Número de alunos na zona rural cai 41% em dois anos e força fechamento de escola e turmas

Nos últimos dois anos o número de alunos na zona rural caiu 41%, reflexo da migração dos pais de crianças e dos próprios adolescentes.

A Escola do Assentamento São Pedro (onde a noite funcionava a extensão da Escola Estadual Paulo Firmo) teve a primeira reestruturação em 2017 - Foto: Região News

A Secretaria Municipal de Educação coloca em prática nesta segunda-feira, quando começa o ano letivo de 2019, mais uma etapa da reestruturação que vem promovendo desde o segundo semestre de 2017 na zona rural de Sidrolândia.

Além da unificação de turmas com poucos alunos, abertura de turmas multisseriadas (com estudantes de séries diferentes na mesma sala), foi fechada a Escola do Assentamento São Pedro, com seis salas, inaugurada em 2004 e que chegou a ter quase 300 alunos matriculados.

Nos últimos dois anos o número de alunos na zona rural caiu 41%, reflexo da migração dos pais de crianças e dos próprios adolescentes, que voltaram para cidade em busca de oportunidades de emprego. Em 2016, conforme o último censo escolar, havia 2.203 matriculados, em 2017 este número caiu para 1.385 e ano passado, aumentou para 1.557 alunos. 

A Escola do Assentamento São Pedro (onde a noite funcionava a extensão da Escola Estadual Paulo Firmo) teve a primeira reestruturação em 2017. Havia 63 alunos e 11 funcionários para trabalhar na escola. Ano passado os alunos do 6º ao 9ª ano foram transferidos para Escola Darcy Ribeiro, do Assentamento Capão Bonito 1. Em 2018 restaram 25 alunos da pré-escola ao 5º ano que agora também vão estudar nesta mesma escola. Para algumas crianças, residentes em lotes mais distantes da sede, significa um trajeto diário de 50 km para ir e voltar da escola.  

Para este ano a Secretaria estabeleceu um número mínimo de alunos por turma, inclusive na pré-escola. Na Escola Leonida La Rosa Balbuena, uma turma do pré-1 para alunos que completarem 4 anos até março, não será aberta porque só 8 alunos se matricularam e seriam necessários 15 para garantir o funcionamento da classe.

Na Escola do Assentamento Eldorado, a unificação de turmas, resultou no corte de todos os professores contratados. A professora Monica Gaúna manifestou seu descontentamento nas redes sociais porque no último dia 12 foi informada que seu contrato não seria renovado. Ela dava aula na escola há três anos.

Na região do Piqui, moradores ficaram indignados depois de serem informados que não haverá transporte escolar para trazer 15 alunos do Assentamento Valinhos (a mais de 70 quilômetros da cidade) matriculados na Escola Estadual Sidrônio Antunes de Andrade e na Escola Municipal Pedro Aleixo. O ônibus que faz a linha está na oficina.

“Gostaria de fazer uma reclamação a respeito do transporte escolar da zona rural. Fomos avisados que aqui na região do Pequi, o ônibus escolar não vai passar amanhã. Poxa, tiveram quase três meses pra deixarem esses ônibus em dia, e nada! As crianças da zona rural já começam sendo prejudicadas”, desabafou Terezinha Aparecida Dias, moradora desta região na divisa de Sidrolândia com Maracaju.