Área plantada cresce, mas clima afeta milho e produção de MS cai 11%

Levantamento da Conab aponta área plantada 2,3% maior na safra colhida em 2018.

Colheita de milho na região de Dourados; clima é o responsável direto pela queda na produção - Foto: Eliel Oliveira

O clima afetou a produção agrícola de Mato Grosso do Sul na safra 2017/2018. O 12º levantamento da safra divulgado nesta terça-feira (11) pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) aponta queda de 11,6% na produção total de grãos. A redução foi influenciada pelo milho, muito castigado pelas condições climáticas.

Foram colhidas 16,6 milhões de toneladas no somatório de todos os produtos agrícolas cultivados em terras sul-mato-grossenses. Na safra anterior foram 18,8 milhões de toneladas. A queda na produção ocorre devido à produtividade menor na safra atual. A área plantada Em Mato Grosso do Sul cresceu 2,3%, passado de 4,4 milhões de hectares para 4,5 milhões de hectares em 2017/2018. Entretanto, a produtividade foi 13,6% menor, caindo de 4.229 quilos por hectare em 2016/2017 para 3.654 quilos na safra deste ano.

Clima – De acordo com a Conab, em Mato Grosso do Sul as chuvas se regularizaram a partir de outubro. Foram registradas poucas chuvas, atreladas às altas temperaturas, bem acima da normal climatológica. Em dezembro, as condições climáticas foram atípicas, dado ao menor volume de precipitações e temperatura máxima acima da normal.

“A partir do segundo decêndio de dezembro houve a ocorrência de dias nublados, com pancadas de chuvas, em todo o estado, reduzindo a amplitude térmica e a insolação solar direta sobre as culturas. Esse evento perdurou durante janeiro e meados de fevereiro. Em março, as precipitações ficaram abaixo da normal”, afirma o relatório da Conab.

No outono, as precipitações tiveram redução expressiva a partir de abril e em algumas regiões produtoras do estado não choveu nesse mês. Algumas fazendas ficaram sem chuva por até 50 dias.

Já no inverno, MS teve a passagem de frentes frias com a queda da temperatura e geada no sul do estado. “Teve uma grande amplitude térmica entre as temperaturas mínimas e máximas entre julho e agosto”, explica o relatório.

“Teve excesso de umidade no plantio e seca no florescimento. Em algumas áreas teve geada em junho, mas a seca foi maior problema”, afirmou o presidente da Aprosoja/MS Juliano Schmaedecke.

A queda na produção de grãos em MS, apesar de maior, segue uma tendência verificada em todo o Centro-Oeste. A produção total de grãos dos três estados e do Distrito Federal caiu 3%, passando de 103,4 milhões de toneladas na safra 2016/2017 para 100,3 milhões na safra colhida em 2018. A área plantada cresceu 1,6%, mas a produtividade por hectare foi 4,5% menor.

Feijão - Em Mato Grosso do Sul, aproximadamente 26 mil hectares foram semeados com o feijão mais tradicional, com produtividade média de 1.300 kg/ha. Houve baixo índice pluviométrico em determinadas fases de desenvolvimento da cultura, acarretando em condições desfavoráveis à evolução das lavouras.

A produção esperada é de 33,8 mil toneladas, representando diminuição de 20,5% quando comparada aos números da temporada anterior.

Girassol – Outra cultura ameaçada em Mato Grosso do Sul é o girassol. Na safra atual foram cultivados 700 hectares nos municípios do norte e nordeste do estado, área 30% inferior ao cultivado na safra passada. O motivo alegado para a redução da área produtiva é o fato de a cultura ser multiplicadora do mofo branco, com alto potencial de prejuízo à cultura da soja.

O número reduzido de áreas gera outro problema, que é o ataque de pássaros, pragas que acabam reduzindo muito a produtividade devido à baixa concentração das lavouras na região.

Outra alegação se refere ao fato de que não há indústria beneficiadora do girassol em Mato Grosso do Sul e a produção precisa ser levada para São Paulo ou Minas Gerais para empacotamento. A produtividade foi de 1.100 kg por hectare, redução de 26,7% em relação à safra passada.

Trigo – Já o trigo, que disputava espaço com o milho até a década de 80 em Mato Grosso do Sul, apresentou crescimento significativo na safra atual. A área plantada foi de 28 mil hectares, aumento de 40% em relação à safra passada, com produtividade média estimada de 2.200 kg/ha.

As lavouras foram semeadas a partir de maio e os principais municípios triticultores no estado são Aral Moreira, Dourados, Laguna Carapã, Maracaju e Ponta Porã. A produção total foi estimada em 61,6 mil toneladas, aumento de 57,9% em relação à safra do ano passado.

