MDB passará por reestruturação para retomar o poder nas eleições

Partido saiu menor do pleito, perdendo mais da metade da bancada na Assembleia

Júnior Mochi e Márcio Fernandes são dois postulantes a concorrer à prefeitura da Capital - - Foto: VICTOR CHILENO/ALMS

O MDB passará por processo de reestruturação, depois das últimas eleições, para voltar a ser protagonista na política de Mato Grosso do Sul. O partido saiu menor das eleições deste ano. O MDB entrou na campanha eleitoral com bancada de sete deputados estaduais. Só elegeu três para cumprir mandato a partir do próximo ano e a correção de rumo está sendo avaliada para o “partido voltar com força” nas próximas eleições.

O ano não foi feliz para o partido que comandou Mato Grosso do Sul e a Prefeitura de Campo Grande por longo período. O MDB chegou a ser a maior legenda do Estado. Os problemas começaram em 14 de novembro do ano passado, com a primeira prisão de André Puccinelli. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região mandou soltá-lo 24 horas depois. Essa prisão aconteceu a 15 dias do “grande encontro do MDB” para lançamento da pré-candidatura dele à sucessão estadual.

Os pilares do MDB foram novamente abalados com a segunda prisão do seu principal líder, o ex-governador André Puccinelli, em 20 de julho. Ele estava entre os favoritos na corrida para governo do Estado, mas o seu plano eleitoral foi interrompido abruptamente às vésperas da convenção partidária para homologação de sua candidatura. A prisão deixou o partido atordoado e sem muito o que fazer para concorrer às eleições.

Às pressas, o partido apresentou a senadora Simone Tebet para disputar ao governo depois de visitar o ex-governador na prisão. André fez apelo à senadora para não deixar o MDB sem candidatura à sucessão estadual. Ela aceitou o desafio e dias, depois da convenção, renunciou e o partido sofreu outro abalo. A solução foi colocar o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Júnior Mochi, que estava pronto para disputar à reeleição.

Em 20 dias, o MDB ficou sem rumo com a indefinição de candidatura a governador. Isso prejudicou o partido. Chegou-se a cogitar a apoiar o procurador de Justiça Sérgio Harfouche, vice de Simone, para encabeçar a chapa. A cúpula partidária não aceitou a ideia por considerar importante, no momento de crise, apostar em outro nome da legenda. Mochi foi escolhido e Harfouche alçou voo solo concorrendo ao Senado, pelo PSC.

Harfouche acabou surpreendendo nas urnas, sendo mais votado em Campo Grande, com 163.314 votos. E, na contagem geral, Harfouche ficou em sexto lugar com 292.301 votos, tendo vantagem de 1.758 votos sobre o deputado federal e ex-governador José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, até então um dos favoritos para ficar com a segunda vaga de senador. Zeca acabou sendo atropelado no dia das eleições por Marcelo Miglioli (PSDB), Waldemir Moka (MDB), Soraya Thronicke (PSL) e Nelsinho Trad (PTB). Os dois últimos foram eleitos senadores.

Enquanto os adversários estavam com candidaturas para governador construídas há meses, Mochi entrou na disputa começando do zero. E, mesmo assim, recebeu 150.115 votos, representando 11,61%, ficando em terceiro lugar na corrida eleitoral.

Mochi não se considera derrotado pelas circunstâncias dos problemas do partido. Os mais de 150 mil votos, no entanto, transformaram-se em capital político e eleitoral do presidente da Assembleia Legislativa. Com essa votação, ele já pensa nas próximas eleições e não está em seus planos candidatura a deputado estadual. Mochi acha que já cumpriu a sua missão em três mandatos (12 anos), sendo dois (quatro anos) como presidente do Poder Legislativo.