Fisioterapeuta suspeito de estupro em MS fazia pesquisas de sexo no computador, aponta investigação

Suspeito foi solto porque Justiça pediu mais diligências, que estão sendo realizadas pela delegacia responsável pelo inquérito.

Adolescente diz que crime ocorreu no banheiro de hipermercado - Foto: G1 MS

A Justiça soltou o fisioterapeuta de 39 anos, suspeito de estuprar um adolescente no banheiro de um hipermercado, em Campo Grande. Houve o pedido de mais diligências, que estão sendo realizadas pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e o Adolescente (Depca). No teor do inquérito, além de imagens de circuito interno, a investigação apontou que o suspeito fazia pesquisa de termos pornográficos no computador dele.

O objeto foi apreendido e encaminhado para perícia. Além de pesquisar sobre sexo e homossexualidade, o homem também digitou sobre a escola da vítima, ainda de acordo com a polícia. O caso segue sob segredo de Justiça.

Ao todo, quatro pessoas prestaram depoimento. Elas confirmaram o relato do menino de 13 anos e foram coerentes, de acordo com a delegada Marília de Brito, responsável pelas investigações.

"Os relatos seguiram todos a mesma linha, dizendo que o menino passou mal no meio do caminho, quando saiu do banheiro e retornava para escola. Ele ligou primeiro para o irmão e, em seguida, este avisou a mãe. Os colegas também souberam do fato, inclusive das primeiras ligações e que ele estava abalado. A sequência dos fatos foi aqui na delegacia, quando ficamos sabendo da denúncia por parte da família", comentou recentemente ao G1 a delegada.

Em depoimento, o fisioterapeuta nega o crime, porém, imagens de câmeras revelaram contradições. Ele disse que entrou e ficou sozinho no banheiro de um hipermercado. Imagens, no entanto, mostram outra situação na data. Outra prova que consta no inquérito policial, ainda de acordo com a polícia, é o fato de uma "pesquisa" sobre a vida da vítima logo após os fatos.

"Nós analisamos toda a sequência das câmeras, que passou por perícia e degravação das imagens. O homem disse que não tinha ninguém no banheiro, porém as imagens mostram a vítima entrando no local em seguida. Houve também exame pericial e o reconhecimento fotográfico e pessoal, logo após a prisão dele", ressaltou Brito.

Entenda o caso

O crime, de acordo com a polícia, ocorreu no dia 9 de fevereiro. O garoto estava acompanhado de amigos, por volta das 12h (de MS), quando foram comprar guloseimas em um horário de folga da escola. O grupo inclusive estava de uniforme na ocasião.

"Na saída, o menino teria falado que iria ao banheiro, quando os colegas falaram que iriam na frente. Ao entrar, ele foi ao mictório e afirmou estar constrangido com o homem olhando para ele", contou a delegada.

Conforme a polícia, o menino então tentou se dirigir ao banheiro com as portas fechadas. "No relato, neste momento, o menino conta que o homem segurou a porta e entrou com ele. Houve o abuso sexual e o menino conta que quase desmaiou quando retornava para escola", ressaltou Marília.

Após algum tempo, a vítima ligou para o irmão e contou o ocorrido. A mãe ficou sabendo e compareceu a Depca. O homem deve responder por estupro de vulnerável. A pena para este crime varia de 8 a 15 anos de reclusão.