Início da NBA tem LeBron showtime, favoritos em baixa e grego sendo fenômeno

Primeiro quarto de temporada tem Clippers e Grizzlies roubando a cena.

Tobias Harris tenta cesta com marcação de Marc Gasol - Foto: Reuters

Parece que começou ontem, mas lá se vão 45 dias de andamento da temporada 2018/19 da NBA. O primeiro quarto do campeonato passou voando e muita coisa aconteceu. A disputada Conferência Oeste tem briga intensa por um lugar na zona de classificação para os playoffs, com dois times que nem estiveram na última pós-temporada como principais surpresas: Clippers e Grizzlies. Raptors e Bucks tomam conta do Leste, dominado por tantos anos pelos Cavaliers. 

Por falar em Cleveland, a franquia vive angustiante calvário sem LeBron James, que por enquanto vai dando conta do recado em relação ao desafio de levar os Lakers aos playoffs. Teve ainda briga e turbulência nos Warriors, decepções de Rockets, Celtics e Jazz, calouro europeu brilhando e movimentações importantes no mercado... Não conseguiu acompanhar tudo? Não se preocupe! O SporTV.com faz um balanço do que de melhor aconteceu até aqui. 

Conferência Oeste mais selvagem do que nunca 

Conhecida por disputas frenéticas entre as franquias por um lugar ao sol dos playoffs, a Conferência Oeste mantém sua marca registrada este ano. No entanto, um componente salta aos olhos: as surpreendentes campanhas de Los Angeles Clippers (líder) e Memphis Grizzlies (5º colocado que até o último sábado também brigava pela liderança). Sem falar no Sacramento Kings, que até aqui faz uma temporada vencedora ocupando a oitava posição, algo que não acontece desde 2006. Emboladíssima, a Conferência tem seis equipes fora do "G-8" e com chances reais de chegarem aos playoffs. 

Os Clippers têm um desempenho de 13 vitórias e seis derrotas. Um dos segredos do time até aqui tem sido o eficiente banco de reservas. Até esta quarta-feira, os suplentes do time californiano têm contribuído com 55.9 pontos de média por jogo, muito por causa do brilhantismo do armador Lou Williams. A equipe liderada por Tobias Harris conta também com temporada reveladora do ala-pivô Montrezl Harrell, que tem médias de 15.9 pontos e 7.2 rebotes. 

Os Grizzlies, por sua vez, fazem uma boa temporada, na contramão da febre ofensiva que reina na NBA atualmente. É o time que tem o ritmo mais lento (nº de posses de bola) da liga, o ataque menos produtivo (103.6), mas em contrapartida, Marc Gasol lidera uma defesa implacável, a terceira mais eficiente. 

Briga ferrenha pelo topo do Leste; Magic surpreendente 

Com a chegada do ala Kawhi Leonard, o Toronto Raptors parece ter se estabelecido como força na linha de frente da Conferência Leste. A chegada de Danny Green como bom contribuidor na defesa e nos arremessos para três pontos, o ótimo rendimento de Kyle Lowry e a evolução do ala-pivô Pascal Siakam são outros fatores que explicam a liderança na Conferência. Relembre no vídeo abaixo como foi a estreia de Kawhi pelos Raptors. 

Já o Milwaukee Bucks, que conta com uma temporada de MVP de Giannis Antetokounmpo, vem logo atrás dos Raptors. Além do astro grego mostrar em quadra que quer ser o melhor da temporada, o time conta também com uma ótima seleção de arremessos, algo que o técnico Mike Budenholzer sempre valorizou. Os Bucks são o time que mais converte arremessos de três pontos (14.6 por partida). 

Ainda no Leste, vale destacar também a surpreendente temporada do Orlando Magic, que tem o pivô Nikola Vucevic desempenhando o melhor basquete de sua carreira, com médias de 20.8 pontos, 11.3 rebotes, 1.1 roubos de bola e 1.0 toco por jogo. É o sexto jogador mais eficiente da NBA. Com um basquete arrojado e jovem, a equipe da Flórida não tomou conhecimento dos Lakers de LeBron, vencendo os dois confrontos entre as equipes na temporada. 

