Colheita em Sidrolândia começa com queda de até 62% na produtividade

Em algumas regiões do município, a produtividade chegou a recuar 62% em relação ao desempenho na safra passada.

Colheita em Sidrolândia começa com queda de até 62% na produtividade - Foto: Vanderi Tomé/Região News

O índice pluviométrico irregular registrado nos últimos 90 dias, acabou antecipando a colheita da soja plantada precoce. Em algumas regiões do município, especialmente na divisa com Maracaju, a produtividade chegou a recuar 62% em relação ao desempenho da lavoura na safra passada. Por enquanto, ninguém se arrisca a projetar a perda média no município, pois a distribuição das chuvas variou muito conforme a região.

O produtor Paulo Sefanello que já colheu 800 dos 3 mil hectares que plantou, obteve nestas lavouras precoces no máximo 26 sacas por hectares, um resultado ruim se comparado com as 70 sacas obtidas na safra passada. Ele não acredita que Sidrolândia repita o resultado de 2018, quando alcançou 65,38/há, acima da média estadual de 59 sacas.

Foram colhidas 849.094,61 toneladas nos 216.197,24 hectares cultivados. Neste ano, a área plantada caiu 5%, para 205 mil hectares. Se houver uma quebra de 11%, como se projeta no âmbito estadual, a produtividade ficaria em 58 sacas, resultando na colheita de 713.400 toneladas, redução de quase 16% em relação à safra passada.

O produtor rural Rodrigo Alvares, arrendatário de 400 hectares na região do Capão Seco, está otimista e não acredita em quebra de produtividade por causa da falta de chuva. Ele espera repetir a produtividade de 2018, 78 sacas por hectare.

Panorama estadual

Mato Grosso do Sul deve colher cerca de 9 milhões de toneladas de soja nesta safra, segundo dados do SIGA-MS (Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio), serviço desenvolvido em conjunto pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro) e Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul). Um pouco abaixo do que estava previsto inicialmente, quando a expectativa era de nova quebra de recorde, superando os 10 milhões de toneladas.

O problema veio de cima. Poucas chuvas em dezembro comprometeram a produtividade da soja, que no ano passado atingiu 59 sacas por hectare. Se essa performance fosse repetida, a safra desse ano poderia chegar a 10,053 milhões de toneladas. No entanto, segundo estimam os técnicos da Semagro, o Estado deve colher em torno de 8,9 milhões de toneladas do grão, retração de 11% em relação ao volume anteriormente previsto e de 6,71% se comparada à safra do ano passado (9,584 milhões/t), a maior já registrada na história do Estado.

As informações estão no último boletim da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) disponibilizado, disponibilizado no último dia 15. A área plantada se mantém em 2,84 milhões de hectares, aumento de 5,18% em relação à área da safra passada (2,7 milhões/ha).

“Ainda assim é uma safra gigante, 4,85% superior à registrada em 2016/2017 e 46,48% a mais do que foi colhido na safra 2013/2014”, lembra o secretário Jaime Verruck (Semagro). O campo sul-mato-grossense tem apresentado um desempenho crescente graças ao manejo adequado do solo e ao uso de tecnologias. Animados, os produtores ampliam as lavouras. Em cinco anos a área plantada com soja no Estado teve aumento de 30,27% e a produtividade da planta avançou em 12,41%.

Jaime Verruck participou reuniões do setor com a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina Correa da Costa Dias. Foto:Edemir Rodrigues.

Poucas chuvas

A quebra na safra 2018/2019 se dá em consequência da baixa ocorrência de chuvas em dezembro, o que derrubou a produtividade antes prevista em 59 sacas por hectare e que deve fechar em 52 sc/ha. Segundo dados do Centro de Monitoramento do Tempo e Clima (CEMTEC/MS), da Semagro, o mês de dezembro teve 20 dias sem chuvas na região Centro-Sul, 18 na região Norte e 15 na Nordeste.

Em média choveu 89,86 milímetros na região Centro-Sul, que engloba os municípios maiores produtores de soja do Estado, como Maracaju, Dourados e Ponta Porã. Na região Norte o índice pluviométrico médio ficou em 133,8 milímetros e na região Nordeste, 132,06 mm.

A colheita já começou no dia 14 na região Sul, devendo se encerrar dia 29 de março. Nas regiões Centro e Norte a soja começa a ser colhida no dia 25 de janeiro e os trabalhos se estendem até 5 e 12 de abril, respectivamente, caso não haja nenhum imprevisto. As primeiras lavouras colhidas na região Sul apresentam baixa produtividade, entre 30 e 50 sacas por hectare, conforme o boletim da Aprosoja.