Ferrari voa nas retas, Mercedes é a melhor nas curvas de alta, e RBR, nas de média e baixa

Levantamento feito pela F1 mostra as diferenças entre os carros das principais equipes em 2018.

Vettel à frente de Hamilton em Sochi: alemão foi superado rapidamente - Foto: Getty Images

A Fórmula 1 divulgou um levantamento feito durante todas as 21 corridas temporada 2018 sobre as diferenças de velocidades atingidas pelos carros das dez equipes nas retas, nas curvas de alta, média e baixa velocidade. Nos dados de telemetria aferidos em treinos e corridas de todos os circuitos do calendário, fica patente o fato de que a Ferrari se mostrou bem superior à pentacampeã Mercedes nas retas e um pouco melhor nas curvas de baixa, mas foi bem inferior nos trechos de média velocidade - nas curvas de alta, a diferença foi desprezível, de apenas 0,01%. 

Diante desses números, se forem comparadas a diferença esmagadora de 161 pontos de Lewis Hamilton sobre o companheiro de equipe Valtteri Bottas com a vantagem bem menor de 69 pontos de Sebastian Vettel sobre Kimi Raikkonen, é possível concluir como o novo pentacampeão mundial fez a diferença ao longo da temporada. 

Já a RBR apresentou um conjunto mais eficiente nas curvas de média velocidade e bem superior aos de Mercedes e Ferrari nas curvas de baixa. Por outro lado, nas retas o carro da terceira colocada no Mundial de Construtores foi 1,01% mais lento do que o da Ferrari, e foi mais lento até do que o da Force India. 

Duas questões podem ser interpretadas: o modelo RB14 desenhado por Adrian Newey foi o mais equilibrado e de maior pressão aerodinâmica, e o motor Renault não empurrou o suficiente como cansou de reclamar a equipe. Só que o número de pistas de média/baixa é inferior aos de alta velocidade no calendário. 

Na ponta de baixo, chama a atenção como o carro da Williams, o pior do grid, nem era dos mais lentos nas retas e curvas de alta, mas se mostrou muito pior do que todos os demais nas curvas de média e baixa. Isso só comprova o quão desastroso foi o projeto do modelo FW41 e a tradicional equipe inglesa terá de remar muito para se recuperar em 2019. 

Ferrari mais veloz nas retas 

Os avanços na unidade de potência da Ferrari foram comprovados no desempenho dos carros de Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen nas retas. O modelo SF71H foi 0s2% mais eficiente do que a Mercedes W09 na aferição feita no fim das retas dos 21 circuitos. Dos demais times, apenas a Force India (diferença de 0,92%) ficou dentro da casa de 1%. Todas os dez carros ficaram separados por apenas 2,5%, na menor diferença verificada nos quatro levantamentos feitos pela F1. 

Curvas de alta: Mercedes lidera por pouco 

A batalha entre os carros de Mercedes e Ferrari ao longo de toda a temporada teve o maior equilíbrio no levantamento do desempenho nas curvas de alta velocidade. Apenas 0,01% separou os dois conjuntos. Mesmo sem ter uma unidade de potência no mesmo nível das rivais, a RBR teve um desempenho apenas 0,1% pior, o que só comprova a eficiência do modelo RB14. Chama a atenção que o quarto carro mais rápido nas curvas de alta, o da Haas, já foi 1,94% menos eficaz do que o da Mercedes. Isso reforça o quão os carros trio Mercedes/Ferrari/RBR foram superiores nesse aspecto. 

RBR sobra nas curvas de média e de baixa 

Nas curvas de média velocidade, o carro da RBR teve uma importante vantagem de 0,21% sobre o conjunto campeão da Mercedes. Mas salta aos olhos a inferioridade da Ferrari em relação às duas nesse aspecto: 0,71%. Ainda mais gritante é a supremacia do trio sobre os outros sete times. O carro da Haas, o quarto mais veloz nas curvas de média, foi 2,65% pior do que o da RBR. Já o da lanterna Williams foi 4,27% inferior. 

A RBR também se mostrou melhor - neste caso, bem melhor - nas curvas de baixa velocidade. A diferença sobre Ferrari e Mercedes é de 0,7%, enquanto a quarta colocada na estatística, a Renault, teve um carro 2,31% mais lento nas curvas de velocidade inferior. Curioso é notar que da Renault até a nona colocada Sauber, a diferença é de menos de 1%. Quem destoa de novo é a Williams, outra vez mais de 4% acima do carro mais veloz. 

Trio de ferro arrasa rivais nas estatísticas 

O desempenho dos carros teve reflexo direto nas estatísticas gerais da temporada. O trio Mercedes/Ferrari/RBR dominou praticamente todos os quesitos, liderando todas as voltas do campeonato e conquistando todas as poles e vitórias. Apenas dois pilotos das outras sete equipes foram intrusos nas estatísticas. 

No Azerbaijão, Sergio Pérez conquistou o terceiro lugar e o único pódio fora do "Trio de Ferro" - vale lembrar que Max Verstappen e Daniel Ricciardo, da RBR, se chocaram e abandonaram, enquanto Valtteri Bottas teve um pneu furado quando liderava. 

Já em Singapura, Kevin Magnussen conseguiu a volta mais rápida com o carro da Haas. Mas vale apontar que o dinamarquês foi o único a fazer uma troca de pneus já no fim da corrida e colocou compostos hipermacios novos, o que lhe deu uma grande vantagem de aderência. 

ESTATÍSTICAS DAS EQUIPES DA F1 EM 2018 

ESTATÍSTICAS 

POLES 

VITÓRIAS 

MELHORES VOLTAS 

PÓDIOS 

VOLTAS NA PONTA 

PONTOS 

MERCEDES 

13 

11 

10 

25 

542 

655 

FERRARI 

6 

6 

4 

24 

437 

571 

RBR 

2 

4 

6 

13 

285 

419 

RENAULT 

0 

0 

0 

0 

0 

122 

HAAS 

0 

0 

1 

0 

0 

93 

McLAREN 

0 

0 

0 

0 

0 

62 

FORCE INDIA 

0 

0 

0 

0 (1)* 

0 

52 (59)** 

SAUBER 

0 

0 

0 

0 

0 

48 

STR 

0 

0 

0 

0 

0 

33 

WILLIAMS 

0 

0 

0 

0 

0 

7 

*antes da venda e mudança de inscrição que resultaram na desclassificação do Mundial de Construtores, a Force India havia obtido um pódio com Sergio Pérez no Azerbaijão. 

**A Force India havia somado 59 pontos até o GP da Hungria, o último antes da venda. 

Desde 2013, só Trio de Ferro 

Você lembra quando foi a última vitória de um carro sem ser do trio Mercedes/Ferrari/RBR? Já faz tempo... No GP da Austrália, que abriu a temporada de 2013, Kimi Raikkonen conquistou a vitória com a Lotus-Renault. Desde então, só pilotos das três equipes mais ricas da categoria vencem na F1, ou seja, nada de "zebra" na era dos motores turbo-híbridos, desde 2014. 

Diante disso, a iniciativa dos novos donos da Fórmula 1 em refazer o regulamento e equilibrar o orçamento entre as equipes só ganha mais argumentos. Vejamos então o que a temporada de 2019 vai reservar às dez equipes da principal categoria do automobilismo.