Richarlison festeja um ano de Premier League: "Não virei bandido como falavam"

Atacante completa ciclo como um dos reforços mais caros da história do Everton e mantém lado irreverente nas redes sociais: "Acho que falta um pouco disso no futebol".

- Foto: Reprodução de Twitter

Em um ano, muita coisa mudou na vida de Richarlison. No início de 2017, chegou do Fluminense no Watford e logo se destacou a ponto de, 12 meses depois, ser contratado a peso de ouro pelo Everton. Foram 45 milhões de libras (cerca de R$ 233 milhões) investidas, uma das contratações mais caras da história do clube de Liverpool. Na chegada, ele lembrou da infância e sorriu de volta para seu destino.

- Falei que muitos dos meus amigos estão presos, alguns já morreram. Eu tinha tudo para entrar nesse caminho. Lembro que andava na rua e me chamavam de vagabundo, bandidinho. Graças a Deus não virei bandido como falavam. Estou aqui na Premier League e ajudo a minha família. É isso que importa. Não ouvi essas pessoas que só querem o mal - disse Richarlison em entrevista exclusiva por vídeo, na expectativa pelo terceiro amistoso de pré-temporada pelo Everton, no próximo sábado, contra o Valencia, no Goodison Park, em Liverpool, às 11h (de Brasília).

A referência foi a uma reportagem recente da revista "FourFourTwo", na qual contou como o crime o acompanhou de perto na infância e levou alguns de seus amigos. Talvez uma surpresa para quem acompanha o atacante nas redes sociais e suas interações em clima bem mais ameno com os fãs.

- Acho maneiro. Ali no Twitter é comigo mesmo. O assessor também tem acesso à conta, mas sou quem mais usa. Fico batendo papo com a rapaziada. Acho que eles gostam. São fãs, né? Tem sempre que dar atenção, e estou sempre brincando com eles. No dia a dia, estou sempre sorrindo, brincando e lá tento me divertir um pouco - disse Richarlison, que completa.

"Acho que falta um pouco disso no futebol... os jogadores darem atenção aos fãs. E brincar um pouco com eles, conversar um pouco".

No Everton, o brasileiro foi um pedido do novo técnico da equipe, o português Marco Silva. Sob o comando dele, Richarlison teve um começo impressionante na temporada passada. Fez cinco gols nos 12 primeiros jogos do Watford.

Após a boa largada de Premier League, o time caiu de produção ao longo da temporada, e Marco Silva foi demitido em janeiro. Depois da saída do treinador, Richarlison não voltou a balançar as redes e encerrou a temporada com cinco gols em 32 jogos.

O novo camisa 30 entende que, mais que a demissão do técnico, a questão física o atrapalhou. Foram duas temporadas sem férias depois de jogar o Sul-Americano de 2017, no início do ano passado, no Equador, e depois se transferir do Brasil para a Europa.

- Acho que fiz uma temporada boa. O começo foi muito bom. Também senti um pouco a parte física. Vinha de dois anos sem férias. Jogando muitas vezes os 90 minutos sem parar. Estava sentindo a perna um pouco desgastada. Até tirava um pouco o pé do treino para não estourar nada na perna. Eu sentia que ia estourar uma hora porque estava muito pesada. A coxa vivia com dor. Resolvi descansar um pouco. Mas durante o jogo sempre dava a vida. Tentava fazer gol, dar assistência, mas infelizmente não saia. Mas nunca deixei de lutar, de correr atrás.

Confira outros trechos da entrevista

Um ano de Inglaterra. O que mudou na vida de Richarlison, além de aprender a dirigir na mão inglesa?

- Aprendi muita coisa. Já estou sabendo um pouco da língua. Estou estudando muito, pegando pesado nos estudos, até para poder tirar o visto de três anos também. Não ficar na correria. Voltei das férias antes para poder tirar o visto. Já estou conseguido pedir as coisas. Esses dias fiquei em Liverpool sozinho e me virei com comida e hotel. Dá para sobreviver. Enquanto não estiver ninguém perto de mim, dou meus pulos aqui.

"Muita gente entra em depressão aqui na Inglaterra porque é muito frio e não dá para sair muito de casa"

Chegou ao Everton como um dos mais caros da história do clube. Sente a responsabilidade?

- Estou tranquilo. Sei da minha responsabilidade. Desde que vim para o profissional já sabia dessa responsabilidade. Essa é mais uma etapa minha. Com certeza, vou honrar a camisa do Everton. Vou jogar o futebol que joguei pelos clubes que passei e continuarei dando a vida. Vou buscar meus objetivos: chegar na seleção brasileira, jogar uma Champions League.

Como é a reação dos seus seguidores nos posts das redes sociais?

- A maioria é positiva. Às vezes, aparece um invejoso que vem com resposta maldosa, mas isso é o de menos. O que importa ali é você. Não importa o que os outros falem. Se for postar algo pensando no que os outros vão falar, nunca vai postar nada. Então, vou por mim mesmo e posto na brincadeira mesmo. Ache ruim quem quiser. A maioria ali entende que é brincadeira, e os torcedores estão sempre brincando comigo.

Tite vai observar novos nomes. Já pensou na Seleção?

- Acho que é continuar trabalhando. Agora começa um novo ciclo. Vou continuar trabalhando firme ter a oportunidade. Ele (Tite) está observando. Eu fico muito feliz pelo reconhecimento... Espero fazer uma boa temporada e aparecer nas próximas convocações.

Deixou um bom dinheiro para o Fluminense? Deu pra ajudar, né?

- Fico feliz por ajudar, mesmo não jogando mais no clube. O clube estava passando por um momento difícil. Acho que esse dinheiro vai cair como uma luva no Fluminense. Vão poder se acertar com os jogadores e contratar também. Sou muito grato a eles, que me tiraram do América-MG e apostaram em mim. Fico feliz por poder ajudar.