LeBron sendo LeBron em sua 16ª temporada 

O início da caminhada de King James com a camisa dos Lakers não foi o dos sonhos. Foi com derrota para os Blazers, no Oregon. Apesar de marcar 26 pontos, pegar 12 rebotes e produzir seis assistências, o Rei saiu de quadra derrotado. Só que pouco menos de um mês depois, em novembro, LeBron vingou o revés em grande estilo. Atuação de 44 pontos para ultrapassar a lenda Wilt Chamberlain na lista de maiores cestinhas da NBA, se tornando o 5º no panteão. 

E o que dizer dos 51 pontos contra o Miami Heat? Na noite de gala na Flórida, The King se tornou o quinto jogador na história da NBA a ter pelo menos um jogo de 50 pontos por pelo menos 3 times diferentes. Foi também o primeiro jogador dos Lakers a pontuar na casa dos 50 pontos desde a despedida de Kobe Bryant, em 2016. 

Ficou reservado também para o primeiro quarto da temporada o reencontro de LeBron com o Cleveland Cavaliers. O astro foi cestinha com 32 pontos na vitória dos Lakers, recebeu homenagem no telão e saiu de quadra ovacionado pela torcida de Ohio. 

Rockets, Celtics e Jazz: as decepções 

Finalistas de Conferência na temporada passada, forçando Warriors e Cavaliers até o Jogo 7, Rockets e Celtics estavam entre os principais candidatos ao título em praticamente todas as análises antes do início do campeonato (inclusive na nossa 😬) . Porém, desde que a bola subiu, os dois times não têm correspondido as previsões. 

As perdas de Trevor Ariza e Luc Mbah a Moute parecem ter pesado mais do que o esperado em Houston. Reforços como Carmelo Anthony - já fora dos planos -, James Ennis e Michael Carter-Williams não tiveram encaixe imediato e o rendimento caiu vertiginosamente. Mesmo com James Harden cestinha da NBA, com médias de 31 pontos por partida, os Rockets perderam 11 dos primeiros 20 jogos e estão na vice-lanterna do Oeste. 

Nos Celtics, a situação também não é das melhores. Mesmo com os retornos de Kyrie Irving - fora de 40% dos jogos da última temporada - e Gordon Hayward, que não jogou o ano todo por conta de grave lesão, o time não tem conseguido render. O ataque comandado por Kyrie deixa a desejar até aqui e Hayward ainda sofre com limitações físicas. Para piorar, destaques da última campanha caíram de rendimento, como Jayson Tatum, Jaylen Brown e Terry Rozier. Resultado: 10 derrotas nos primeiros 21 jogos e apenas a sétima colocação do Leste. 

Outros times também estão bem abaixo das expectativas. É o caso do Utah Jazz, que após surpreender e alcançar a segunda rodada dos playoffs na temporada passada, é apenas o 13º da Conferência Oeste, com campanha de 10-12. Problemas também para o Washington Wizards, que mesmo com elenco repleto de talentos, não se entende em quadra e está em 9º no Leste (8-13), fora da zona de classificação. 

A primeira crise na dinastia dos Warriors 

Após um começo arrasador em que triunfou em dez das onze vezes que entrou em quadra, o Golden State Warriors saiu do "mundo de conto de fadas". Stephen Curry, grande cérebro e espinha dorsal do estilo de jogo arrasador da equipe, se lesionou e virou desfalque em alguns jogos. As rusgas entre Draymond Green e Kevin Durant acabaram sendo a senha para uma pane no rendimento do time, que chegou a perder 4 jogos seguidos, sequência negativa que não acontecia desde março de 2013. 

