Danilo revela que deixou o Real pela Seleção e brinca com pisões em Neymar

Filho de caminhoneiro, lateral apoia a greve no Brasil e lamenta ausência de Daniel Alves na Copa

- Foto: Reprodução/G1

O lateral-direito Danilo está na disputa por uma vaga entre os titulares da Seleção na Copa do Mundo da Rússia. Com a lesão de Daniel Alves, o lateral-direito do Manchester City tem como concorrente Fagner, do Corinthians. Contratado pelo time inglês a pedido do técnico Pep Guardiola, ele deixa claro que sua mudança de clube, ao deixar o Real Madrid na temporada passada, foi algo bem pensando justamente para ter chances de defender o Brasil.

- A minha volta à Seleção foi bastante trabalhada e pensada quando decidi deixar o Real, foi uma decisão muito grande de país e cultura, a língua, que é uma barreira.

''Mas estava confiante que mudando de clube e num projeto em que tivesse mais tempo de jogo poderia voltar à Seleção''.

- Acho que foi acertado, um ano em que tive mais confiança para exercer o futebol que sempre joguei. Quanto ao troféu é uma coincidência bacana a final da Copa ser no meu aniversário. Espero poder jogar, se não puder jogar, ajudar de alguma forma - disse.

O lateral comentou ainda a evolução de Neymar e disse que vem sofrendo nos treinos, já que normalmente tem a missão de marcar o camisa 10. Nos últimos treinos até pisou no pé recém-operado do craque.

- Nesses dez dias eu sempre enfrentei ele nos treinos, sempre conversamos, natural, sempre dou uma pisadinha ali. Tá melhorando a cada dia, mais rápido, mais difícil de defender. Que ele possa chegar 100% ou perto disso na Copa do Mundo, é importante para a gente.

O problema de Danilo vem de longe, aliás. Desde 2010, quando jogava no Santos, ele já precisava marcar Neymar nos treinos.

''É normal pisar no pé dele umas duas ou três vezes, mas estou tentando pisar leve e fazer um carinho depois (risos)''.

 

Confira mais trechos da coletiva de Danilo:

CONVERSA COM TITE

- O Tite conversou comigo sim já, como imagino que tenha feito com quase todos os jogadores. Ele tenta manter um padrão de jogo. Ele me mostrou vídeos e situações, assim como tenho certeza que também conversou com Fagner e com outros jogadores para todos ficarem cientes do que têm que fazer em campo. Eu não tenho que fazer nada diferente do que faço no meu clube no dia a dia. Certamente foi isso que fez o Tite me convocar. Tenho certeza que assim é a melhor maneira de jogar e poder conquistar meu espaço aqui dentro - disse.

AUSÊNCIA DE DANIEL ALVES

- Infelizmente a lesão do Dani... É incomparável o que ele alcançou aqui, as conquistas, a liderança. Sem dúvidas é uma perda importante. Mas tanto eu quanto Fagner temos feito o nosso melhor para colaborar com o jogo. O Dani tem uma cabeça muito boa, vai conseguir superar essa lesão

TRABALHO COM PEP GUARDIOLA

- Acho muito importante para o meu estilo jogar numa equipe onde o padrão de movimentação é mais ou menos sempre o mesmo, você saber onde seus companheiros vão estar durante o jogo. Ele é um cara que cobra um padrão tático perto da excelência, marcação em pressão e jogar em linhas altas, o que potencializa meu jogo. Acho importante ter quatro jogadores do mesmo time na seleção. O padrão de jogo melhora. Mas os outros jogadores também são de equipes grandes com padrão parecido, que é sempre ter bola e sempre atacar.

- Era tão bom no gol que virei lateral (risos). É incrível porque o Taffarel foi um dos meus primeiros ídolos no futebol por tudo o que representava, mas no dia a dia nem consigo demonstrar essa idolatria, porque ele é um cara que te trata como um companheiro. Ele para mim foi um dos maiores do futebol brasileiro e como pessoa é ainda mais incrível. Eu gostava muito do gol, mas um treinador me falou que eu não ia crescer tanto, e acho que falou bem porque hoje os goleiros são muito altos. Comecei como lateral esquerdo e acho que foi boa essa troca.

 

CARREIRA VENCEDORA

- A Copa é o ápice. Foram muito importantes as conquistas todos esses anos. Me ajudaram na formação como atleta, como competidor, e me ajudou a chegar preparado na Copa. Acho importante ter jogadores acostumados a ganhar e jogar em alto nível. Seria a cereja do bolo ganhar a Copa, mas tem que se reconhecer esse histórico.

CRISE NO BRASIL

- Ontem troquei mensagem com meu pai. Ele falou que a greve continua e ele falou que eles (caminhoneiros) estão certos. Para nós que moramos longe há muitos anos é muito difícil expressar opinião sobre, mas o que vejo é que a população paga e transforma em impostos, ela não recebe em benefícios. Então acho que estão certos em protestar em relação a isso.

- Para mim é melhor sim. Estou há alguns anos já na Europa e isso é mais comum. A gente tem mais tranquilidade para trabalhar. Há coisas que a gente tenta surpreender para o adversário. Tem coisas que a gente experimenta e vai errar para acertar no jogo. às vezes é bom ter imprensa e torcedores, mas também ter essa tranquilidade para trabalhar.

TEMPORADA NO CITY

- Os primeiros seis meses apesar de ter jogado bastante, foi de adaptação. A Premier League tem intensidade muito alta, em termos de contato físico é muito diferente de todas as ligas que participei. Pude jogar como lateral esquerdo, que me deu oportunidade de jogar. Na na segunda metade me sentia mais à vontade, mais forte e com mais andamento e foi quando consegui desempenhar melhor meu andamento, consegui jogar de forma consecutiva. Fiquei satisfeito, a gente ganhou a Premier League, quebramos recordes de anos e anos. Não quero parar por aí. Agora quero ser titular na direita e conquistar mais títulos.