Supostos membros do PCC ameaçam e agridem adolescente que os delatou

Os policiais se deslocaram até o local, após receber denúncia anônima de que uma jovem estaria sendo mantida em cárcere numa casa abandonada.

Supostos membros do PCC, ameaçam e agridem adolescente que os delatou - Foto: Vanderi Tomé/Região News

Uma adolescente de 13 anos, que diz estar grávida, foi alvo de retaliação depois de ser submetida a um simulacro de julgamento promovido por supostos membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), organização criminosa que controla a maioria dos presídios e que também tem ramificações em Sidrolândia.

Levada para uma casa abandonada na Rua Azoaldo Lopes Barbosa, 1.235, Jardim Paraíso, foi agredida e ameaçada de morte caso viesse e denunciar os quatro agressores, entre eles uma mulher conhecida como Cássia, enquanto os demais, seriam Rodrigo, Manoel e Vitinho.

Os policiais se deslocaram até o local, após receber denúncia anônima de que uma jovem estaria sendo mantida em cárcere nesta casa abandonada. Chegando lá, a guarnição encontrou numa das peças, a garota caída no chão, com a roupa rasgada, um grande edema no olho esquerdo, escoriações por todo o corpo, além de se queixar de dores na barriga. Como no momento, não havia ambulâncias do SAMU, nem do Corpo de Bombeiros, disponíveis, foi levada para atendimento no Hospital na própria viatura policial.

A vítima revelou que teria sido agredida a socos e pontapés a mando de um dos líderes locais apelidado de Nenê e Di Menor, porque ela praticou furtos, além de tê-lo denunciado à Polícia, sendo, portanto, uma X-9, gíria policial para os delatadores. Os quatro agressores a abordaram na rua e a teriam convencido de que queriam apenas conversar com ela. Chegando na casa, foi trancada lá e as agressões começaram, enquanto ela gritava, o que chamou a atenção de vizinhos que acionaram a Polícia. O grupo fugiu ao perceber a aproximação da Polícia.

Prisões do PCC

Não é a primeira vez que o PCC adota retaliações violentas para punir eventuais desafetos em Sidrolândia. Em outubro passado, integrantes da organização criminosa mantiveram um rapaz em cativeiro, o agrediram, roubaram seu celular, boné e até a bermuda, o deixando apenas de camiseta e cueca num quarto.

A vítima fugiu, quando o integrante do grupo incumbido de vigia-lo cochilou. Pediu a ajuda da namorada, ligou para a Polícia Militar e quando foi encontrado pela guarnição estava em estado de choque, com escoriações por todo o corpo. Cristofer Mamedes Silva (20 anos) teria sido submetido a julgamento do “tribunal de crimes” do PCC. O grupo teria agido como represália porque Cristofer registrou boletim de ocorrência em que acusa Lucas Silva de ter furtado um violão que pertencia a vítima.

A partir desta ocorrência a Polícia saiu em campo e conseguiu prender os envolvidos. Um deles, Gabriel Ferreira dos Santos, no dia 27 de setembro do ano passado, foi condenado pelo juiz substituto Daniel Raymundo a um ano e 8 meses de prisão, pena convertida em serviços comunitários (na proporção de uma hora por dia de condenação).

Além dele tiveram a prisão preventiva decretada Lucas Silva Souza, 23 anos, Gabriel Ferreira dos Santos, 20 anos; Guilherme Mendes Osório, 18 anos e Pablo Roberto dos Santos, 30 anos.