Polícia pede à Justiça decretação da prisão preventiva de supostos integrantes de ‘tribunal do PCC’

Lucas Silva Souza, Gabriel Ferreira; Guilherme Mendes Osório e Pablo Roberto dos Santos tiveram a prisão decretada.

Polícia pede à Justiça decretação da prisão preventiva de supostos integrantes de ‘tribunal do PCC’ - Foto: Vanderi Tomé /Região News

O delegado Diego Dantas encaminhou ontem, 29, ao Judiciário, o pedido de decretação da prisão preventiva de Lucas Silva Souza, 23 anos, Gabriel Ferreira dos Santos, 20 anos; Guilherme Mendes Osório, 18 anos e Pablo Roberto dos Santos, 30 anos, que se dizem integrantes de uma organização criminosa que controla a maioria dos presídios.

No domingo, por 8 horas, entre 10 da manhã e 8 da noite, eles mantiveram um rapaz em cativeiro, o agrediram, levaram o seu celular, boné e até a bermuda, o deixando apenas de camiseta e cueca num quarto. A vítima fugiu, quando o integrante do grupo incumbido de vigia-lo cochilou. Pediu a ajuda da namorada, ligou para a Polícia Militar e quando foi encontrado pela guarnição estava em estado de choques, com escoriações por todo o corpo.

Cristofer Mamedes Silva (20 anos) teria sido submetido a julgamento do “tribunal de crimes” do PCC. O grupo teria agido como represália porque na última sexta-feira, Cristofer registrou boletim de ocorrência em que acusa Lucas Silva de ter furtado um violão que pertencia a vítima. Todos têm passagens pela Polícia por tráfico de drogas, furto e assalto à mão armada.

Um deles, Gabriel Ferreira dos Santos, há pouco mais de um mês, dia 27 de setembro, foi condenado pelo juiz substituto Daniel Raymundo a um ano e 8 meses de prisão, pena convertida em serviços comunitários (na proporção de uma hora por dia de condenação). Ele teve assegurado o direito de recorrer da sentença em liberdade. Em favor do réu, pesou o fato de ter sido apreendido na casa ele na Rua Tomas Cáceres uma pequena quantidade de droga (10 porções de maconha, pesando 175 gramas), e 7,3 gramas de cocaína.

Tribunal

Segundo relato de Cristofer Mamedes, quando estava domingo em casa, por volta das 10 horas, Pablo Roberto, conhecido como “Robertinho PCC”, chegou num Siena e o obrigou a entrar no veículo e o levou até uma casa na Rua Humberto de Campos. Chegando lá, foi recebido por Lucas Silva e logo em seguida chegaram os integrantes do grupo para participar do “tribunal do PCC” que decidiriam pela sua execução ou não, como represália por ter denunciado Lucas à Polícia por furto de um violão. Ele foi trancado num dos cômodos da casa onde começou a ser torturado.

Enquanto estava sendo torturado, Cristofer foi alertado de que teria de seguir as leis do PCC e foi interrogado por telefone por membros da organização criminosa presos em outras cidades. Durante as 8 horas de cárcere privado, além de ter sido agredido, ele era constantemente ameaçado por Gabriel Ferreira que estava armado e o obrigou a entregar o celular, o boné e a bermuda.