Depois de 50 dias de seca meteorologia prevê chuvas terça-feira em Sidrolândia

Com o Aumentou da estiagem a incidência de doenças respiratórias, entre eles pneumonia, atingindo principalmente crianças e idosos.

Água da chuva acumulada se transforma em foco do mosquito da dengue - Foto: Marcos Tomé/Região News

Há mais de 50 dias não chove em Sidrolândia e conforme a meteorologia, a estiagem deve terminar na terça-feira, quando está prevista uma chuva que além de amenizar o tempo seco, deve provocar queda na temperatura. Neste período os bombeiros tem registrado uma média diária de duas queimadas, a maioria rapidamente controlada. Uma das exceções foi à ocorrência no salão de festas Ferrières, saída para Quebra Coco. Para controlar as chamas, foi preciso o suporte de um avião agrícola.

Saúde

Para a saúde da população, a seca, acompanhada de baixa umidade do ar, trouxe desdobramentos contraditórios. Aumentou a incidência de doenças respiratórias, entre eles pneumonia, atingindo principalmente crianças e idosos. Leonilson Pereira Fernandes, de 19 anos, chegou à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no final da tarde deste domingo com fortes dores no peito e dificuldade para respirar.

O jovem começou a passar mal na sexta-feira (27) quando começou a sentir falta de ar. Ele trabalha numa propriedade que desenvolve atividade ligada a avicultura. "Ele fica exposto à cama de frango, tem que fazer limpeza do ambiente e sem contar que os animais soltam muita pena", relata uma mulher que o acompanhava e pediu para não ser identificada.

Dengue

Nos últimos 30 dias, não foram identificados foco do mosquito transmissor da dengue. Visto com certa naturalidade pelo setor de controle porque sem  chuva, não há acumulo de água em pneus ou qualquer objeto abandonado nos quintais que sirva de recipiente. Conforme o último boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde, Sidrolândia fechou com 37 notificações de pacientes com sintomas da doença, ante as 43 registradas em igual período de 2017, que fechou o ano com 56 casos.

Alerta

A  Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) alerta os agricultores e pecuaristas para evitarem a prática de queimadas na limpeza do solo, seja para preparo de plantio ou formação de pasto. Ao invés disso, adotarem outras medidas de manejo que são mais eficazes tanto nas atividades no campo como para o meio ambiente e a saúde da população.

"Hoje existem sistemas de produção sustentáveis, que não necessitam do fogo para limpeza ou manutenção. Entre essas tecnologias, podemos destacar os sistemas agroflorestais, o sistema de plantio direto, a trituração da capoeira e a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)", destaca a engenheira agrônoma da Agraer, Izabel Cristina Pereira.

De acordo com dados do PrevFogo do Ibama, dos 106 Projetos de Assentamentos (PA's) existentes no banco de dados da instituição, 37 apresentaram registros de focos de calor. O PA com mais focos de calor registrados neste ano é o PA Monjolinho, no município de Anastácio.
Agosto a outubro são os meses mais críticos para incêndios florestais em Mato Grosso do Sul, por isso, a orientação é não jogar lixos em áreas de pasto, lavoura ou de reservas florestais, além de lançar mão dos aceiros.

"É uma medida bem útil. Trata-se de uma área livre, mínimo de três metros de terra batida ao longo de cercas, divisas ou divisórias de estradas rodoviárias, a fim de prevenir a passagem do fogo para área de vegetação", explica a engenheira agrônoma. O fogo utilizado em queimadas para "preparar" o solo, ao contrário, o prejudica e muito, visto que elimina nutrientes fundamentais a qualquer cultura vegetativa, como o potássio e fósforo, mata microrganismos que auxiliam no desenvolvimento das plantas, reduz a umidade da terra e facilita o processo de degradação do solo. Isso sem mencionar problemas de poluição do ar e até mesmo de nascentes, águas subterrâneas e rios por meio das cinzas.

As queimadas não apenas geram problemas ambientais como também são passíveis de penalização. "A lei de crimes ambientais n.º 9.605 de 1998 prevê em seu art. 41 pena de reclusão, de dois a quatro anos, e multa. A multa é regulamentada pelo decreto nº 6.514 de 2008, onde em seu art. 58 varia de R$ 1.000,00 a R$ 1.500,00 por hectare" esclarece o analista ambiental do PrevFogo/Ibama, Alexandre de Matos.

"Dependendo da dimensão do incêndio, caso cause poluição em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da biodiversidade, a multa pode chegar a R$ 50 mil", ressalta o analista.

Também há uma resolução conjunta entre o IBAMA e o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), que suspende qualquer tipo de uso do fogo, através das queimas controladas, a partir de 1º de agosto, se estendendo até 30 de setembro no Planalto e até 31 de outubro no bioma do Pantanal. "Ou seja, nenhuma autorização de uso do fogo nesses períodos é permitida", alerta Alexandre.

O município de Corumbá é sempre o município que mais registra focos de calor no Estado. "Isso devido a sua extensão territorial e por ter grandes áreas de pasto, possibilitando a ocorrência de incêndios. Contudo, até o momento, a distribuição de focos de calor está mais equitativa, com Corumbá registrando 106 focos [12,6% do total], Aquidauana 51 [6,1%], Rio Verde de Mato Grosso 47 [5,6%], e Três Lagoas 35 [4,2%]".

Entretanto, se comparando aos registros de focos de calor deste ano com o mesmo período do ano passado, estamos com uma redução de 41%. Mas, como ainda não entramos nos ditos "meses mais críticos do ano" a recomendação é não facilitar e evitar as queimadas.
Por fim, a engenheira agrônoma Izabel Cristina evidência mais algumas providências simples que podem ajudar na prevenção de acidentes que acarretam grandes queimadas e incêndios.

"Nunca fumar nos pastos e nas lavouras ou jogar lixo ao longo das rodovias. Não realizar queimadas em pastos ou lavouras, mesmo que, aparentemente, seja algo totalmente controlável. E, quando uma determinada área apresentar a vegetação muito seca, se possível, deve-se "regar" ou molhá-la, não totalmente, mas em pontos estratégicos, visando prevenir ou ajudar a conter um possível incêndio".

As queimadas não se restringem aos problemas ambientais, pois tal prática prejudica a saúde e a economia local por influir em atraso de voos, acidentes nas rodovias, etc. Caso você veja uma queimada ou avistar fumaça suspeita ligue para os Bombeiros no número 193.