Fernando Alonso anuncia que deixará a Fórmula 1 no fim da temporada de 2018

Bicampeão mundial em 2005 e 2006 posta vídeo nas redes sociais no qual agradece à categoria.

- Foto: Getty Images

Fernando Alonso fez mistério nas redes sociais nos últimos dias sobre um eventual anúncio. E, de fato, ele veio nesta quarta-feira. Bicampeão mundial de Fórmula 1 em 2005 e 2006, o espanhol confirmou nesta terça-feira que deixará a categoria ao fim da temporada deste ano, aos 37 anos de idade. Alonso postou um vídeo nas redes sociais no qual faz um agradecimento à F1.

"Você não me esperava e eu não estava seguro de querer te conhecer. Você me deu muito. E eu creio que te dei tudo. Quando tinha acabado de aprender a andar, já corria à sua pista, ao seu ruído, sem saber nada de você. Juntos passamos momentos muito bons, alguns inesquecíveis, outros realmente ruins. Você me viu crescer, lutar, rir e me emocionar. Jogamos juntos contra rivais incríveis. Você jogou comigo e aprendi a jogar contigo. Eu vi você mudar. Umas vezes para o bem e, outras, na minha opinião, para o mal. Cada vez que fecho a viseira do capacete sinto seu abraço, sua energia. Não há nada parecido. Mas hoje tenho outros desafios maiores do que você pode me oferecer. Este ano, pilotando no mais alto nível, é como quero lembrar de você. Só posso estar agradecido, a você e às pessoas que estão em volta, por ter me ensinado tantas culturas, costumes e idiomas, pessoas maravilhosas. Por ter sido a minha vida. Sei que você me ama e você também sabe que eu te amo", diz a mensagem no vídeo de Alonso.

No comunicado divulgado pela McLaren, o bicampeão prometeu o máximo empenho nas demais corridas da temporada 2018, sua última na principal categoria do automobilismo.

- Depois de 17 anos maravilhosos neste esporte incrível, é hora de eu fazer uma mudança e seguir em frente. Aproveitei cada minuto dessas temporadas incríveis e não posso agradecer o suficiente às pessoas que contribuíram para torná-las tão especiais. Ainda há vários grandes prêmios para esta temporada, e vou participar deles com mais comprometimento e paixão do que nunca - disse Alonso, que, no entanto, ainda não confirmou o que fará em 2019, se apenas correrá o Mundial de Endurance (WEC) pela Toyota, ou irá para a Fórmula Indy.

CEO da McLaren, Zak Brown lamentou a decisão de Alonso deixar a equipe e a própria Fórmula 1, mas admitiu que o mais importante é respeitar a vontade do espanhol:

- Fernando não é apenas um excelente embaixador da McLaren, mas também da Fórmula 1. Seus 17 anos no esporte, como indiscutivelmente o piloto preeminente de sua geração e, sem dúvida, um dos grandes da F1, adicionaram outra camada à rica história da F1. Há um tempo para todos fazerem uma mudança, e Fernando decidiu que o fim desta temporada será dele. Respeitamos sua decisão, mesmo que acreditemos que ele esteja na melhor forma de sua carreira.

Com o anúncio da despedida de Alonso, dois nomes são os candidatos à sua vaga: o também espanhol Carlos Sainz, que atualmente corre pela Renault mas não ficará na equipe, e o inglês Lando Norris, que já é reserva da McLaren. Titular este ano, Stoffel Vandoorne ainda não sabe se fica ou não no time em 2019.

Vitórias e polêmicas na F1

Alonso estreou na Fórmula 1 em 2001, pela modesta equipe Minardi. No ano seguinte, passou a atuar como piloto de testes da Renault, pela qual passou a competir em 2003. Logo no primeiro ano na equipe, tornou-se o pole position e vencedor mais jovem da história, ao ganhar na Hungria. Em 2005 e 2006 faturou seus dois títulos, acabando com o domínio de Michael Schumacher.

 

O espanhol se transferiu para a McLaren em 2007, mas entrou em rota de colisão com o jovem Lewis Hamilton, acusou o chefe Ron Dennis e o time de favorecer o novato por ser inglês, e ainda denunciou à Federação Internacional de Automobilismo a espionagem da equipe em relação à Ferrari.

 
Sem clima, Alonso voltou para a Renault, que não fez um grande carro. O espanhol só venceu quando foi beneficiado pela manobra da Renault em mandar Nelsinho Piquet bater de propósito em Singapura para favorecer sua estratégia. Depois de um ano apagado em 2009, Alonso se transferiu para a Ferrari, levando um forte patrocínio de um banco espanhol.
 

Alonso teve uma grande chance de vencer o campeonato logo em 2010, mas a Ferrari errou na estratégia na última corrida do ano, em Abu Dhabi, e o espanhol viu o título ir para as mãos de Sebastian Vettel. O bicampeão nunca teve um carro dominante na Ferrari, mas ainda foi vice-campeão em 2012 (perdendo o título na última corrida) e 2013. A equipe italiana não se achou no começo da era dos motores híbridos, em 2014, e Alonso decidiu deixar o time.

Por incrível que pareça, ele voltou para a McLaren, que reeditava uma parceria com a Honda, muito vitoriosa no fim dos anos 1980. Mas o fabricante japonês teve muitos problemas no retorno, e Alonso prova a prova ficava cada vez mais irritado, a ponto de criticar a Honda pelo rádio durante o GP do Japão, casa da montadora. Depois de mais um problema, nos treinos do GP do Brasil no mesmo ano, o espanhol sentou-se numa cadeira e posou como se estivesse tomando sol , em imagem que correu o mundo e rendeu memes na internet.

Depois de mais duas temporadas sem competitividade, a McLaren rompeu com a Honda no fim de 2017 e passou a correr com motores Renault. Mas o carro também não se mostrou competitivo, e, aos 37 anos, Alonso perdeu a paciência de vez.

 

Motivado pelo desafio de vencer a Tríplice Coroa do automobilismo, formada pelo GP de Mônaco (vencido por Alonso em 2006 e 2007), as 500 Milhas de Indianápolis e as 24 Horas de Le Mans, o espanhol mudou o foco de sua carreira. Arriscou correr nas 500 Milhas de Indianápolis em 2017 e chegou a liderar, mas abandonou. E, este ano, apostou as fichas no Mundial de Endurance (WEC), tendo vencido em Le Mans.

Se Alonso já mobilizou o mundo do automobilismo com um grande suspense antes do anúncio desta terça-feira, resta saber agora quais serão os próximos passos de um dos grandes pilotos deste século 21.