Nacional - A produção brasileira de grãos fecha o ciclo 2017/2018 com 228,3 milhões de toneladas. O número confirma a colheita como a segunda maior do país, atrás apenas da registrada na safra passada. A área manteve-se próxima à estabilidade, com ligeira alta de 1,4%, passando de 60,9 milhões de hectares para 61,7 milhões de hectares.

A soja segue como importante destaque entre as culturas analisadas, apresentando crescimento de área e produtividade. O espaço destinado ao grão nas lavouras cresceu, sobretudo, em áreas destinadas à produção de milho 1ª safra, devido à melhor rentabilidade ao produtor. A oleaginosa registrou produção recorde de 119,3 milhões de toneladas.

Milho puxou queda – Por causa do clima, a semeadura do milho só deslanchou após a segunda quinzena de fevereiro em Mato Grosso do Sul, estendendo até o início de abril, fora do período recomendado pelo zoneamento agropecuário, o qual define o cultivo no máximo até 15 de março.

A área cultivada foi de 1,72 milhão de hectares, 2,3% menor em relação ao ano anterior. Segundo a Conab, a redução de área não foi maior devido à recuperação dos valores do cereal influenciada pela quebra na safra argentina, o que estimulou os produtores a arriscarem a semeadura mesmo fora do período recomendado.

O clima se comportou bem da germinação da cultura até o início de abril, quando ocorreu um veranico com duração de 40 dias na porção sudoeste, sul e sudeste de Mato Grosso do Sul, provocando redução de 30% na produtividade dessas áreas.

Devido aos atrasos em cadeia, a colheita de milho adentrou em setembro. A produtividade caiu de 5.460 quilos por hectare na safra anterior para 3.800 quilos/há nesta safra.

A produção despencou 32%, saindo de 9,6 milhões de toneladas na safra passada para 6,5 milhões na safra atual. Em toda a região Centro-Oeste houve queda 14,6% na produção de milho.

Os preços internos apresentam tendência de recuperação no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Paraná. Na comparação de agosto de 2017 e agosto de 2018, os preços recebidos pelos produtores tiveram incremento médio de 68,6%.

Soja - Na Região Centro-Oeste, principal região produtora do país, a área plantada cresceu 3% em relação ao exercício anterior e a produção foi 7,6% maior que o da safra passada.

Em Mato Grosso do Sul, a área plantada cresceu 5,9% sobre as pastagens, atingindo 2,67 milhões de hectares. A produtividade da soja foi recorde, atingindo a média de 3.593 kg/ha, aumento de 5,7% em relação ao ano anterior. A produção de soja foi de 9,6 milhões de toneladas, aumento de 11,9% em relação aos 8,5 milhões produzidos na safra anterior.

“Um dos fatores que justificam o recorde de produtividade foi o atraso no calendário de semeadura dos produtores, ocasionado pela baixa precipitação de chuvas até a primeira quinzena de outubro, pois esse evento forçou os produtores a realizarem a operação de semeadura dentro do melhor período recomendado para a cultura, pois normalmente os produtores optam por antecipar a semeadura da soja para diminuir os riscos climáticos do milho segunda safra”, afirma a Conab.

Em quatro anos, a produção de soja cresceu 11,9% em MS, passando de 6,1 milhões de toneladas na safra 2013/2014 para 9,6 milhões/t na safra colhida em 2018. A produtividade cresceu 5,7% e a área plantada 5,9%.

Arroz em baixa – Enquanto a área plantada com soja e milho continua crescendo, algumas culturas perdem terreno em Mato Grosso do Sul, como a produção de arroz que está em declínio. Os principais fatores são a necessidade de outorga para uso da água e a baixa remuneração que a cultura tem proporcionado nos últimos anos, o que dificulta o acesso dos produtores ao financiamento agrícola.

Na safra finalizada em 2018, o plantio foi feito de forma escalonada, porém a maior concentração ocorreu em outubro de 2017, onde 60% das áreas foram semeadas, totalizando 14,3 mil hectares, ou seja, 7,7% menor em relação à safra passada, fato ocasionado pelos baixos preços do produto e em alguns casos, dificuldade de regularização ambiental.

A questão climática influenciou negativamente em janeiro devido ao excesso de chuvas e prevalência de dias nublados, o que diminuiu a taxa fotossintética no momento de enchimento dos grãos, além de que algumas áreas foram inundadas pela enchente de rios, principal fator de redução da produtividade em 5% em relação à safra anterior. A média foi de 5.700 kg por hectare.