PMs são presos por assalto; corregedoria abre sindicância

Os militares teriam agido com violência, feito as vítimas refém e as agredido.

Corregedoria da PM abriu sindicância para investigar o caso. - - Foto: Bruno Henrique / Correio do Estado

A Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul abriu sindicância nesta segunda-feira para apurar a conduta de dois policiais presos pelo Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil na quinta-feira, em Dourados, por suspeita de envolvimento com roubo a residência. Alan Dyones dos Santos Silva e Douglas Walker Davalo de Oliveira foram alvos de mandado de prisão preventiva. Os militares teriam agido com violência, feito as vítimas refém e as agredido. O caso é investigado em sigilo.

Segundo o coronel Voltaire Flamarion Garcia, corregedor da PM, os policiais foram afastados em razão da prisão, tiveram as armas recolhidas e podem ser submetidos ao Conselho de Sentença que pode decidir até mesmo pela exclusão. "É o seguinte contexto, foi aberta sindicância para apurar se o ato deles ofendeu a honra da PM. Dependendo do resultado deste processo, eles poderão ser encaminhados ao conselho de sentença", afirmou o coronel. 

Em nota, a Polícia Militar alegou que não compactua com o comportamento dos policiais. "Assessoria de Comunicação informa que ele estão detidos no presídio militar estadual desde quinta-feira (11), quando tiveram sua prisão preventiva decretada. De antemão a instituição não compactua com este tipo de conduta e que será aberto procedimento apuratório".

Pelo menos 52 policiais, incluindo civis, militares e rodoviários federais, foram presos só neste ano em mato Grosso do Sul, no âmbito de operações como a Oikéticus, Laços de Família e Népsis, ou mesmo de forma isolada, por ligações com o crime organizado pelo recebimento de propinas para a facilitação de passagem de ilícitos por rodovias e estradas vicinais a partir das regiões de fronteira, especialmente com o Paraguai. 

AS AÇÕES

Durante a Operação Nepsis, realizada pela Polícia Federal em setembro deste ano, 12 policiais foram presos, sendo quatro militares, dois civis e seis rodoviários federais. A organização investigada era especializada no contrabando de cigarros e contava, com a criação de uma sofisticada rede de escoamento de cigarros paraguaios pela fronteira do Mato Grosso do Sul, a qual se estruturava em dois pilares: sistema logístico de características empresariais, com a participação de centenas de pessoas exercendo funções de “gerentes”, batedores, olheiros e motoristas e, ainda, a corrupção de policiais para participação na estrutura criminosa.

Estima-se que, em 2017, os envolvidos tenham sido responsáveis pelo encaminhamento de ao menos 1.200 carretas carregadas com cigarros contrabandeados às regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. 

Pouco tempo depois, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público Estadual, executou a Operação Narco 060, destinada a investigar organização criminosa, tráfico de drogas, associação ao tráfico e corrupção ativa.

Na ocasião, foram cumpridos 25 mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Jardim, Bela Vista e Goiânia (GO). A investigação possibilitou a identificação de dois núcleos criminosos distintos: um estabelecido em Bela Vista e outro em Jardim. Ambos contavam com o auxílio de três policiais militares e um investigador da Polícia Civil, cuja participação era considerada indispensável ao êxito das atividades criminosas.

A Laços de Família, deflagrada pela Polícia Federal em junho deste ano em Naviraí e com 21 pessoas presas, colocou à mostra esquema chefiado por um subtenente da PM lotado em Mundo Novo.

A quadrilha tinha pessoas que atuavam, além de Mato Grosso do Sul, no Paraná,  Goiás e São Paulo. O grupo “puxava” droga do Paraguai por vias terrestres, escondia em propriedades rurais da região Conesul e depois distribuía para todo o País.

Em maio, durante a Operação Oiketicus, as investigações do Gaeco desmontaram organização criminosa integrada por policiais militares que atuavam na facilitação do contrabando de cigarros. Somente nessa ofensiva foram presos 22 policiais militares, entre  praças e oficiais - dois tenentes-coronéis, comandantes de unidades da PM interior do Estado. (Colaborou Thiago Gomes)