Petróleo nos EUA desaba quase 8% apesar de conversas sobre cortes pela Opep

Preços registraram o menor nível em mais de um ano, registrando sete semanas consecutivas de perdas.

Sondas de petróleo perto de Sweetwater, no Texas - Foto: Reuters

BOSTON — Os preços do petróleo nos Estados Unidos caíram quase 8% nesta sexta-feira, ao menor nível em mais de um ano, registrando a sétima perda semanal consecutiva em meio a receios de um excesso de oferta, apesar de nações produtoras considerarem cortes na produção. A oferta de petróleo, liderada pelos produtores americanos, está crescendo mais rapidamente do que a demanda, e para evitar o acúmulo de combustível, como o que aconteceu em 2015, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) deve começar a reduzir a produção após uma reunião prevista para 6 de dezembro.

Mas isso não fez muito até agora para dar suporte aos preços. O valor do barril de petróleo caiu mais de 20% até agora em novembro, em um período de sete semanas de perdas. O petróleo está a caminho da maior queda mensal desde o final de 2014.

— O mercado está precificando a desaceleração econômica — eles estão antecipando que as negociações comerciais com a China não vão ser boas — disse Phil Flynn, analista na Price Futures Group, referindo-se ao esperado encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, durante a cúpula do G20 em Buenos Aires, na próxima semana. — O mercado não acredita que a Opep vai ser ágil o suficiente para compensar a queda da demanda.

Os futuros do petróleo Brent LCOc1 perderam US$ 3,80, ou 6,1%, chegando a US$ 58,80 por barril. Durante a sessão, a referência tocou US$ 58,41, sua mínima desde outubro de 2017. Já o preço do petróleo dos EUA (WTI) CLc1 recuou US$ 4,21 (7,7%), para US$ 50,42 o barril, também sua mínima desde outubro do ano passado. Em negociações pós-fechamento, o contrato estendeu as perdas. Na semana, o Brent teve um declínio de 11,3%, enquanto o WTI perdeu 10,8%o, a maior queda semanal desde janeiro de 2016.

A produção de petróleo subiu este ano. A Agência Internacional de Energia espera que apenas a produção de países não integrantes da Opep aumente 2,3 milhões de barris por dia (bpd) em 2018. A demanda por petróleo no próximo ano, por sua vez, deverá crescer 1,3 milhão de barris por dia.

Com o ajuste para reduzir a demanda, a Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, disse na quinta-feira que pode reduzir a oferta, uma vez que pressiona a Opep a concordar com um corte conjunto de 1,4 milhão de barris por dia.

Se a Opep concordar em cortar a produção em sua reunião no próximo mês, os preços do petróleo poderão se recuperar drasticamente, dizem os analistas.