Com estiagem, milho safrinha tem quebra de 30%, mais de 4,4 milhões de sacas

A produção do município ao invés de R$ 888 mil toneladas previstas, ficará em 621,6 mil toneladas.

Colheita do milho safrinha tem atrasos e perdas em 2018 - Foto: Canal Rural

A estiagem verificada no período de desenvolvimento do grão, reduziu em 30% a média de produtividade do milho safrinha em Sidrolândia e com isto, aproximadamente 4,440 milhões de sacas deixarão de ser colhidas. Em consequência os produtores deixarão de faturar mais de R$ 142 milhões, tomando como referência a cotação desta semana, R$ 32,00 a saca. A produção do município ao invés de R$ 888 mil toneladas previstas, ficará em 621,6 mil toneladas, 31% menor que em 2017 quando foi de 918 mil toneladas. 

O presidente do Sindicato Rural, Rogério Menezes, para exemplificar o impacto da seca na produção, cita a região do Piqui, onde, numa fazenda de 9 mil hectares, a produtividade ao invés de 103 sacas esperadas, caiu para 50 sacas por hectare, mas em parte da lavoura o resultado foi ainda pior, 16 sacas por hectare.  

O próprio Rogério que na safra passada registrou produtividade acima da média do município (117 sacas), nos primeiros 600 hectares que já foram colhidos em sua propriedade, colheu 95, embora a lavoura seja numa área úmida, teoricamente menos exposta a falta de chuva. 

Presidente do Sindicato Rural, Rogério Menezes em entrevista ao RN. Foto: Marcos Tomé/Região News

Levantamento do Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga MS), mostra que no Estado, 53,3% do milho safrinha já foi colhido, mas na região Norte, supera 84,7%. Segundo a Associação dos Produtores de Soja de MS (Aprosoja/MS) a produtividade estimada para este ciclo é de 68 sacas por hectare. 

Alcinópolis, Coxim e Pedro Gomes saíram na frente e finalizaram a colheita do milho, com produtividade média calculada em 114; 118,6; 108,9 sacas por hectare, respectivamente. Segundo o levantamento da Aprosoja/MS, Costa Rica deve ser o destaque na produtividade, com 124,7 sacas por hectare. 

Na região Sul os municípios com a colheita mais avançada são Itaporã, com mais de 80% da safra colhida, e Naviraí com cerca de 53%. Todos os demais municípios da região estão abaixo de 50%. 

Em comparação aos dados da safra anterior (2016/2017) estima-se até o momento, redução da área plantada em aproximadamente 8,21%, passando de 1,8 milhão para 1,7 de milhão de hectares. No que se refere à produção, a Aprosoja/MS aponta redução de 29,31% diante da expectativa inicial que era de 9,8 milhões de toneladas, como foi na safra 2016/2017. Com o reajuste, a expectativa passa a ser de 6,936 milhões de toneladas. 

Comercialização 

Cerca de 36,30% da safra atual já está negociada, de acordo com dados da Granos Corretora. Ano passado, nesta mesma época do ano o volume era de 31,52%. 

O Estado deve ter uma perda de 29,3% na produção da segunda safra de milho, com o volume caindo de 9,609 milhões de toneladas, da temporada anterior, para 6,794 milhões de toneladas, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (9), pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 

Mesmo com a redução, a Conab aponta que o estado deverá manter neste ciclo a posição de terceiro maior produtor de milho segunda safra do país. Acima estão Mato Grosso, que deverá colher 26,201 milhões de toneladas e o Paraná, com 8,969 milhões de toneladas. Abaixo está Goiás, que deverá produzir neste ciclo 6,521 milhões de toneladas. 

No levantamento, a Conab destaca que as condições climáticas desfavoráveis deste ano causaram perdas de tamanhos diferentes em cada região produtora do estado. No sudeste e leste, por exemplo, a redução chega a 30%, enquanto que no centro norte a aproximadamente 20% frente a temporada passada. 

A companhia destaca que com precipitações abaixo da média histórica nos meses de maio e junho, quando havia uma alta demanda hídrica por parte dos milharais para o embonecamento e enchimento dos grãos, as lavouras acabaram sendo muito afetadas, ficando de um modo geral entre regulares e ruins, com espigas pequenas e grãos fora do padrão. 

Foto: Reprodução/UOL

A exceção foram as áreas plantas mais cedo, que não foram afetadas pela estiagem e aquelas cultivadas em solos mais argilosos e em altitudes mais elevadas, que têm temperaturas mais amenas e onde as precipitações foram mais constantes.