Defesa negocia apresentação de homem que tentou matar esposa por ciúmes

O advogado José Rodrigues da Rosa alega que o homem teria agido por impulso depois de flagrar suposta traição pelo celular da vítima.

Advogado durante coletiva de imprensa na manhã de hoje. - - Foto: Bruno Henrique / Correio do Estado

A defesa do sul-mato-grossense Hugleice da Silva, de 35 anos, foragido depois de esfaquear a mulher Mayara Barbosa, na manhã de ontem, em Rondonópolis (MT), negocia apresentação com as autoridades locais, para que ele não fique preso.

O advogado José Rodrigues da Rosa alega que o homem teria agido por impulso depois de flagrar suposta traição pelo celular da vítima. Ele responde outro processo por envolvimento em caso de aborto que terminou na morte da cunhada, que é irmã da esposa dele.

Durante coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira, José afirmou que foi contactado ainda ontem pelo cliente e que neste momento o homem está na casa de familiares, fora do Mato Grosso. "Nossa equipe está em contato com o delegado responsável pelo caso em Rondonópolis, para negociar apresentação e, caso já haja pedido de prisão preventiva, vamos entrar com recurso de habeas corpus", explicou.

O CASO

Em 2011, Hugleice se viu acusado de participar da ocultação de cadáver da cunhada Marielly Barbosa Rodrigues, 19, que teve o corpo enterrado após morrer em um aborto mal sucedido, em Sidrolândia. Ele chegou a ficar preso por 45 dias, mas teve a prisão preventiva revogada.

Mudou-se para o Mato Grosso e, mesmo depois de todas as suspeitas, manteve o casamento com Mayara, irmã de Marielly. "A família acredita que ele não tinha caso extraconjugal com a cunhada, como noticiado na época,  e que apenas teria levado ela para o aborto em Sidrolândia. Tanto que não há uma peça sequer no processo que aponta para relacionamento deste dele com a cunhada", alegou o advogado.

Ontem pela manhã, Hugleice teria encontrado troca de mensagens íntimas de Mayara com outro homem, motivo pelo qual, segundo a defesa, ele teria se enfurecido e a esfaqueado no pescoço. Testemunhas alegaram que ele chegou a amarrá-la, mas a defesa nega. "Ao que tudo indica, ele teria reagido de forma violenta, depois de descobrir a traição da esposa, que até então era seu porto seguro", explicou.

O delegado alega que as mensagens foram "printadas" e serão entregues à autoridade policial. Questionado sobre as consequências sociais de uma eventual liberação do homem que esfaqueou a mulher, tendo em vista o combate incisivo contra a violência doméstica, o advogado disse que não há como prever reações. 

"Como advogado, tenho que fazer meu trabalho, mas como cidadão, entendo que ele agiu da pior forma possível. Mas a gente tem que entender que cada pessoa reage de um jeito", explicou José, ressaltando não esperar que após o caso Marielly, Mayara continuasse com o relacionamento. "A gente foi pego de surpresa".

REPERCUSSÃO NACIONAL

Sete anos atrás, Marielly Rodrigues morreu durante um aborto malsucedido, que, segundo relatos de Hugleice e provas da investigação, foi feito por Jodimar Ximenez Gomes, na casa dele, em Sidrolândia. A morte aconteceu no dia 21 de maio, data em que ela foi vista pela última vez pela mãe, que mobilizou parentes, amigos, vizinhos, políticos e a opinião pública para encontrar a filha.

O corpo da universitária foi encontrado em 11 de junho em um matagal de Sidrolândia, em estado de decomposição. Em julho foi decretada a prisão de Hugleice, que até então negava qualquer envolvimento com o caso, e de Gomes, que continua a alegar inocência.

Silva relatou ainda que enquanto esperava a jovem, o enfermeiro contou sobre a morte e então os dois colocaram o corpo da jovem na caminhonete dele e o deixaram no matagal. A Justiça concedeu liberdade a Hugleice ainda em setembro daquele ano. Ambos ainda aguardam o julgamento do caso.