Com migração de médicos, em dois anos número de partos em Sidrolândia caiu 40%

Foram contabilizados 709 nascimentos, 392 em Sidrolândia e 317 na Capital.

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Referência nacional na adoção do parto humanizado, que garantiu a cidade o menor índice estadual de cesarianas em 2018 (11%), na contramão desta estatística positiva, nos últimos dois anos, o número de crianças nascidas na cidade caiu 40%, de 656 em 2016 para 392 ano passado.

Foram contabilizados 709 nascimentos, 392 em Sidrolândia e 317 na Capital (235 cesarianas e 82 em parto normal) o que representou 44,71% do total. Durante este mês as gestantes que por razões de saúde, não tem condições de fazer o parto normal, estão sendo encaminhadas para Campo Grande. A única obstetra residente na cidade, Sandra Albuquerque, está de férias.

Até a última sexta-feira pela manhã, quando foi ouvida pela reportagem, dona Rosana Bambil, estava ansiosa porque foi informada da impossibilidade de fazer o parto na cidade neste mês e ela não tem como esperar até fevereiro.

É que entrou na 40ª semana de gestação do seu terceiro filho (uma menina que vai se chamar Raquel) e por avaliação dos próprios médicos, ela não pode fazer parto normal. Foi à noite ao hospital e para seu alivio, o médico plantonista lhe deu o encaminhamento para internação segunda-feira na maternidade da Santa Casa em Campo Grande.

Esta dificuldade começou em 2017, quando os dois médicos obstetras que atendiam no hospital (Jurandir Candido e Samir Assan Abdalla) deixaram a cidade. Não há também um anestesista na cidade, desde novembro de 2017, porque a médica Iara Mayuni Oshino (que era concursada) pediu demissão e aceitou a proposta para trabalhar em Coxim. Com isto, uma vez por semana vem de Campo Grande uma equipe completa para fazer as cirurgias eletivas e também os partos agendados.

O secretário municipal de Saúde, Nélio Paim, diz que está sendo negociada a contratação de uma anestesista disposta a fixar residência na cidade. Com isto, o hospital não só voltará a ter condições de fazer um maior um número de partos (não apenas os normais), mas também cumprir as metas de cirurgias eletivas firmadas com o Ministério da Saúde.

Na primeira reunião que teve com a nova diretoria do hospital, o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, manifestou intenção de colocar em funcionamento o novo centro cirúrgico e toda a estrutura construída (de quase 600 metros), mas lembrou a necessidade de melhorar a resolutividade do hospital.

Os números

Em 2018, conforme dados da Secretaria Estadual de Saúde, nasceram no Hospital Elmiria Silvério Barbosa, 392 crianças, mas em compensação, 317 gestantes tiveram seus filhos nos hospitais da capital. Também foram registrados nascimentos de crianças sidrolandenses em Dourados (duas), Itaquiraí e Ponta Porã (uma cada cidade), provavelmente porque as mães estavam em viagem quando a hora do parto chegou.

O número de sidrolandenses pode ser ainda maior já que não estão computadas grávidas que tem plano de saúde ou se internaram na ala particular dos hospitais da Capital. Conforme o portal do registro civil, o cartório local, emitiu 972 registros de nascimento, número um pouco maior que os 901 de 2017, quando foram feitos 361 partos na cidade.

Referência

Em compensação o número de cesarianas continua caindo, resultado do trabalho desenvolvido pelo Centro de Parto Normal. Ano passado, dos 392 partos realizados Hospital Elmiria Silvério Barbosa, 351 foram normais e foram feitas 41 cesarianas, menos de 11%, abaixo dos 18% de 2017, bem abaixo da média estadual, em torno de 55%. A meta para 2019 é atingir 400 partos normais.