Após 3 horas de julgamento, Lacraia é condenado a 12 anos, mas em 4 meses pode ir para o regime semiaberto

A decisão do conselho sobre a sentença foi emitida por volta das 13 horas, após mais de três horas de julgamento.

Josimar Barbosa Garai foi condenado a 12 anos de prisão, por ter matado a facada Almir Canteiro Lima - Foto: Marcos Tomé/Região News

O Tribunal do Júri condenou Josimar Barbosa Garai a 12 anos de prisão, por ter matado a facada Almir Canteiro Lima em 03 de dezembro de 2016, reagindo a uma ofensa da vítima com quem discutiu num bar. Como Lacraia, apelido do réu, já está preso há um ano e oito meses, dentro de quatro meses, terá cumprido um 1/6 da pena, quando então poderá ter progressão da pena de regime fechado para semiaberto, em que só vai dormir na cadeia ficando em liberdade durante o dia para trabalhar.  

A decisão do conselho sobre a sentença foi emitida por volta das 13 horas, após mais de três horas de julgamento marcado por acalorado embate entre o advogado de defesa, David Olindo e a representante do Ministério Público, Daniele Borghetti Zampieri de Oliveira, que fez a sustentação pela acusação.

  

O debate extrapolou as circunstâncias e motivações que levaram o crime, se transformando numa discussão sobre violência, críticas a Segurança Pública que recai sobre a atuação da classe política (proferidas pela Promotoria) e a postura do Ministério Público e da própria Justiça, pela ótica da defesa. Em defesa da condenação de Lacraia, a promotora criticou a impunidade, que na opinião dela, estaria contribuindo para aumentar a violência e que Lacraia, tirou a vida de outra pessoa por motivação fútil. 

A promotora tentou sensibilizar o corpo de jurados com relatos de violência, principal fator em que até mesmo em Sidrolândia, que há alguns anos era uma cidade pacata, onde as pessoas poderiam circular sem medo, hoje, relata a representante do MP, não tem coragem de repetir comportamentos que adotava quando chegou à cidade em 2011, como sair em companhia das filhas para tomar sorvete, por exemplo, em praça pública. 

David sustentou a tese de que o réu matou a vítima porque Almir Canteiro o ofendeu com palavras de baixo calão. Ele teria cometido o homicídio para defender a honra e dirigindo-se a um dos jurados: "Se alguém lhe chamasse de f.d.p, qual seria sua reação? Aceitaria calmamente e depois iria participar da Festa da Padroeira para comprar um bolo em sua homenagem?”, questiona. 

David Olindo, que já cumpriu cinco mandatos de vereador, não se intimidou e contestou de forma contundente a argumentação da promotora. "A Justiça é feita para pessoas como o Josimar, de pele negra e pobre, que está há 20 meses na cadeia, porque não tem dinheiro para pagar se quer o advogado”, sustenta. 

As discussões acabaram trazendo à tona outros assuntos. Olindo não poupou das críticas a própria promotora; “Se um servidor público sair no horário do expediente para pegar o filho na escola (como a senhora faz) certamente será denunciado pelo Ministério Público”, revela David. 

O advogado de defesa lembrou ainda dos altos salários da magistratura e do Ministério Público, que recebe uma série de benefícios para custear gastos com transporte, saúde, compra de livros e paletós. “Até a Justiça está desacreditada neste País onde impera a ganância e a corrupção”, finaliza.