JBS mantém há 8 meses ciclo de produção maior e reduz abate em 50%

Há praticamente 8 meses os frangos estão sendo abatidos com em média 3,65 quilos, 30% a mais que o padrão.

A mudança se refletiu no funcionamento da indústria, que chegou a reduzir de 180 para 90 mil o número de frangos abatidos diariamente - Foto: Marcos Tomé/Região News

Desde a greve dos caminhoneiros, que terminou no início de junho do ano passado, a JBS de Sidrolândia ampliou em duas semanas, de 40 para até 54 dias, o ciclo de produção. Há praticamente 8 meses os frangos estão sendo abatidos com em média 3,65 quilos, 30% a mais que o padrão tradicionalmente adotado pelo frigorífico (2,80 KG). Esta estratégia se justificou durante a paralisação dos motoristas, porque houve um colapso no abastecimento e a logística de transporte ficou comprometida.

A mudança se refletiu no funcionamento da indústria, que chegou a reduzir de 180 para 90 mil o número de frangos abatidos diariamente, bem abaixo da capacidade de produção da unidade, que é de 205 mil frangos/dia.

Em janeiro por exemplo, o volume de frango exportado pelo Estado atingiu 10.748 toneladas, redução de 16,84% sobre igual período de 2018, quando foram comercializadas 13.452 toneladas. A produção caiu porque a velocidade de abate diminuiu já que os equipamentos são ajustados para o corte de frangos de até 3 kg.

Há uma expectativa entre os avicultores integrados, que a partir do próximo dia 20, se retome o nível histórico de produção, com a retirada do lote de frango dentro do padrão de peso tradicional (os mencionados 2,80 kg). Na semana passada, o abate estaria em torno de 115 mil cabeças/dia.

Para os produtores este ciclo maior representa um custo maior e queda de rentabilidade. Ao longo de um ano, considerando o período de engorda e os 15 dias de intervalo entre um ciclo e outro, representa a perda de um lote anual de produção, reduzindo de 6 para 5 lotes. O número de animais foi reduzido em 10%, além de ter havido aumento na mesma proporção da mortalidade.

“Nosso custo aumentou, por exemplo, com ração, mas também com o consumo de energia”, explica um produtor que pede para não ter seu nome revelado para evitar qualquer tipo de controvérsia com a empresa. “Esta metodologia não é benéfica para a JBS, que também está perdendo dinheiro”, reconhece.

Outro motivo de queixa é a falta de informação. “A gente só fica sabendo que o lote será retirado mais tarde, praticamente na última hora, após 40 dias de engorda”, explica. Ele não tem a menor ideia quando exatamente o próximo lote de frango será retirado para abate dos aviários.

A onda de calor registrada nos últimos 90 dias, aumentou em 50% o custo da energia elétrica, embora o setor seja beneficiado com redução do ICMS incidente nas contas (de 17 para 2% independente da faixa de consumo). Um produtor, que é referência no setor, calcula que o seu custo com energia aumentou de R$ 0,15 por frango para R$ 0,22.

Há uma promessa da JBS de ressarcir no futuro o produtor desta diferença de custos. O frango tem uma temperatura corporal de 42 graus e suporta uma temperatura ambiente de até 27 graus. Como o clima em Sidrolândia chegou atingiu 37º, foi preciso aumentar a ventilação, usar climatizadores mais tempo, para que o animal não morresse.

*Matéria atualizada para acréscimo de informações.