Sem Curry, o time perdeu a capacidade de se manter fiel ao seu próspero estilo de jogo. Muita movimentação, bom espaçamento, pick and roll com inteligência e valorização do coletivo passaram a ser fatores constantemente apontados como ausentes pelo técnico Steve Kerr, que chegou a dizer que o momento foi o pior dos Warriors desde que assumiu o time, em 2014. 

O calvário dos Cavs sem LeBron 

O fim do casamento do Cleveland Cavaliers com LeBron James não deixou pedra sobre pedra em Ohio. Rotina cercada de drama para a franquia, que ao perder os seis primeiros jogos, registrou o seu pior início de temporada desde 1995/96. O começo aos trancos e barrancos também foi o pior da história entre equipes que estiveram na final da NBA na temporada anterior. Em meio aos péssimos resultados, vários problemas extra-quadra marcam a nova fase do time sem o melhor jogador do planeta. Brigas, lesões e ingresso desvalorizado resumem o primeiro quarto de temporada do Cleveland pós-LeBron. A equipe tem o segundo pior desempenho da NBA, atrás apenas do Phoenix Suns. 

A animada corrida pelo MVP 

Os primeiros 45 dias da temporada colocaram na vitrine alguns postulantes ao prêmio de melhor da temporada. Entre os concorrentes, figurinhas carimbadas como LeBron James, James Harden, Stephen Curry, Anthony Davis e Giannis Antetokounmpo. 

Joel Embiid, finalmente sem restrições médicas, desponta como um dos favoritos por ser a âncora ofensiva do Philadelphia 76ers, time que com Jimmy Butler é franco favorito a melhor equipe do Leste ao fim da temporada regular. Kemba Walker, que faz a melhor temporada da carreira, corre por fora na disputa. O armador começou fervendo e chamou atenção ao anotar 60 pontos na derrota para os 76ers no dia 17 de novembro. Confira os números das feras na temporada. 

Quem está na briga pelo prêmio de MVP da temporada? 

Jogador 

Números na temporada 

Giannis Antetokounmpo (Bucks) 

26.8 pontos, 13.0 rebotes, 5.9 assistências, 1.3 tocos 

LeBron James (Lakers) 

27.6 pontos, 7.9 rebotes, 6.7 assistências, 1.4 roubadas 

James Harden (Rockets) 

31.5 pontos, 5.3 rebotes, 8.2 assistências, 2.3 roubadas 

Joel Embiid (76ers) 

28.1 pontos, 13.3 rebotes, 3.5 assistências, 2.0 tocos 

Stephen Curry (Warriors) 

29.5 pontos, 5.0 rebotes, 6.1 assistências, 49% 3PT 

Anthony Davis (Pelicans) 

27.0 pontos, 12.8 rebotes, 1.6 roubadas, 2.7 tocos 

Kemba Walker (Hornets) 

27.9 pontos, 4.3 rebotes, 6.5 assistências, 1.2 roubadas 

Kawhi Leonard (Raptors) 

24.3 pontos, 8.6 rebotes, 3.1 assistências, 1.8 roubadas 

Fonte: NBA.com 

Bem-vindos! 

Mesmo com a temporada ainda no início, o mercado já se agitou logo nas primeiras semanas. A principal movimentação foi a troca de Jimmy Butler. Descontente em Minnesota, o armador foi mandado pelos Timberwolves para os 76ers. Como retorno, os Wolves receberam Dario Saric e Robert Covington. Mudança que fez bem para todos até aqui. 

Butler caiu muito bem nos Sixers. Uma das dificuldades apresentadas pelo jovem e talentoso elenco vinha sendo os momentos de decisão. Algo que Butler sabe fazer como poucos na NBA. Em duas semanas, o armador já garantiu duas viórias com cestas no segundo final e vem sendo o segundo cestinha da equipe em quartos períodos, colado em Joel Embiid. 

Os Wolves também parecem satisfeitos com Saric e Covington. Após vencer apenas quatro dos primeiros 13 jogos na temporada, o Minnesota embalou com a saída de Jimmy Butler e ganhou sete dos últimos nove jogos. 

