Mesmo com chuva, produtores projetam perda de 30% da produtividade do milho com a seca

Foram plantados no município 185 mil hectares com a expectativa da colheita de em média 80 sacas por hectare.

Mesmo com chuva, produtores projetam perda de 30% da produtividade do milho com a seca - Foto: Marcos Tomé/Região News

Depois de até 30 dias de estiagem em algumas regiões do município, voltou a chover em Sidrolândia, mesmo assim, os produtores, estão convencidos de que o estrago em termos de produtividade do milho safrinha é irreversível. Foram plantados no município 185 mil hectares com a expectativa da colheita de em média 80 sacas por hectare. Se a quebra for confirmada, esta produtividade cai para 56 sacas.

Na avaliação do produtor Paulo Stefanello, que tem lavouras em regiões onde não choveu por um mês, esta quebra no seu caso (que obtém resultado acima da média do município), reduzirá de 120 para algo em torno de 84 sacas, prejuízo que poderá ser em parte compensado pela cotação do grão que tem aumentado de preço por conta da redução na área plantada e expectativa de quebra na produção.

De acordo com a Embrapa, ao contrário dos três primeiros meses do ano passado, abril de 2018 foi muito seco, com alguns locais sem chuvas. Dourados, com média histórica de 112 mm em abril, teve menos de 3 milímetros de chuva. “Pode-se observar que a estiagem atingiu praticamente toda a região sul de Mato Grosso do Sul. Itaquirai teve 27 mm, Ivinhema 13 mm, Itaporã 15 mm, Sidrolândia 11 mm, Caarapó 11 mm, Rio Brilhante 10 mm, Juti 6 mm, Ponta Porã 6 mm, Maracaju 3 mm e Jardim, 3 milímetros”, informou o Guia Clima.

Ainda conforme a Embrapa, os solos estavam com condições ideias de umidade, com 100% de disponibilidade hídrica. Entretanto, devido à ausência de chuvas, os níveis de umidade terminaram o mês em condições muito insatisfatórias, com 25% de disponibilidade hídrica.

O analista da Embrapa em Dourados, Gessi Ceccon, disse que apesar de a safrinha ser plantada em uma época de maior risco por causa das condições climáticas – “e o produtor sabe disso” –, a situação se mostra mais negativa do que o esperado.

“Tudo que não pode acontecer para o milho em termos de crescimento e fisiologia de produção aconteceu neste ano. Tivemos um verão chuvoso que atrasou a colheita da soja e o milho não foi plantado tão cedo como se esperava. O agricultor tinha medo de geada, mas a seca veio primeiro e a maioria dos híbridos floresceu no período da seca, exatamente o que não pode acontecer”, afirmou.

Segundo ele, as perdas certamente irão acontecer, mas ainda sem uma estimativa de qual será esse percentual. “É esperar para ver o que vai acontecer daqui para frente. Tem previsão de chuva só para a semana que vem. As perdas são, sim, significativas neste ano”.