No Nazaré, após 5 anos, famílias só receberam 20% do fomento e não produzem nem para subsistência

Até agora, com exceção de algumas assentadas, só foi liberada uma parcela de R$ 2.400 do crédito de fomento.

Quem não conseguiu abrir um poço, paga para abastecer a caixa d'água na vizinhança. - Foto: Paulo Ribas

Só agora, cinco anos após a criação do núcleo, aproximadamente 10% das 171 famílias abandonaram os lotes e as que continuam lá, a maioria não consegue produzir nem para subsistência.

Não é por acaso que enfrentam esta situação, afinal, até agora, com exceção de algumas assentadas que receberam um crédito de R$ 3 mil (o Apoio Mulher) para compra de galinhas poedeiras, instalação de galinheiros, visando a produção de ovos e projetos de fruticultura, só foi liberada uma parcela de R$ 2.400,00 do crédito de fomento, destinado a compra de ferramentas, construção de cercas. A produção de frutas não deu certo por falta de correção do solo (majoritariamente arenoso) e assistência técnica.

O valor do fomento liberado, corresponde a 20% do que as famílias deveriam ter recebido (R$ 11.400,00). Eles aguardam agora, mais R$ 2.800 para aquisição de bens duráveis de uso doméstico, que só poderia ser liberado depois de construída as casas. O problema é que a liberação de recursos (R$ 28,1 mil por família) para compra do material demorou (só começou a chegar em 2016).

Tanto assim que 71 famílias ainda estão em moradias precárias porque não receberam. O assentamento foi criado no final de 2013, mas só no ano passado, os lotes foram demarcados e as famílias puderam tomar posse das suas parcelas. A energia elétrica também demorou, só chegou em 2016.

A terceira parcela de crédito, R$ 6.400,00, que é exatamente para viabilizar a produção, depende da elaboração e aprovação de projeto. A maioria escolheu usar o dinheiro para compra de gado, construção de mangueiro. 

Outra dificuldade é o abastecimento de água, que só agora será resolvido com a instalação da rede de água. Quem não conseguiu abrir um poço, paga para abastecer a caixa d'água na vizinhança. É o caso do assentado Juscelino de Lima que paga R$ 80,00 por semana para o dono de um caminhão trazer 1.300 litros de água de um lote a 4 quilômetros de onde mora.  

A rede de água já passou em frente da sua área, mais ainda não está funcionando, abastecida por um dos quatro poços existentes no assentamento de 2.600 hectares, a 70 quilômetros do centro da cidade.