No depoimento à Polícia, mulher negou aborto e garantiu que ignorava gravidez

Lucilene disse que não se lembra de ter abortado no banheiro do seu local de trabalho.

Lucilene Brites durante julgamento realizado na última terça-feira - Foto: Crislaine Jara/Região News

No depoimento que prestou ao delegado da época, Carlos Eduardo Trevelin, Lucilene Brites garantiu que não sabia que estava grávida embora há seis meses não menstruasse. Atribuiu a interrupção ao anticoncepcional que vinha usando. Disse que não se lembra de ter abortado no banheiro do seu local de trabalho (a Seara) na noite do dia 4 de agosto de 2017, uma segunda-feira.  

Ela contou que no dia do aborto, por volta das 21h30, durante seu turno de trabalho passou mal e foi ao banheiro, quando percebeu a hemorragia vaginal, que imaginou ser menstruação. 

A partir daí seu depoimento foi pouco esclarecedor. Disse não se lembrar de onde a criança nasceu, se estava viva ou não. Conta que desmaiou e se recorda de ter acordado entrando no ônibus no retorno para casa no Quebra Coco, onde seu marido a esperava no ponto. Em casa, prosseguiu no relato, como a hemorragia se mantinha, seu marido a trouxe para ser atendida em Sidrolândia. 

No hospital, o plantonista a questionou sobre uma possível gravidez, mas ela negou, revelando apenas o atraso menstrual. Com base na ultrassonografia o médico percebeu a dilatação do útero e concluiu que a paciente estivera gestante há poucos dias. Diante da suspeita de que a trabalhadora provocara o aborto, o médico comunicou a Delegacia.  

No dia seguinte, 8 de agosto, os policiais iniciaram as investigações e concluíram que de fato Luciene tinha abortado uma criança dentro do banheiro do Frigorífico Seara. Em diligência no distrito de Quebra Coco, interrogaram o marido dela, Gregório Antônio Farias. Ele admitiu ter ajudado a enterrar o feto, encontrado por suas filhas na mochila da mulher que a deixou sobre a cama. No desespero, teria resolvido abrir uma cova de 30 centímetros onde enterrou o corpo.  

Argumentou que na pressa de trazer a mulher para atendimento em Sidrolândia, não teria percebido nada de anormal na mochila. Ele disse que desconhecia a gravidez da esposa. “Ela também não sabia da gravidez. Não teria problema de criar o quarto filho. Desde que soube da gravidez de nossa filha do meio, de 17 anos, todo mês comprava roupa para o enxoval do neto e já tinha até adquirido o guarda roupinha”. 

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