O mais longo eclipse lunar do século terá lua de sangue na sexta-feira

Esse fenômeno, que dá à Lua um tom avermelhado, é provocado pelos mesmos fatores que fazem o céu ser azul.

Lua de sangue do dia 31 de janeiro de 2018, na Califórnia, nos Estados Unidos - Foto: Mike Blake/Reuters)

Na próxima sexta-feira, dia 27 de julho, o planeta Terra vai passar pelo mais longo eclipse lunar do século. Será 1h42 de fase total – quando o satélite ficará inteiro "escurinho" – acompanhado de um fenômeno chamado "Lua de sangue". Esse fenômeno, que dá à Lua um tom avermelhado, é provocado pelos mesmos fatores que fazem o céu ser azul.

No eclipse, Sol, Terra e Lua ficarão alinhados, e nosso planeta bloqueará a passagem dos raios solares até o satélite. A forma como as cores são "desviadas" ao passar pela atmosfera e a posição dos astros criarão o tom vermelho.

Para entender a "Lua de sangue" é importante saber como os raios solares se comportam na atmosfera. A luz solar é a soma de todas as cores. Quando essa luz chega na camada de ar da Terra, cada cor se espalha de uma forma. Vale lembrar da sequência de cores do arco-íris:

"As cores da luz do Sol são afetadas de maneira diferente. A luz mais azul é muito mais afetada, mais espalhada à medida que vai passando", explica Thiago Signorini Gonçalves, da Sociedade Astronômica Brasileira.

Por isso, quando estamos na Terra e olhamos para cima o céu é azul. A cor azul se "espalhou" por toda a atmosfera. A percepção dos nossos olhos também influencia. Temos mais facilidade para perceber o azul e o verde. Por isso, o céu é azul para nós. Nesse caso, tem a ver com a nossa fisiologia também.

 Nesta sexta-feira, durante o eclipse, a lua de sangue acontecerá assim:

 A Terra vai bloquear os raios do Sol

 Alguns deles passarão pela atmosfera

 A cor azul se espalhará na camada de ar da Terra

 E os raios vermelhos, que se espalham menos, passarão

 A Lua refletirá então esses raios e ficará "de sangue"

 Outro ponto de vista

 

E como seria para um astronauta ver a Terra na superfície Lua em dia de eclipse? Como seria um eclipse "terráqueo" total?

A agência espacial americana (Nasa) já pensou nisso e divulgou uma ilustração. Ver a Terra da perspectiva da Lua em dia de eclipse é ver um grande anel vermelho onde tem a atmosfera:

Ilustração mostra como seria observar o eclipse da perspectiva da Lua (Foto: Hana Gartstein ) Ilustração mostra como seria observar o eclipse da perspectiva da Lua (Foto: Hana Gartstein )

Ilustração mostra como seria observar o eclipse da perspectiva da Lua (Foto: Hana Gartstein )

O eclipse no Brasil

Na última sexta-feira (20), o G1 explicou que o eclipse lunar total vai ser o mais longo do século. O eclipse começa às 16h30, mas a Lua não terá nascido no Brasil ainda. A partir das 17h15 ela aparece no Recife, a capital brasileira com mais tempo para admirar a fase total, que termina às 18h13 minutos. A parcial, quando a Lua está só um pedaço coberta pela sombra, ocorre até 19h19 e poderá ser vista em todo o país.

Para observar, a melhor saída é ir para um lugar aberto e o mais perto da costa do Brasil possível. Vale checar o horário que nasce a Lua em cada região e ver qual será a janela de tempo para apreciar. Consigo ver na avenida Paulista? Difícil. O horizonte é tomado por prédios, muitas luzes. O ideal é ir para um campo aberto, onde geralmente é bom para observar as estrelas, segundo o Thiago Signorini Gonçalves, da Sociedade Astronômica Brasileira.

Horário do nascer da Lua no dia 27 de julho

Um ponto positivo do eclipse da Lua é que, ao contrário da versão solar, não é necessário um óculos especial para admirar. Vale conseguir um binóculo ou uma luneta. O melhor é ir logo na hora que a Lua nascer na cidade, assim dá para aproveitar a versão de sangue.