Moradores de rua rejeitam atendimento da Assistência Social e mantém ocupação da praça

Moradores de rua recusam atendimento da Assistência Social, que tenta convencê-los a passar um período na casa abrigo.

Moradores de rua rejeitam atendimento da Assistência Social e mantém ocupação da praça - Foto: Vanderi Tomé/Região News

A Praça Porfiria de Brito, centro de Sidrolândia, hoje é um território literalmente ocupado por moradores de rua. No grupo há usuários de drogas, alcoólatras, além de pessoas com problemas psiquiátricos. Recusam atendimento da Assistência Social, que tenta convencê-los a passar um período na casa abrigo, oferece passagens de ônibus para retornarem as suas cidades de origem. Como é um espaço público, eles não podem ser retirados do local a força, já que à luz da legislação, não cometem nenhum crime. 

Um dos deles, entrevistado pela reportagem, que se identificou como Antônio Firmino da Silva, diz ser dono de um lote num assentamento onde mora com a mulher e os filhos. Recentemente, foi levado segundo ele desacordado (de tão bêbado) para um centro de reabilitação perto do distrito de Anhanduí, em Campo Grande. Quando despertou e descobriu onde estava, não teve dúvida, fora para a BR-163 e conseguiu três caronas até chegar à cidade de volta.

De tempos e em tempos Antônio se entrega a bebida, troca a casa pela praça, onde se junta ao grupo para beber, jogar bola, pede lanche e comida nos restaurantes do entorno da praça, além de abordar transeuntes, clientes das lojas, pedindo moedas. Quando chove e à noite, se abriga e dorme na varanda da casa do Papai Noel transformada em ponto para venda de artesanato. Parece se sentir à vontade no espaço público e nem mostra preocupação com o julgamento de transeuntes, comerciantes das redondezas que cobram intervenção da Polícia Militar. “A gente não faz mal a ninguém, só fica por aqui, bebendo, conversando, nada demais”, assegura.

Um dos líderes do grupo, não se constrange em dizer: “tenho profissão (é pedreiro), mas sou vagabundo por opção. Gosto de ficar aqui sem fazer nada, tomar uma pinga”, admite. Ele diz que já foi morador de rua em outras cidades de Mato Grosso Sul e tem familiares em Nova Andradina e Corguinho.

Mesmo tropeçando nas palavras, efeito de uma certa dosagem alcoólica circulando na corrente sanguínea, recrimina uma empresária da cidade por ter abandonado a mãe com problemas psiquiátricos, a deixou perambulando pelas ruas tanto que ela se juntou ao grupo na praça. “Isto é crime, abandono de incapaz”, define, num espasmo de lucidez e algum conhecimento legal.

Para quem tem comércio nas proximidades da praça a presença dos moradores de rua é motivo de queixa e críticas ao que julgam ser omissão das autoridades. “Eles abordam os clientes, pedem comida, dinheiro e muitas vezes reagem de forma agressiva, diante de uma negativa”, revela um empresário ouvido pela reportagem.

Dona Neuza Maria, que há 20 anos tem uma restaurante na Avenida Dorvalino dos Santos, em frente da praça, é uma das indignadas pela situação. “O que vejo são homens fortes, que poderiam trabalhar, um dia inteiro sentado na praça. Tenho 60 anos, acordo de madrugada e trabalho o dia inteiro para sobreviver”.

Ela diz que teve de instalar alarme depois do seu restaurante ter sido arrombado. “As câmeras de segurança da loja do vizinho, registraram tudo. Eles entrando e saindo do meu restaurante”, conta. Revela ter presenciado cenas constrangedoras, como a presença de mulheres circulando nuas durante o dia pela praça.