Tite se diz em paz após classificação e minimiza seca de Jesus na primeira fase

Treinador não se incomoda com jejum do camisa 9, que passou em branco nos três primeiros jogos, e comenta também a situação de Marcelo: "Ele falou que travou (as costas)"

- Foto: REUTERS/Axel Schmidt

Tite se sentou mais aliviado na entrevista coletiva após a vitória por 2 a 0 sobre a Sérvia, em Moscou. Classificado para as oitavas de final da Copa do Mundo, ele deu respostas leves, prometeu beber uma caipirinha e se mostrou satisfeito com a atuação da equipe. Teve também, porém, que lidar com os problemas dela. Como o desempenho de Gabriel Jesus, que passou em branco durante toda a primeira fase do torneio. Veja os melhores momentos.

– Artilheiro vive de fazer grande jogo. Por vezes a bola terminal surge para ele. Por vezes, uma bola parada que o Thiago (Silva) faz. Futebol é assim. Essas coisas que nos fazem refletir, pensar. Ele tem essa condição. Uma das coisas que mais doem é deixar jogador de qualidade fora, como o Firmino – disse, admitindo estar menos pilhado do que de costume.

– Aparentemente, (estou) em paz. Vou tomar caipira hoje, eu vou, eu me permito (risos). A gente trabalha um pouquinho com o fiel da balança. Copa do Mundo são relações humanas, e eu tenho que sentir como se estabelecem o vestiário, os atletas, a alegria, o orgulho. Se está pilhado, joga para menos. Se está pouco, jogo para mais.

 

Tite também foi questionado sobre a situação de Marcelo, que saiu no começo do primeiro tempo com dores. A CBF informou que o lateral-esquerdo teve um espasmo na coluna numa tentativa de arrancada, e o treinador não deu maiores detalhes. Apenas disse que ele apresentou melhoras após ser medicado.

"Só sei que ele teve um problema nas costas. Sei que foi nas costas, mais do que isso o Doutor (o médico Rodrigo Lasmar) pode falar. Ele falou que travou quando estava saindo de campo", disse o treinador, sobre Marcelo.

O técnico brasileiro ainda explicou a entrada de Fernandinho no início da segunda etapa, quando a Seleção vencia por 1 a 0 e era pressionada pela Sérvia.

– A necessidade do jogo por vezes impõe uma ou outra característica. Aquele momento pedia o Fernandinho, porque dá articulação de passe, consistência. A partir do momento em que ele entrou, retomamos a parte central do campo e as ações ofensivas para ter volume. Com exceção desses minutos, uma atuação regular em cima de um bom desempenho – comentou, antes de avaliar o aproveitamento do time nas finalizações.

"A respeito dos números, depende da ótica. Para mim, é um somatório de números, é uma análise quantativa para uma análise de qualidade. Tivemos seis finalizações certas no gol, isso para mim é consistente. O adversário teve duas".

Com sete pontos ganhos em três jogos, o Brasil garantiu a primeira colocação do Grupo E. Vai enfrentar o México nas oitavas de final, às 11h (de Brasília). O jogo será na próxima segunda-feira, em Samara. A Suíça, segunda colocada na chave, pega a Suécia. Sérvia e Costa Rica deram adeus à competição.

 

Confira abaixo a coletiva na íntegra

  • Brasil é favorito claro com a eliminação da Alemanha?

"Expectativa. A gente não vive de expectativa, vive de realidade. De equipe que mentalmente suporta pressão, equilibrada, que tem peças de reposição para momentos importante. O Marcelo se machucou com dois minutos de jogo. Tem que ter uma equipe forte. Se não tiver essa preparação toda dos atletas, seguramente não teríamos esse desempenho. Essa situação é de vocês, de apostadores, mas não a nossa. A nossa é de busca de crescimento".

  • Sobre Neymar e Coutinho

"Tem uma série de atletas que vão decidir, vão ser protagonistas. O Gabriel Jesus, no seu primeiro jogo, foi protagonista contra o Equador. Paulinho, Marquinhos, em determinado momento jogando muito. Alisson contra a Argentina. Thiago Silva, Miranda, com regularidade muito grande. Assuntos de equipe eu não externo de forma pública".

  • Características de um jogo mata-mata

"Durante a minha carreira, fui tachado de tudo. No Rio Grande do Sul, de faceirinho. Depois, em outro momento, de retranqueiro. Mas tenho ideia bem clara de equilíbrio. Não posso ser eu o protagonista, não posso ter essa vaidade. Temos que ter sabedoria para ajustar peças. O Coutinho estava jogando muito do lado, aí veio para dentro e deixou um lado esquerdo forte. Diziam que eu era bom de mata-mata, mas não em pontos corridos. Mata-mata tem caráter emocional muito forte. Se puder resumir, a margem de erro diminui muito. O nível de concentração é altíssimo, não pode diminuir".

  • Pelo contexto da Copa do Mundo, a seleção brasileira passou bem pela primeira fase?

"Essa equipe criou expectativa alta porque arrebentou durante toda a fase de classififcação, nos amistosos e nos amistosos recentes. Só que ela vem para um Mundial, onde é um novo ciclo, um novo formato. Queria que arrebentasse como arrebentou no segundo tempo contra a Croácia, Áustria. Mas o Mundial tem uma característica diferente".

  • As três entrevistas de véspera do jogo, em que disse algumas coisas que vieram a se confirmar

"É fácil acertar porque falei umas 15 coisas (risos). Obrigado pela pergunta, mas não é assim, não. Tem que acreditar num processo de equipe, de construção. Senão perde referência. Não consigo trabalhar assim. Tem que ter um mínimo de tempo para uma construção de uma equipe. Já vinha em uma etapa de classificação, de preparação de amistosos, mas é também do Mundial. Apressam-se etapas, mas não se pulam etapas".

  • Se o Douglas Costa não estivesse lesionado seria o titular?

"O 'se' não joga. E o 'se' eu não respondo. O Daniel Alves estaria aqui, aliás esteve com a gente hoje no hotel. Sobre o Firmino, eu disse em entrevista que uma equipe é feita de características diferentes, importâncias iguais. Foi decisivo em outros jogos. Me consome o fato. Mas eles têm a compreensão do valor. Daqui a pouco, em outro momento, jogando junto com Gabriel ou sem, o trabalho solidário de cada um. A permanência do Gabriel, que é o goleador da equipe".

  • É possível tirar 100% do time?

"Não tem jeito de tirar 100% de um time porque é desumano. Não é quantificável. O que eu procuro é desafiar os atletas a crescerem. Se atingiram determinado ponto, é desafiar para atingirem um nível maior. Não sei aonde essa equipe pode chegar. É um torneio curto, de características específicas"

  • Sobre a união do time

"É um desafio muito grande. É o vigésimo quarto jogo. É muito pouco. Van Basten, quando nos reunimos, fez uma observação que é própria do atleta. Ele ia sugerir que, a cada convocação, ficassem quatro jogos com o técnico. Fui parabenizá-lo. Se fossem três, já ia ajudar um monte, porque tu tem tempo de conhecer o atleta, tempo de treinamento, de estabelecer links. Consegue estabelecer equipe e também as mudanças dela. Ideia de futebol equilibrado. É desafiador. Em muitos momentos não dormi".