Vagas do Fies com risco para bancos privados têm 0,34% de ocupação

Essas vagas se referem ao chamado P-Fies, modalidade que entrou em vigor neste ano.

- Foto: Brunno Suênio/GP1

De um total de 75 mil contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para candidatos com maior renda, disponíveis no primeiro semestre, apenas 256 foram efetivamente assinados.

Essas vagas se referem ao chamado P-Fies, modalidade que entrou em vigor neste ano a partir do novo formato do programa de financiamento estudantil, e são negociadas diretamente pelos candidatos com os bancos, que assumem o risco de uma eventual inadimplência.

A outra modalidade do Fies, custeada pelo governo federal e pelas instituições privadas, é destinada a candidatos com renda mensal por pessoa da família de até três salários mínimos – o P-Fies eleva esse teto para cinco salários.

De acordo com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia do MEC responsável pelo financiamento, já era esperado um "perfil mais conservador" da parte dos bancos. "Como qualquer novo programa, é necessário aguardar um período de adaptação e maturidade tanto da política quanto de quem se beneficia", afirmou em nota.

"O Ministério da Educação participa como um fomentador junto aos agentes financeiros, mas não interfere na concessão do financiamento, pois a análise e o risco do crédito são de responsabilidade deles, processo que abrange desde a definição das condições do financiamento, garantias exigidas, forma de pagamento e vai até a definição da taxa de juros", explicou o FNDE.

Juros zero

Também houve sobra de vagas destinadas aos estudantes de menor renda: dos 80 mil contratos disponíveis com juro zero, 44.518 (55,6%) foram assinados no primeiro dia do semestre. Segundo o FNDE, outros 12.453 candidatos selecionados escolheram iniciar o financiamento apenas no segundo semestre – devido ao calendário de aulas, esses estudantes começaram o curso muito atrasados.

O novo formato do Fies foi motivado pela alta inadimplência do modelo anterior: de acordo com o governo federal, o atraso para quitar o financiamento chegou ao índice de 61% dos estudantes, gerando um "ônus fiscal" da ordem de R$ 32 bilhões em 2016.