Manuela D’Ávila recua e diz que não tem motivos para retirar candidatura

Durante palestra em universidade na Bahia, deputada afirmou que aceno às demais candidaturas de esquerda não surtiu efeito

Manuela D'Ávila defendeu sua candidatura nesta segunda-feira, na Bahia - Foto: Evaristo Sá/AFP

A pré-candidata do PCdoB à Presidência da República, Manuela D’Ávila, afirmou nesta segunda-feira, 11, em visita à Bahia, que não tem motivos para retirar sua candidatura já que a tentativa de unir os postulantes da centro-esquerda ao Palácio do Planalto não funcionou.

“Nós fizemos o gesto. Mas, se não surtiu efeito, não tem porque retirar a candidatura mais jovem da história, da única mulher pré-candidata dos partidos que denunciam o golpe. Nós não disputamos eleição para crescer o partido”, disse a deputada estadual gaúcha, em palestra na Faculdade de Direito da Universidade Federal do da Bahia (UFBA).

Na declaração, referiu-se ao aceno que fez, na última semana, aos pré-candidatos de centro esquerda. Na ocasião, a deputada admitiu a possibilidade de retirar sua candidatura no primeiro turno caso os outros presidenciáveis do campo sinalizassem uma unidade.

Na passagem pelo estado, onde rodou o interior – ela já havia passado por Juazeiro, a 502 km da capital baiana, e visitado fábricas em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador – Manuela D’Ávila também afirmou que “a direita brasileira é burra e mentirosa”. No discurso, a presidenciável defendeu o papel do estado para o desenvolvimento nacional e citou os EUA e a Coreia do Sul como exemplos.

“O Brasil precisa discutir o papel do estado para o desenvolvimento do País. Não conheço nenhum país desenvolvido que tenha chegado aonde chegou sem um estado forte. A direita brasileira é burra, ela mente nesse debate. Uma parte é limitada e a outra é mentirosa”, disse, voltando a defender a taxação dos ricos e, citando a greve dos caminhoneiros e a discussão sobre a política de preços da Petrobras, a redução de impostos sobre o botijão de gás.

A pré-candidata também ironizou o presidente Michel Temer e as pré-candidaturas ligadas ao Palácio do Planalto ao dizer que “o governo Temer procura corpos para reencarnar”. “Não basta tirar o Temer, tem que tirar o projeto”, discursou Manuela, para uma plateia de militantes da União da Juventude Socialista (UJS), ligada ao seu partido, e de quadros políticos da legenda na Bahia. Ela foi recebida no auditório com gritos de “Brasil pra frente, Manu presidente”.

Estavam presentes os deputados federais Daniel Almeida e Alice Portugal, pré-candidatos do PCdoB a deputado estadual, vereadores da sigla e secretários de Estado indicados pelo partido no governo do petista Rui Costa. No discurso, a presidenciável criticou o modelo de segurança pública do país, “defendido pela elite”, e citou os altos índices de morte de jovens negros – ranking em vários estudos e pesquisas liderado pela Bahia, Estado governado pelo PT há 12 anos.

Com uma blusa escrito “Lute com uma garota” e com a filha Laura, de 3 anos, no colo, a presidenciável fez um discurso voltado para o público jovem e fez questão de lembrar que militou na UJS na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Repetiu diversas vezes que defende “um projeto nacional de desenvolvimento” para o País e não deixou de entoar o mantra do “golpe”, referindo-se ao impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff (PT) e à agenda de arrocho fiscal e reformas do Palácio do Planalto no governo Michel Temer.