Dorival pede mais tempo ao Jardine e diz que Hernanes rende melhor mais próximo do gol

No momento, André Jardine está pressionado por resultados ruins.

Dorival Júnior comandou o São Paulo de julho de 2017 a março de 2018 - (Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)

Dorival Júnior assumiu o São Paulo em julho de 2017 após a queda de Rogério Ceni, quando o time ocupava a 17ª colocação no Campeonato Brasileiro. Depois de uma campanha de recuperação que conseguiu evitar o rebaixamento naquele ano, o técnico acabou sendo demitido após um início irregular no Campeonato Paulista de 2018. No momento, André Jardine está pressionado por resultados ruins e se encontra em uma posição muito parecida com a qual Dorival teve de lidar no ano passado.

Em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva, o treinador pregou paciência na análise do trabalho do atual comandante do Tricolor. Segundo ele, Jardine já demonstrou potencial em seus trabalhos na categoria de base do São Paulo e precisa de tempo para mostrar sua capacidade.

“Até poucos meses atrás todo mundo elogiava muito o trabalho do Jardine na categoria de base do São Paulo. É natural que o clube não alcance resultados do nada. Apenas em alguns poucos times você consegue plugar na tomada e acender a luz, já fazendo a equipe jogar. Ele já mostrou que tem capacidade de desenvolver um trabalho de qualidade, desde que as pessoas acreditem e que se tenha um pouco de paciência para que as coisas possam acontecer”, comentou o ex-treinador do São Paulo.

Para Dorival, o prazo ideal para que o técnico começasse a ser devidamente cobrado pelo padrão de jogo e desempenho desejado da equipe é de um ano. Porém, acredita que a pressão semanal que se faz presente no ambiente do futebol brasileiro inviabiliza essa análise mais adequada.

“Eu acho que o correto seria um ano. Esse seria o período ideal para você implantar um modelo, corrigir os rumos do trabalho para que futuramente você possa ter um alcance maior de resultados. Isso leva tempo”, disse Dorival.

“Eu me lembro de uma colocação de um dos livros do Guardiola em que ele fala que no primeiro ano você implanta um conceito, no segundo ano você começa a desenvolver esse conceito para, de repente, encontrar resultados. Aí sim, no terceiro ano, você vai poder confirmar aquilo que plantou. Ele fala em anos, quanto no Brasil nós trabalhamos com semanas, essa é a grande diferença”, completou o treinador.

Em sua passagem pelo São Paulo em 2017, Dorival teve em Hernanes o destaque técnico e a liderança que mais colaboraram para evitar o rebaixamento naquele ano. Para o técnico, o meio-campista tem qualidade para atuar em diversas posições, porém acredita que ele renda melhor quando escalado mais avançado em campo.

“O Hernanes tem características que te permitem usá-lo em várias situações. Eu acho que, pelo momento e por tudo o que ele já vivenciou no futebol , quanto mais próximo ele estiver do gol, melhor você vai conseguir explorar as suas possibilidades”, opinou o treinador. 

Dorival ainda elogiou a postura do Profeta, ressaltando que imagina que o treinador do São Paulo poderá contar com uma resposta técnica dentro de campo muito rápida por parte do jogador.

“A maneira como ele se dedica, como ele se entrega, tudo isso aí tem um peso muito grande. Então é uma liderança que não é mostrada só em palavras, mas acima de tudo em uma postura de profissional, de atleta, um diferencial em relação à maioria. Ele está praticamente readquirindo uma melhor condição, mas por ter vivência e experiência tão grandes, é o tipo de jogador que te dá uma repostas muito rápida. Agora, é uma questão de sequência de treinamentos e de jogos”, finalizou o técnico.

Dorival Júnior comandou o São Paulo durante nove meses, sendo demitido em março de 2018. Neste período, foram 40 partidas disputadas, com 17 vitórias, 11 empates e 12 derrotas, com um aproveitamento de 51,6% dos pontos.