Em vídeo, Planalto diz que não dá para o governo tabelar preços: 'Não é assim que as coisas funcionam'

Vídeo é mais uma peça da campanha que o governo lançou nas redes sociais.

Em um vídeo divulgado nesta quarta-feira (20) nas redes sociais, o Palácio do Planalto diz que não dá para o governo tabelar preços e que, se eventualmente tomasse essa medida, produtores poderiam parar de vender.

A peça afirma ainda que há preços regulados pelo mercado internacional e não têm relação com ações do governo.

Atualmente, há uma discussão jurídica sobre a medida provisóriaassinada pelo presidente Michel Temer para estabelecer preços mínimos para o frete rodoviário de cargas.

A tabela do frete fez parte do acordo entre governo e caminhoneiros para encerrar a greve da categoria, que durou 11 dias.

“Também tem aquela coisa, né, não dá para o governo controlar tudo. Tem preço que depende do que acontece lá fora. 'Ah, mas o governo podia tabelar os preços'. Tá louco! Não é assim que as coisas funcionam. Se o governo congela o preço, o produtor pode se recusar a vender ou parar de produzir”, diz o ator que protagoniza o vídeo.

O governo também argumenta que, se tiver que bancar diferenças entre preços tabelado e o cobrado pelo vendedor, numa situação hipotética, o dinheiro teria que sair dos impostos. Verba que, segundo o Planalto, está "contadinha".

“Se decide bancar a diferença, o dinheiro tem que sair de algum lugar. E não tenha dúvida, vai sair da grana dos impostos. Um dinheiro que já tá contadinho”.

O vídeo ainda afirma que já houve a tentativa de tabelar preços no passado, política que pode "ter péssimas consequências". "Pode gerar crises e recessões capazes de trazer de volta a hiperinflação".

A peça divulgada nesta quarta integra uma campanha da equipe de comunicação do presidente Michel Temer para melhorar a imagem do governo. O Planalto divulgou outros vídeos na segunda (18) e na terça (19), nos quais abordou a recuperação da economia e impopularidade do presidente, apontada em pesquisas de opinião.

O ator diz no vídeo que, apesar de a inflação estar baixa, as pessoas não percebem no dia a dia porque o país passou por uma "crise terrível". Ele afirma ainda que as pessoas estão "irritadas com razão".

O vídeo cita que, se por um lado os preços do gás de cozinha e da gasolina subiram nos últimos meses, os de outros produtos baixaram.

"Não tem jeito, inflação é assim, um cálculo entre os preços que sobem e os preços que descem. E as pessoas estão irritadas com razão. Nós passamos por uma crise terrível. Mesmo com a menor inflação em décadas, as pessoas estão sem dinheiro, endividadas. Por isso fica até difícil perceber essa inflação tão baixa que o governo fica anunciando", argumenta a peça publicitária.

Tabela de frete

Nesta quarta, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), receberá representantes de governo, empresários, caminhoneiros e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em uma audiência pública para discutir a medida provisória da tabela de frete.

Na semana passada, Fux suspendeu provisoriamente todos os processos nas instâncias inferiores da Justiça que tratavam da medida.

Somente no Supremo, três ações contra a MP foram apresentadas por três entidades – ATR Brasil, Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Nas ações, as entidades argumentam que a MP fere a iniciativa do livre mercado e é uma interferência indevida do Estado na atividade econômica e na iniciativa privada.