elizeu Dionizio, o PSB volta a ter um deputado federal de Mato Grosso do Sul. A deputada Tereza Cristina deixou a legenda no ano passado, em meio a ameaças de responder a processo disciplinar na legenda por conta de sua aproximação do governo do presidente Michel Temer, votando em favor de pautas sobre as quais o partido manifestou posição contrária. Entre elas estava a reforma trabalhista, que também foi aprovada com voto favorável de Elizeu.

Antes de pertencer ao PSDB, Elizeu foi filiado ao SD, partido pelo qual exerceu mandato de vereador em Campo Grande – ao qual renunciou em 2015 para assumir a vaga do então deputado licenciado Márcio Monteiro, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.