Durante o próprio velório, indígena liga para irmã e diz que está viva e trabalhando em outra cidade de MS

Após a ligação, familiares foram informados e o corpo de mulher de 48 anos retornou ao IML, para reconhecimento.

O que parece roteiro de filme, na verdade, é um inquérito de morte a esclarecer em andamento, na cidade de Dourados, região sul do estado. Ao saber que estava ocorrendo o seu próprio velório, na reserva indígena, uma mulher entrou em contato com a irmã, dizendo que está viva e trabalhando em outra cidade. Ela ainda não teve a identidade revelada, de acordo com a polícia.

A irmã, que chegou a fazer o reconhecimento do corpo no Instituto de Medicina Legal (IML), recebeu a ligação telefônica em meio ao clima de tristeza, em plena despedida. Ela então, noticiou aos demais familiares, o velório foi cancelado e o corpo retornou ao IML para exame papiloscópico, sendo a verdadeira pessoa morta identificada.

Conforme a investigação, esta pessoa foi achada desacordada na rua Coronel Ponciano, no dia 19 de janeiro. "O Samu [Serviço de Atendimento Médico de Urgência] socorreu esta pessoa, às margens da rua. Ela foi levada para o Hospital da Vida e ficou lá cerca de uma semana, vindo à óbito. A Polícia Civil então foi comunicada e compareceram familiares, incluindo a irmã que apontou a pessoa morta como sendo da família", afirmou ao G1 o delegado Adilson Stiguivitis.

Após apresentar documentações, a mulher foi identificada como sendo a irmã da indígena, e o nome dela foi incluso no cadastro de óbito. No velório, nessa segunda-feira (28), é que houve a ligação.

"O que ocorreu é que durante o tempo em que a paciente esteve internada, não recebeu visitas no hospital, e a irmã que saiu para trabalhar em uma fazenda em Rio Brilhante, não deu mais notícias há cerca de 30 dias, então, a família pensou que fosse ela. Realmente a mulher ainda está trabalhando lá, e posteriormente vai vir aqui na delegacia", explicou Stiguivitis.

Ainda conforme o delegado, já estão sendo apuradas as circunstâncias e causas da morte da mulher, de 48 anos, cujo corpo permanece no IML. "No caso do corpo, precisamos saber se houve um homicídio culposo na direção de veículo ou algo relacionado a algum atropelamento. As diligências estão em andamento", finalizou o delegado.