Juiz nega habeas corpus preventivo a taxista suspeito de participação em latrocínio

O magistrado não se convenceu com os argumentos apresentados pelo advogado de Julialdo Rosa Valhovera, que está foragido.

Comerciante Paulo César Buchanelli - Foto: Reprodução/Facebook

O juiz Atílio César de Oliveira Junior, da 1ª Vara, rejeitou habeas corpus preventivo, com força de salvo conduto, em favor do taxista Julialdo Rosa Valhovera, suspeito de envolvimento no assalto que resultou na execução do comerciante Paulo César Buchanelli em frente da agência do Brasil, no último dia 15 de fevereiro.

O magistrado não se convenceu com os argumentos apresentados pelo advogado do suspeito, que está foragido. O taxista buscou o habeas corpus com objetivo de se apresentar na delegacia, sem correr o risco de ser preso após o depoimento.

“Verifica-se que o impetrante não demonstrou de forma convincente que o paciente esteja sofrendo qualquer tipo de constrangimento ilegal, sendo certo que a negativa de autoria delitiva é matéria que extrapola os limites do habeas corpus, este, limitado à legalidade da prisão ou da decisão que a determinou, não sendo a via adequada para análise dos fatos, o que se fará durante a instrução processual", sustenta o magistrado.

Na petição, o advogado de Julialdo sustenta que ele não teve nenhum envolvimento no crime e nem estaria na cidade quando o latrocínio foi registrado. Acusa o delegado de "atuar de forma truculenta" no afã de elucidar os fatos e que "houve ameaças contra sua família e arrombamento das portas de sua casa sem autorização judicial".

Versão da Polícia

Conforme a apuração da Polícia, o taxista Julialdo Rosa Valhovera foi o quarto e decisivo participante do latrocínio que resultou na morte do comerciante Paulo César Buchanelli, assaltado e morto no último dia 15 de fevereiro, com um tiro no coração quando entrava na agência do Banco do Brasil levando um malote com aproximadamente R$ 70 mil. Ele e os outros envolvidos foram denunciados pelo Ministério Público.

A denuncia foi acatada pelo juiz Atílio César de Oliveira Júnior. Julialdo, segundo a investigação da Polícia, além de mentor do crime teria conseguido a arma utilizada (um revólver Taurus calibre .32) por Júlio César dos Santos Rosa, que atirou contra o empresário.

No seu Fiat Uno, o taxista teria levado para Bonito, Welleson Sanches Fragoso, localizado dois dias depois pela Policia Militar. Pipoca, como é conhecido o jovem de 19 anos, pilotou a motocicleta usada na fuga da agência até a saída para o Quebra Coco, onde ele e Júlio (o Guimê) tomaram rumos diferentes.

Julialdo, que trabalhava como taxista no ponto em frente do Hospital Elmiria Silvério Barbosa, durante dois anos trabalhou no Supermercado Nutrimais, na Avenida Dorvalino dos Santos, pertencente ao irmão da vítima. Com isto acompanhava a rotina que Paulo César cumpria diariamente, a de levar para depositar no Banco do Brasil o malote com o movimento financeiro da manhã.

Além de Julialdo, Júlio Cesar (que estava foragido no regime semi-aberto em Campo Grande, onde cumpria pena por tráfico de drogas), e Welleson Sanches, o último envolvido no crime, citado na denúncia acatada pela Justiça, é um menor de 14 anos, residente no Jardim Paraiso, que ganhou R$ 2 mil para esconder no quintal de casa a arma usada no crime.

Welleson Sanches Fragoso e Júlio César dos Santos Rosa estão presos. Fotos: Divulgação.

O crime

Na tarde do dia 15 de fevereiro o empresário Paulo César Buchanelli, ao chegar à agência do Banco do Brasil, na Rua Rio Grande do Norte, por volta das 14h50, foi surpreendido pelos dois homens, que estavam em uma motocicleta vermelha.

O comerciante não reagiu e entregou o malote com dinheiro que seria depositado no banco, mas mesmo assim foi baleado no coração a queima-roupa e morreu ao dar entrada no Hospital.

Welleson foi preso dois dias depois do crime, num sábado, em Bonito. Júlio Cesar dos Santos, apontado como autor do disparo que matou o comerciante, foi preso no dia 09 de abril.