Base Nacional Curricular do ensino médio é entregue pelo MEC: veja o documento

Última versão da BNCC agora vai passar pela etapa final antes de sair do papel: a análise, discussão e votação no Conselho Nacional de Educação (CNE).

MEC entregou, na tarde desta terça (3), a última versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino médio ao Conselho Nacional de Educação (CNE) - Foto: Reprodução/Facebook

O Ministério da Educação entregou, na tarde desta terça-feira (3), a última versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino médio ao Conselho Nacional de Educação (CNE). Durante o evento, o ministério anunciou que vai elaborar um guia para orientar as escolas na implementação dos itinerários formativos, que deverão somar 1.200 horas do ensino médio – o currículo básico vai somar 1.800, disse o MEC. CLIQUE PARA BAIXAR O PDF

A entrega ocorreu um ano depois de o ministério entregar a versão para a educação infantil e para o ensino fundamental, e um ano e meio depois de a pasta anunciar o adiamento da Base do ensino médio.

A BNCC é documento que vai nortear o que deve ser ensinado nas escolas, levando em conta o que está previsto na reforma do ensino médio aprovada em dezembro do ano passado. A primeira parte da norma, referente à educação infantil e ao ensino fundamental, foi homologada em dezembro do ano passado.

Última fase

No CNE, o documento vai percorrer a última etapa antes de sair do papel: a análise e debate entre os conselheiros, incluindo a última oportunidade de contribuição da sociedade. De acordo com Eduardo Deschamps, audiências públicas serão realizadas pelo país para debater o documento, da mesma forma como aconteceu com a BNCC do ensino infantil e do fundamental.

Deschamps lembrou as inúmeras tentativas de se criar currículos de referência e disse entender o documento como um “marco na educação brasileira”.

Ensino médio

A BNCC do ensino médio está organizada por áreas de conhecimento: linguagens e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias, ciências da natureza, e ciências humanas e sociais aplicadas. Maria Helena Guimarães de Castro, secretária executiva do MEC, lembrou que as competências gerais apresentadas nesta terça são as mesmas que regem o ensino fundamental.

"O que muda agora é o olhar para as competências específicas das áreas, que excluem as competências específicas do componente", explicou ela. "No ensino fundamental tínhamos competências específicas de área e depois de componente, e agora não temos no ensino médio."

A representante do MEC explica, ainda, que a Base procura "aprofundar teoria e prática em todas as áreas, com ênfase nas atitudes e valores que os alunos devem resolver, como adaptabilidade, trabalho em equipe e valores éticos".

Currículos gerais x itinerários formativos

Das 3 mil horas de aula nos três anos de ensino médio, 1.800 deverão ser guiadas pela BNCC. As demais 1.200 passarão a pertencer aos "itinerários formativos", nos quais as escolas poderão oferecer uma formação acadêmica mais aprofundada em uma ou mais áreas do conhecimento, em detrimento das demais.

"Não se trata de ter apenas um itinerário por área, podem misturar componentes das diferentes áreas do ponto de vista do aprofundamento acadêmico", explicou Maria Helena. "Um bom exemplo é STEM, o campo formado por ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Na área de linguagens é possível ter um itinerário formativo só na área de artes", continuou ela, afirmando que, dentro, o foco de aprofundamento pode ser só em música.

De acordo com a secretária-executiva, um dos objetivos é preparar os alunos para o mundo do trabalho e para a sociedade do século XXI, enfatizando "a questão de que mundo é esse em que estamos vivendo, quais são as profissões do futuro, como preparar as crianças e jovens para as profissões que serão alteradas em relação ao mundo que vivemos hoje".

O outro objetivo, diz Maria Helena, é "desengessar" o ensino médio.

"Esse modelo que temos hoje está em funcionamento há muito tempo e os resultados são tristes. Os resultados das avaliações e censo escolar mostram isso. Cerca de 20% dos alunos que terminam o ensino fundamental não se matriculam no ensino médio. No final do ensino médio temos apenas 29% de aprovação. Aqueles que concluem, apenas 27% alcançam conhecimentos básicos em Língua Portuguesa, e somente 20%, em matemática."