Inflação oficial fica em 0,48% em setembro, diz IBGE

No acumulado em 12 meses, IPCA sobe para 4,53%, ficando acima do centro meta de inflação (4,50%).

Alta dos combustíveis responderam por metade da inflação geral no mês — - Foto: Ricardo Caroba/EPTV

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em 0,48% em setembro, após ter registrado deflação de 0,09% em agosto, segundo divulgou nesta sexta-feira (5) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Este resultado é o maior para um mês de setembro desde 2015, quando o IPCA ficou em 0,54%, e foi puxado pela alta dos preços de transportes e combustíveis.

 

No acumulado nos 9 primeiros meses do ano, a alta é de 3,34%, acima do 1,78% registrado em igual período de 2017.

No acumulado em 12 meses, o índice ficou em 4,53%, acelerando frente aos 4,19% dos 12 meses imediatamente anteriores. É a primeira vez no ano que o IPCA em 12 meses fica acima do centro da meta do Banco Central, que é de 4,5% para o ano, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

O resultado veio acima do esperado pelo mercado, mas não deve pressionar o Banco Central a elevar a taxa básica de juros diante do desemprego elevado e da recuperação econômica lenta. A Selic está na mínima histórica de 6,50%, e a expectativa do mercado é de que termine o ano neste patamar.

IPCA em setembro:

  • Taxa no mês: 0,48%
  • Acumulado no ano: 3,34%
  • Acumulado em 12 meses: 4,53%

 

 

Alta dos combustíveis foi o que mais pesou

A principal pressão no mês de setembro, segundo o IBGE, veio do grupo transportes (1,69%), que respondeu sozinho por 0,31 ponto percentual da inflação de 0,48% no mês. Foi a maior variação mensal do grupo para um mês de setembro desde o início do Plano Real.

O destaque do grupo foram os combustíveis que saíram de uma deflação de 1,86% em agosto para alta de 4,18% em setembro, e 0,24 ponto percentual de impacto no IPCA, ou 50% do índice.

“Ou seja, metade do índice de setembro veio do grupo dos combustíveis. São eles que explicam essa alta”, destacou o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves.

A inflação dos combustíveis foi influenciada pela alta no preço do barril do petróleo, bem como pelo dólar mais alto. O IBGE lembrou ainda que no dia 31 de agosto o diesel nas refinarias foi reajustado em 13% depois de 3 meses de congelamento de preços.

Em 12 meses, a gasolina acumula alta de 19,99%, o etanol, 8,69%, e o diesel, 12,39%.

Ainda entre os transportes, o item passagem aérea teve alta de 16,81%, após a queda de 26,12% registrada em agosto.

IPCA em setembro por setor:

  • Alimentação e Bebidas: 0,10%
  • Habitação: 0,37%
  • Artigos de Residência: 0,11%
  • Vestuário: -0,02%
  • Transportes: 1,69%
  • Saúde e Cuidados Pessoais: 0,28%
  • Despesas Pessoais: 0,38%
  • Educação: 0,24%
  • Comunicação: -0,07%

Preço dos alimentos

O grupo Alimentação e bebidas voltou a registrar alta, após duas quedas mensais consecutivas: -0,12% em julho e -0,34% em agosto. Os destaques de alta foram as frutas (4,42%), o arroz (2,16%) e o pão francês (0,96%). No lado das quedas sobressaíram: cebola (-12,85%), batata-inglesa (-8,11%), leite longa vida (-5,82%), farinha de mandioca (-5,54%) e ovos (-2,15%).

No acumulado em 12 meses, os preços de alimentos e bebidas subiram 2,68%, abaixo da inflação geral.

Além da gasolina, as principais pressões inflacionárias no acumulado em 12 meses vêm, segundo o IBGE, dos itens energia elétrica residencial (20,37%), plano de saúde (12,10%), leite longa vida (25,26%), gás de botijão (10,97%), taxa de água e esgoto (6,53%) e cursos regulares (5,68%). 

 

A previsão dos analistas para a inflação em 2018 subiu de 4,28% para 4,30%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central. Foi a terceira alta seguida do indicador.

O percentual esperado pelo mercado, contudo, continua abaixo da meta de inflação que o Banco Central precisa perseguir neste ano, que é de 4,5% e dentro do intervalo de tolerância previsto pelo sistema – a meta terá sido cumprida pelo BC se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar entre 3% e 6%.

"No início do ano, ficar abaixo do centro da meta parecia claro. Agora estamos num momento de incerteza e de eleição que pressiona os preços. Temos que ver os últimos três meses do ano", disse à Reuters o economista do IBGE Fernando Gonçalves.

Para 2019, os economistas das instituições financeiras elevaram a estimativa de inflação de 4,18% para 4,20%. A meta central do próximo ano é de 4,25%, e o intervalo de tolerância varia de 2,75% a 5,75%.

A taxa básica de juros está na mínima histórica de 6,50%, e a expectativa do mercado é de que termine o ano neste patamar. Para o fim de 2019, a expectativa do mercado financeiro para a Selic continua em 8% ao ano.

Em 2017, a inflação oficial do país ficou em 2,95%, fechando pela primeira vez abaixo do piso da meta fixada pelo governo, que era de 3%. 

 
Inflação por regiões

O pesquisador do IBGE destacou que enquanto em agosto 12 das 16 regiões pesquisadas tiveram deflação, em setembro todas tiveram alta.

O maior índice ficou com Brasília (1,06%), pressionado pela alta de 22,48% nas passagens aéreas e de 7,99% na gasolina. O menor índice (0,06%) ficou com Belém, com destaque para as quedas no açaí (-9,89%) e na farinha de mandioca (-3,03%).

INPC varia 0,30% em setembro

O IBGE também divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), referência para reajustes salariais. O índice teve variação de 0,30% em setembro, após estabilidade em agosto.

O acumulado no ano ficou em 3,14%, acima do 1,24% registrado em igual período do ano passado. Em 12 meses, a alta é de 3,97%, acima dos 3,64% dos 12 meses imediatamente anteriores.