Outra mudança de ares positiva foi a de Tyson Chandler. Dispensado pelo Phoenix Suns, o veterano de 36 anos não ficou nem um dia desempregado. Foi rapidamente acolhido pelos Lakers de LeBron, que desde a chegada do pivô venceu sete de 10 partidas e teve a sexta defesa mais eficiente da liga. 

Olho no Luka 

Para quem estava receoso se Luka Doncic conseguiria repetir o sucesso da Europa na NBA, bastou um quarto de temporada para a resposta. O fenômeno esloveno de 19 anos dos Mavericks já nomes do ano. Favorito disparado ao prêmio de melhor calouro, Doncic o Dallas em minutos por jogo (33,7), pontos (19,1), além de ser o segundo da equipe em rebotes (6,5) e assistências (4,2). Com o bom rendimento do novato, os Mavs deixaram a parte mais baixa da tabela do Oeste e figuram na zona dos playoffs com campanha de 10-9. 

O grande sucesso de Doncic acaba ofuscando um pouco bons inícios de outros novatos. Primeira escolha do último Draft, Deandre Ayton vem tendo atuações sólidas nos Suns (17 pontos por jogo), assim com Jaren Jackson Jr, quarta escolha e titular no surpreendente Grizzlies (12,7 pontos e 2,1 tocos por partida). Envolvido na troca dos Hawks com os Mavs por Doncic, o baixinho Trae Young também vem mostrando futuro promissor. Apesar de ainda inconsistente, lidera a classe de calouros em assistências (7,8 por jogo) e tem média de 18,8 pontos. 

Carmelo e Rose: caminhos opostos 

O início de temporada também apresentou dois veteranos em caminhos opostos. Ambos iniciaram o campeonato em busca de recomeço. Porém, apenas um deles encontrou a direção. Estamos falando de Derrick Rose e Carmelo Anthony. 

Um ano após passagem apagada pelos Cavaliers, quando chegou a cogitar a aposentadoria por conta das seguidas lesões, D-Rose renasceu. Sob comando do velho conhecido Tim Tibodeau, o MVP de 2011 virou a grande arma do banco dos Timberwolves. A média de 19 pontos por partida é a maior desde 2012, quando sofreu a primeira grave lesão no joelho. Aos 30 anos, o armador ainda viveu noite mágica em outubro, quando anotou 50 pontos - recorde pessoal - e comandou vitória dos Wolves sobre o Jazz. 

Na direção oposta, está Carmelo Anthony. Trocado pelo Thunder ao fim da última temporada e dispensado pelos Hawks, o veterano de 34 anos se juntou a James Harden e Chris Paul nos Rockets em busca do primeiro título. O sonho, porém, durou apenas 10 partidas. Com média de 13,4 pontos - mais baixa da carreira - e aproveitamento de apenas 40% nos arremessos, Melo não rendeu o esperado e foi afastado pelos Rockets, que ainda não decidiram o que fazer com o contrato. A última partida disputada por ele foi no dia 8 de novembro. 

Lesões chocantes 

Como em todo esporte de contato, lesões fazem parte do universo do basquete. Algumas vezes, são bem feias e chamam a atenção. Neste início de temporada, a mais marcante foi sofrida por Caris LeVert, do Brooklyn Nets. No dia 12 de novembro, em partida contra os Timberwolves, o armador caiu de mau jeito em disputa de bola no garrafão e deslocou o pé. De maneira surpreendente, LeVert não teve fraturas e pode conseguir voltar a jogar ainda nesta temporada. 

Outra imagem marcante foi da queda do calouro do Thunder, Hamidou Diallo. Também em uma disputa de bola no garrafão, o armador dobrou fortemente a perna e precisou deixar a quadra em uma maca. Assim como no caso de Caris LeVert, o diagnóstico foi o melhor possível. Sem fraturas ou danos estruturais de ligamentos no tornozelo e no joelho, Diallo pode voltar a jogar ainda este ano.