Catimbeiro, líder e até 'treinador': Messi vai além da genialidade e renasce na Copa

Velha parceria com Banega facilita ações ofensivas de um craque que se entregou defensivamente como poucas vezes, orientou equipe no intervalo e deu aval ao indeciso Sampaoli: "Ponho o Kun?"

Sampaoli recebe cumprimento de Messi após o gol de Rojo - Foto: Toru Hanai / Reuters

Um Messi muito além da genialidade. Um Messi mais argentino do que nunca. Um Messi que "puso huevos", como dizem os compatriotas ao cobrar raça, para seguir vivo na Copa do Mundo. Além de finalmente dar as caras com arrancadas, bons passes e gol, o que se viu na noite de terça em São Petersburgo foi um Messi dedicado defensivamente, vibrante, líder e até catimbeiro como em raras vezes.

Da corrida desenfreada para apertar a marcação na saída de bola nos minutos iniciais até o carrinho na lateral seguido de cera que resultou em cartão amarelo já após o gol de Rojo, foi o jogo de maior entrega do craque sem a bola. Em 28 minutos e 20 segundos no campo defensivo, Messi protagonizou lances inesperados: como quando marcou cobrança de lateral perto linha de fundo e apelou para chutão no fim do primeiro tempo.

Ofensivamente, o camisa 10, enfim, teve a companhia do "sócio" que tanto procurava. O entrosamento com Banega é antigo, desde os tempos de garoto em Rosário, e voltou a funcionar. Dos pés do volante do Sevilla saiu a assistência para o golaço aos 14, com direito a domínio na coxa e no pé esquerdo sem deixar a bola cair e finalização de direita.

 

As câmeras flagraram ainda um Messi com postura de liderança também como poucas vezes se viu. Na volta do intervalo, o capitão reúniu os companheiros ainda no túnel de acesso ao gramado e indicou a postura para o segundo tempo. O gol de empate dos nigerianos logo aos três minutos, por sua vez, quase colocou tudo a perder.

Messi passou mais de 28 minutos no campo defensivo, correu 8.7km e encerrou a partida dando carrinho e recebendo cartão por catimba

Pressionado, Sampaoli mandou a Argentina para o ataque, colocou Meza e Pavón abertos, tirou Enzo Perez e recuou a dupla Banega (para auxiliar Mascherano na marcação) e Messi (mais no papel de armador centralizado). Leo terminou a partida com 64 passes (50 certos, errou também como raramente se vê), duas finalizações e 8.7km percorrido, sua maior distância neste Mundial.

E não foi só com a bola nos pés ou na marcação que o craque ajudou a Argentina a avançar. Uma imagem do canal Tyc Sports indica diálogo com Sampaoli na reta final da partida, onde o técnico pergunta: "Coloco o Kun?". Messi balança a cabeça positivamente e pouco depois Agüero no lugar de Tagliafico.

A substituição fez com que Sampaoli recuasse prendesse ainda mais Mascherano e liberasse Marcos Rojo para avançar pela lateral esquerda, sua posição de origem. Sete minutos depois, o jogador do Manchester United fez história e acabou com um dos jogos mais tensos da carreira de Messi:

 

- Não me lembro de tanto sofrimento, pela situação. Foi um desafogo, pelo resultado complicado nos outros jogos, o que saiu por aí, mas por sorte conseguimos o objetivo. Não pensávamos em sofrer tanto. Mas estávamos confiantes do que devíamos fazer - disse o camisa 10 em coletiva por ser escolhido o melhor em campo.

Por fim, deu o tom do sentimento na partida que manteve vivo o sonho da Copa do Mundo.

- A camisa da seleção está acima de tudo.

Sábado, às 11h (de Brasília), em Kazan, a emocionante e dramática história do craque no Mundial da Rússia tem mais um capítulo. A França será a adversária nas oitavas de final, e Messi precisará novamente ser mais do que genial para vencer. Já mostrou que é capaz.