Petroleiros marcam greve e pedem queda no preço de combustíveis

Categoria convocou paralisações em todas as refinarias do país para quarta-feira, 30.

Paralisação na refinaria de Capuava (Recap) no município de Mauá (SP) - Foto: Roberto Parizotti/Fotos Públicas

Inicialmente organizada para tentar barrar a privatização de ativos da Petrobras– como a venda de quatro refinarias e 12 terminais da Transpetro, anunciados no programa de desinvestimento da estatal – a greve dos petroleiros marcada para a próxima quarta-feira, 30, em todo o país passou a incorporar em sua pauta de reivindicações a redução dos preços do gás de cozinha e dos combustíveis.

A decisão, acordada nas assembleias da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), busca captar a instatisfação da população contra o aumento da gasolina e do etanol nas bombas, e pega carona na greve dos caminhoneiros, que há oito dias paralisam as estradas do país.

Dirigentes sindicais das duas federações afirmaram que o calendário de paralisações da categoria já estava marcado antes mesmo de os caminhoneiros tomarem as rodovias. Mas reconhecem que o apoio popular à sua greve seja maior neste momento.

Em comum, a FUP e a FNP pedem pelo fim da política de preços da Petrobras, que reajusta os valores dos combustíveis diariamente com base na cotação do dólar e do barril do petróleo. Além disso, os petroleiros pedem a demissão do presidente da Petrobras, Pedro Parente, segundo eles, o culpado pelo desmonte da estatal e o sucateamento do setor de refino de derivados de petróleo.

 

A FUP, que representa 13 sindicatos de petroleiros em todo o país, convocou uma greve nacional de três dias a partir de quarta-feira. Segundo José Maria Rangel, coordenador-geral da entidade, a paralisação afetará o refino de produtos como diesel, gasolina, querosone de aviação e gás liquefeito de petróleo (GLP, o gás de cozinha). Já nesta segunda-feira, a FUP realiza mobilizações em frente a refinarias da Petrobras, e diz ter recebido a solidariedade dos sindicatos de categorias como metalúrgicos, bancários e portuários.

A paralisação convocada pela FNP, por sua vez, será por tempo indeterminado. O diretor Rafael Prado explica que a entidade representa cerca de metade da força de trabalho nas refinarias da Petrobras (entre funcionários contratados e terceirizados), e que também tem recebido apoio de outros profissionais, como os químicos. “Hoje, cerca de 30% da capacidade produtiva das nossas refinarias está ociosa. O Temer colocou um presidente na Petrobras que só tem vistas para o investidor estrangeiro, e que vira as costas para a sociedade brasileira”, diz Prado.

Em todo o país, o sistema Petrobras conta com 13 refinarias. São produzidos mais de dois milhões de barris de derivados por dia, como diesel, gasolina, nafta, querosene de aviação, GLP, lubrificantes, entre outras substâncias que servem de matéria prima para diversos produtos.