Sidrolândia tem 34% da população na zona rural e renda per capita de R$ 678,75; 38ª do MS

População rural de Sidrolândia (18.360) em termos absolutos é a 3ª maior do Estado, mais em termos proporcionais (34%) é a 20ª.

Complexo de assentamentos da Eldorado, região do Capão Seco - Foto: Marcos Tomé/Região News

Sidrolândia apresenta indicadores com números contrastantes que a colocam entre as mais desenvolvidas economicamente do Estado, com uma economia vigorosa (o 13º maior PIB e o 3º maior polo agrícola do Estado) e numa outra extremidade; na parte de baixo do ranking do desenvolvimento social.

A população rural de Sidrolândia (18.360) em termos absolutos é a terceira maior do Estado, mais em termos proporcionais (34%) ocupa a 20ª colocação, numa lista encabeçada por Japorã, onde 82% dos moradores moram no campo. Há 10 anos Sidrolândia é a cidade com maior crescimento demográfico (taxas anuais de aproximadamente 3%), que a colocou como a 6ª mais populosa, em compensação, tem uma renda per capita de R$ 678,75, ou seja, é a 38ª de Mato Grosso do Sul; 36ª posição em desenvolvimento humano (IDH) e quando se trata de indicadores educacionais, cai para 40ª posição na lista das 79 cidades.

Boa parte deste crescimento demográfico foi empurrada pela criação de 27 assentamentos, que trouxe para Sidrolândia mais de 4.500 famílias, porém, o acesso a terra não ajudou a melhorar a posição delas na pirâmide de renda. De 4.003 famílias que recebem ajuda do governo por meio do programa bolsa família, 1.035 são assentados, mas há outras 2.279 famílias no cadastro único.

Este crescimento populacional foi impulsionado pelo fluxo migratório da população indígena, puxado por terenas de Miranda, Nioaque e Aquidauana, que vieram em busca de empregos na unidade local da Seara Alimentos. Enquanto no conjunto da população, a renda per capita é de pouco mais de R$ 678,00, entre os índios é de meros R$ 250,89.

A concentração de renda fica evidenciada, por exemplo, com a constatação de que aproximadamente 27.968 moradores (51% da população dos aproximados 54 mil habitantes) têm até meio salário mínimo (R$ 469,00) por mês para sobreviver. Destes, 16.120 recebem bolsa família, ou seja; 24% da população, sem o programa de transferência de renda federal, estariam em condições de extrema pobreza.

O levantamento do Ministério Desenvolvimento Social, mostra que das 8.746 famílias inscritas no cadastro único, 3.680 têm renda per capita familiar de até R$ 85,00; 1.343 com renda per capita familiar entre R$ 85,01 e R$ 170,00; 1.465 com renda per capita familiar entre R$ 170,01 e meio salário mínimo e 1.698 com renda per capita acima de meio salário mínimo.

A cidade polo de produção agrícola que atrai investimentos milionários no setor, como é o caso da Coamo Agroindustrial, que desembolsou quase R$ 50 milhões na construção de um complexo de armazenagem com capacidade para 1,1 milhão de sacas, é também o reduto de centenas de famílias que vivem na miséria.

O crescimento desenfreado das últimas décadas exibido como troféu no meio político por melhorar os índices de participação do município nos repasses de verbas federais, acendeu a luz vermelha das finanças públicas quando se trata de infraestrutura, educação e saúde, principalmente para aqueles que moram num dos lotes da reforma agraria.

*Matéria atualizada às 11 horas.