Mais da metade dos refugiados reconhecidos pelo Brasil podem ter deixado o país

Dados divulgados pelo Ministério da Justiça mostram que de 10,1 mil acolhidos, apenas 5,1 mil residem em território nacional. Maioria é de sírios e congoleses.

Sarah Hazeemeh, de 21 anos, nasceu em Damasco, na Síria, e é uma das refugiadas que mora no Brasil - Foto: Marcelo Brandt/G1

Dos 10,1 mil refugiados acolhidos pelo governo brasileiro durante 10 anos, mais da metade pode ter deixado o país após a imigração. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (11) pelo Ministério da Justiça e apontam que apenas 5,1 mil deles permanecem em território nacional. Os demais estão com o registro inativo na Polícia Federal.

Dos que escolheram permanecer, a maioria é de sírios (35%) e congoleses (13%), seguidos por colombianos (10%), angolanos (8%) e palestinos (5%). Veja abaixo:

Segundo o coordenador-geral do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), Bernardo Laferté, não há uma única motivação para que os refugiados deixem de renovar o cadastro nos órgãos competentes.

“Podemos chegar à conclusão que ele [a pessoa] mudou de país, teve a perda declarada do registro, se naturalizou brasileiro ou outra nacionalidade, podendo ser até casos de óbito”, explica.

Ainda segundo o ministério, do total de refugiados que permanecem no Brasil, mais da metade (52%) escolheu o estado de São Paulo como residência, outros 17% optaram pelo Rio de Janeiro e 8% pelo Paraná. Veja:

 “Não é novidade que esses estados apresentem maior índice de refugiados em seus territórios, isso reflete a média da população brasileira, que vê São Paulo como maior força econômica”, afirma Laferté.

“Emprego é uma das maneiras de integração dos refugiados em nossa sociedade”, acrescenta.

Solicitações de refúgio

Somente em 2017 o Brasil recebeu 33,8 mil solicitações de refúgio, como a GloboNews havia antecipado em janeiro. Mais da metade são de venezuelanos que deixaram o país de origem por motivações econômicas e políticas. De janeiro a dezembro do ano passado foram 17,8 mil pedidos de refúgios feitos por essa nacionalidade ao Ministério da Justiça.

Apesar dos venezuelanos serem maioria nos pedidos, a maioria das concessões foi feita a refugiados que vieram da Síria (310), República Democrática do Congo (106) e Palestina (50), como divulgou o G1 em janeiro.

O secretário Nacional de Justiça, Luiz Pontel, explica que os venezuelanos ainda estão sendo registrados no país, e que o MJ “está desenvolvendo um novo sistema para dar celeridade aos processos”. O levantamento não cita quantos venezuelanos tiveram o pedido deferido no ano passado.

Atualmente, 13 servidores do ministério são responsáveis pela avaliação em primeira instância do registro de refúgio e, por isso, o tempo de espera para esta autorização pode durar, em média, dois anos. Para Pontel, a legislação brasileira é considerada “amigável e satisfatória” nesse aspecto.