Por vaga em Copa e Olimpíada, e sem testes, seleção feminina tem recomeço após 'caos'

O título confirmaria não só a classificação para as próximas competições, mas a hegemonia no continente.

Vadão comanda treino do Brasil no Chile - Foto: Divulgação/CBF

A seleção brasileira feminina de futebol enfrenta, a partir desta quinta-feira, seu primeiro grande desafio depois de um período conturbado: eliminação na semifinal da Olimpíada Rio-2016, saída da treinadora Emily e volta de Vadão ao comando, saída de jogadoras como Cristiane, por protesto, e a volta dela e de Formiga à equipe. O Brasil estreia na Copa América do Chile contra a Argentina, às 19h, e vale muito: o torneio continental dá duas vagas diretas na Copa do Mundo da França-2019, duas nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 e quatro nos Jogos Pan-Americanos de Lima-2019.

O título confirmaria não só a classificação para as próximas competições, mas a hegemonia no continente. Em sete edições de Copa América, o País conquistou seis títulos (1991, 1995, 1998, 2003, 2010 e 2014), perdendo o ouro apenas em 2006, justamente para as argentinas. Técnico novamente desde setembro, Vadão não ignora o favoritismo e pede cuidado.

“Não podemos fugir da situação que o Brasil é um dos favoritos. Seria incoerente da minha parte e falsa humildade dizer que não somos. Temos uma equipe boa, tecnicamente uma das melhores do continente. Esse favoritismo vai ser jogado para nós o tempo todo. O que não podemos é cair na armadilha de achar que já ganhamos e que somos os melhores antes de jogarmos”, disse ao espnW.

A seleção optou por não fazer amistosos durante o tempo de preparação para o torneio, e trabalho apenas com jogos-treino. São 22 jogadoras defendendo o Brasil no Chile. Das convocadas, quatro participaram da maior parte de etapas de treinos, desde janeiro na Granja Comary (RJ). Dez estavam em todas as fases, e oito se juntaram ao grupo nas datas-FIFA (atuam fora do Brasil).

“Pensando nas grandes seleções, hoje, o Brasil estando com todas as atletas à disposição, joga de igual para igual contra qualquer adversário. Ganhar ou perder é outra coisa. A maioria das atletas estão fora, tem experiência. Em 2014, tinham duas fora do País. Hoje, tem 25. Temos as jogadoras jovens, claro, que estão surgindo, mas a base tem bagagem suficiente para enfrentar qualquer adversário de igual para igual, indiscutivelmente.”

Formiga já havia se aposentado da seleção, e Cristiane, assim como Maurine, Rosana, Fran e Andreia Rosa, decidiram não vestir mais a camisa em protesto pela saída de Emily, que comandou a equipe nacional por dez meses e foi demitida em setembro sem muitas explicações, e a volta de Vadão – sob polêmica e muitas críticas. Cristiane e Formiga voltaram atrás em suas decisões.

“Tudo o que aconteceu faz parte do futebol. Fiquei surpreendido também com o convite para voltar, naquela oportunidade. A Formiga, conversei com ela para que nos ajudasse nessa transição de um ciclo olímpico para o outro. Não tínhamos jogadoras para o lugar dela. Temos jogadoras jovens, promissoras, mas não com bagagem para disputar Copa América. E a Cristiane, sempre tivemos um relacionamento muito bom. Em uma conversa no final do ano, mostrei que ela poderia ajudar muito mais dentro do que fora. Reivindicando tudo o que tem que ser reivindicado”, contou Vadão.

“Sou um treinador experiente no futebol masculino e estou cansado de ser pressionado por isso. Algumas coisas não concordei, me calei. Até para não entrar em polêmica com coisas que não tem nada a ver. Minha volta nunca esteve relacionada com a saída da Emily. Mas pouco me importa. Importante é que mais uma vez tive a confiança da CBF. Me sinto privilegiado. Ganhei um novo presente, uma segunda chance. Tenho enorme carinho em representar o País. Embora a palavra patriotismo esteja desgastada, sou da Velha Guarda, quando patriotismo, verdade e honestidade eram os valores. Hoje, estão deturpados e confusos. Espero corresponder a confiança”, completou.

A Argentina, primeira adversária do Brasil na Copa América nesta quinta-feira, no estádio Sanchez Rumoroso, em Conquimbo, terá uma velha conhecida em campo: Sole Jaimes, atacante que foi estrela do Santos na campanha do título da equipe paulista no Campeonato Brasileiro de 2017. Ela foi artilheira da competição, com 18 gols.

O Brasil está no Grupo B da Copa América, ao lado de Equador, Argentina, Venezuela e Bolívia. O grupo A tem Chile, Colômbia, Paraguai, Uruguai e Peru. A primeira fase do torneio continental vai até o dia 13 de abril. A fase final será disputada entre os dias 16 e 22.

Tabela do Brasil na Primeira Fase:

5 de abril
Brasil x Argentina - Estádio Coquimbo

7 de abril
Brasil x Equador - Estádio Coquimbo

11 de abril
Brasil x Venezuela - Estádio Ovalle

13 de abril
Brasil x Bolívia - Estádio Coquimbo

Seleção brasileira:

Goleiras: Bárbara (Kindermann); Aline (CBF); Letícia Izidoro (Corinthians)
Laterais: Rilany (Grindavik/Islândia); Poliana (Orlando Pride/EUA); e Tamires (Fortuna Hjorring/Dinamarca)
Zagueiras: Mônica (Orlando Pride/EUA); Rafaelle (Changchun FC/China); Erika (PSG/França); Daiane (Avaldsnes/Noruega) Meio-campo: Andressinha (Portland Thorns FC/EUA); Formiga (PSG/França); Andressa Alves (Barcelona/(Espanha); Thaisa (Sky Blue/USA); Aline Milene (Baylor University/EUA)
Atacantes: Millene Karine (Corinthians); Raquel (Ferroviária); Thaís (Hyundai Steel Red Angels WFC/Coreia do Sul); Bia Zaneratto (Hyundai Steel Red Angels WFC/Coreia do Sul); Marta (Orlando Pride/EUA); Cristiane (Changchun FC/China); Débora (North Carolina Courage/EUA)