Gás chega às revendas, mas recarga fica até 100% mais caro em Sidrolândia

O Procon orienta o consumidor a exigir nota fiscal discriminada com o valor do produto para documentar casos de preços abusivos.

Consumidores tiveram de desembolsar entre R$ 85,00 e R$ 120,00 no botijão de gás - Foto: Marcos Tomé/Região News

Com a greve dos caminhoneiros, a falta de gás de cozinha provoca abusos de preços na cidade de Sidrolândia. Algumas revendas chegaram a cobrar entre R$ 85 e R$120,00 pelo botijão, sendo que o preço médio, antes da crise de combustíveis, tinha uma variação entre R$ 55 e 65,00. O cenário mais comum, no entanto, é a ausência do produto que só chegou ao final da tarde deste sábado, dia 2 de junho, 5 dias após o fim da paralisação.

Consumidores tiveram de encarar uma fila gigantesca numa das revendas no Bairro Jandaia para conseguir comprar o produto. Na Rua Pernambuco, por exemplo, onde funciona um ponto de venda da marca Supergasbrás, foram distribuídas cerca de 200 senhas ainda no período da manhã para que não houvesse tumulto quando o caminhão da distribuidora chegasse com a carga.

Apesar da indignação dos consumidores que tiveram de desembolsar R$ 85,00, aquele que conseguiu comprar a recarga, foi pra casa feliz, isto porque muitos não tiveram a mesma sorte e terão que aguardar uma próxima remessa, já que segundo informações, não há mais o produto nos pontos de revenda da cidade.

Gaspar da Silva, de 58 anos, funcionário da linha de produção da Seara Alimentos, que mora com a esposa e mais 8 filhos na aldeia urbana Tereré, contou ao RN que está sem gás de cozinha há mais de uma semana e teve de improvisar; fez um fogão a lenha no quintal de casa para preparar as principais refeições do dia. “Não tem jeito. Arrumei meio metro de lenha com os patrícios pra ir quebrando um galho”, relata na fila.

Já o aposentado Inácio Elmo, de 67 anos, acompanhado da esposa, a dona de casa, Irene Relma (64) diz que nos últimos dias fez racionamento de gás em casa. “Só em caso de extrema necessidade. Alimentos que demoram muito tempo para o preparo, lá em casa, foram proibidos colocar no cardápio”, brinca.

Júlio Cezar, 37, tenta comprar um botijão desde terça-feira (28/05), no Jardim Pindorama. Até o momento em que reportagem estava no local da revenda na rua Pernambuco ele permanecia com a senha de número 82 em mãos e sem o produto. Segundo Júlio, quando ficou sabendo que o a transportadora reabasteceria a revenda, passou na empresa e retirou a senha por volta das 10 horas da manhã.

“Estou com a senha, mas já estão chamando números acima de 100 e até agora nada do numeral 82”, reclamava ao relatar que desde a falta do produto em casa, ele e a família têm sobrevivido à base de pão com mortadela.

Preços abusivos

O Procon orienta o consumidor a exigir nota fiscal discriminada com o valor do produto, seja de gás de cozinha ou combustível, isto servirá para documentar casos de preços abusivos que vem sendo praticados a pretexto da paralisação dos caminhoneiros. Está é a recomendação da Associação Brasileira dos Procons (Procons Brasil) que orienta os cidadãos a denunciarem aos Procons regionais.

Em todo o Brasil, os Procons estão atuando a partir da reclamação de consumidores e de fiscalizações. Confirmada o abuso, os postos ou revendas, podem ser autuados e multados. No Paraná, por exemplo, a multa pode chegar a R$ 6 milhões. “Pedimos que as revendedoras não pratiquem os aumentos em respeito ao consumidor, que não deve pagar a mais por conta dessa situação de greve. É claro que pode haver algum fato isolado, onde um estabelecimento venda com um valor mais alto. Nesses casos, o consumidor deve procurar os seus direitos e acionar o Procon”, sugere um advogado ouvido pela reportagem na fila.