Cúpula do PTB indica apoio a Geraldo Alckmin na disputa pelo Planalto

Indicação da Executiva petebista será submetida à convenção do partido, que deve confirmar a adesão ao tucano no próximo dia 28.

O candidato à presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB), participa de debate promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília (DF) - Foto: Adriano Machado/Reuters

A Executiva do PTB aprovou nesta quarta-feira, 18, por unanimidade, a indicação de Geraldo Alckmin (PSDB) como candidato a ser apoiado pelo partido na eleição presidencial de outubro. A decisão da cúpula do partido, comandado pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson, será submetida à convenção do PTB, no próximo dia 28 de julho, em Brasília, quando deve ser confirmada.

No documento em que encaminha a indicação de Alckmin aos petebistas, Jefferson afirma que o país passa por uma “instabilidade gerada a partir de 2003”, ano em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência. Para o presidente do PTB, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do mensalão, o PT era norteado por um “projeto criminoso de poder”.

“A monstruosidade da crise exige um gestor experiente, preparado e moderado, com discernimento e respeito à coisa pública”, enumera Jefferson, para quem o presidente a ser eleito em outubro “encontrará uma bomba-relógio”. “A pessoa que reúne todas essas qualidades, defende as bandeiras que defendemos e nos respeita, politica e partidariamente, é Geraldo Alckmin”, diz a carta, que ainda classifica o tucano como “gestor sério e prudente” e “homem humilde, honrado, de palavra, de família, de valores e credos”.

O texto assinado por Roberto Jefferson oficializa o que já era dado como certo na campanha do tucano. Além do PTB, auxiliares de Alckmin dizem que ele deve receber os apoios de PSD, PPS e PV.

O ex-governador de São Paulo, que patina nas pesquisas de intenção de voto, variando de 6% a 7% das intenções de voto, ainda busca atrair para sua coligação outros partidos de centro, como DEM, PP, PRB e Solidariedade, que também negociam subir ao palanque de Ciro Gomes, pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto. O apoio do chamado “centrão” ou “blocão” é considerado um fator de desequilíbrio na disputa, sob a ótica do tempo de TV que podem agregar a uma candidatura, além de estrutura partidária e recursos do fundo eleitoral.

Petebistas na mira da PF

A cúpula do PTB entrou na mira da Polícia Federal na Operação Registro Espúrio, deflagrada em maio. A ação investiga cobrança de propina em troca de registros sindicais na Secretaria de Relações de Trabalho (SRT) do Ministério do Trabalho, pasta que era ocupada pelo partido desde o início do governo do presidente Michel Temer (MDB).

Nas três fases da operação, já foram alvos de mandados de busca e apreensão da PF Roberto Jefferson, a filha dele, deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), o líder do PTB na Câmara, deputado Jovair Arantes (GO), e os deputados Wilson Filho (PTB-PB) e Nelson Marquezelli (PTB-SP). Indicados pelo partido no ministério, como o ex-secretário executivo da pasta Leonardo Arantes, sobrinho de Jovair, e o ex-secretário de Relações do Trabalho Renato Araújo, foram presos. 

No mais recente desdobramento da Registro Espúrio, no início de julho, o então ministro do Trabalho, Helton Yomura, foi afastado do cargo pelo ministro do STF Edson Fachin. Yomura acabou pedindo exoneração e foi sucedido pelo advogado Caio Vieira de Mello, que não tem ligação com o PTB e declarou que, “se necessário”, fará uma “limpa” na pasta.