Rombo nas contas do governo recua 25% até setembro, para R$ 81,5 bilhões

Arrecadação tem registrado alta neste ano, com volta do crescimento econômico e 'royalties' do petróleo.

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As contas do governo registraram déficit primário de R$ 81,591 bilhões de janeiro a setembro deste ano, informou nesta sexta-feira (26) a Secretaria do Tesouro Nacional.

Isso quer dizer que as despesas superaram as receitas neste valor.

No mesmo período do ano passado, o déficit nas contas públicas havia somado R$ 109,566 bilhões. Com isso, a queda registrada foi de 25,5%.

 

O resultado das contas do governo tem sido influenciado pelo bom comportamento da arrecadação, por conta do retorno do crescimento da economia e pelos "royalties" do petróleo (por conta da alta do preço do produto).

Apesar de deficitário, o desempenho das contas públicas neste período pode ajudar o governo no cumprimento da meta fiscal para este ano, ou seja, do resultado fixado para as contas públicas.

Para 2018, o governo está autorizado a registrar déficit de até R$ 159 bilhões. Esse valor também não inclui os gastos com juros da dívida.

Mês de setembro

Somente em setembro, o Tesouro Nacional informou que as contas do governo registraram déficit primário de R$ 22,979 bilhões.

De acordo com o Tesouro, o rombo fiscal registrou aumento de 0,7% na comparação com setembro do ano passado, quando totalizou R$ 22,822 bilhões.

Previdência Social

O governo também divulgou os números relativos à Previdência Social, sistema público que atende aos trabalhadores do setor privado.

  • em setembro, o rombo da foi de R$ 31,472 bilhões, valor que é 11,8% maior que o resultado negativo registrado no mesmo mês do ano passado (R$ 28,145 bilhões).
  • no acumulado dos nove primeiros meses de 2018, o déficit previdenciário foi de R$ 155,115 bilhões, 9,7% maior que o registrado no mesmo período do ano passado (R$ 141,418 bilhões).
  • para 2018, a expectativa do governo é de um resultado negativo de R$ 202,4 bilhões, contra um resultado negativo de R$ 182,45 bilhões no ano passado.

Por conta dos seguidos déficits bilionários, o governo propôs uma reforma da Previdência, que parou no Congresso em maio do ano passado após o aparecimendo das primeiras denúncias envolvendo o presidente Michel Temer.

Em fevereiro deste ano, o governo tentou retomar a tramitação da proposta, mas acabou desistindo diante da falta de votos. Na mesma época, anunciou a intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro.

Receitas, despesas e investimentos

Em setembro, a chamada “receita líquida” total, ou seja, após as transferências feitas aos estados e municípios, registrou alta, em termos reais, de 3,1%, para R$ 96,660 bilhões. Na parcial do ano, avançou 5,9%, para R$ 896,685 bilhões.

Ao mesmo tempo, as despesas totais registraram um crescimento real de 1,7% em setembro deste ano, para R$ 119,639 bilhões. Nos nove primeiros meses do ano, houve uma alta real de 2,3%, para R$ 982,297 bilhões.

Os investimentos, por sua vez, somaram R$ 31,861 bilhões de janeiro a setembro deste ano. No mesmo período do ano passado, foram R$ 25,447 bilhões.

Concessões, dividendos e subsídios

Segundo o governo, as receitas com concessões tiveram alta de 164% no acumulado de janeiro a setembro, para R$ 13,144 bilhões. No mesmo período do ano passado, somaram R$ 4,962 bilhões.

Ao mesmo tempo, o governo também recolheu mais dividendos (parcelas do lucro) das empresas estatais nos nove primeiros meses de 2018: R$ 6,389 bilhões, ante R$ 4,749 bilhões no mesmo período do ano passado.

No caso do pagamento de subsídios e subvenções, houve queda. De janeiro a setembro deste ano, somaram R$ 12,979 bilhões, contra R$ 18,473 bilhões no mesmo período do ano passado.