Projeto diversifica matriz econômica, mas vai exigir pesado investimento público em contrapartida

O projeto exigirá um esforço das forças políticas locais para atender as contrapartidas que serão do poder público.

Vice-presidente da cooperativa, Cládis Jorge Furlanetto - Foto: Vanderi Tomé/Região News

A chegada da suinocultura a Sidrolândia, alicerçado na solidez da Cooperalfa, organização vinculada ao Sistema Aurora, que reúne mais de 65 mil famílias cooperadas, com 10 mil funcionários e detentora em 2018 de um faturamento superior a R$ 20 bilhões, pode significar um divisor na estrutura econômica da cidade, hoje o segundo maior polo estadual da produção de grãos. Abre perspectiva para diversificação da atual matriz econômica, agregando valor ao milho e a soja aqui produzidos.

Se por um lado é animadora a perspectiva de receber nos próximos 13 anos R$ 200 milhões em investimentos, o projeto exigirá um esforço das forças políticas locais, superando picuinhas paroquiais, para atender as contrapartidas que serão do poder público, no âmbito municipal e estadual.

É pouco provável que a Prefeitura (embora tenha assinado um termo de compromisso neste sentido) consiga adquirir os 200 hectares necessários para a instalação da Unidade de Produção de Leitões. O investimento de R$ 4 milhões necessário para aquisição da área deve ser bancado por produtores interessados em viabilizar a suinocultura na cidade, alguns já associados à cooperativa, mobilizados pelo Sindicato Rural.

A área deve ficar distante a pelo menos 15 km do centro da cidade; a 10 km de outras granjas; com disponibilidade de água; estrada de acesso a no máximo 5 km do asfalto; contornada por extensa área de produção, lavoura ou pastagens para fertilização com dejetos num raio de 3 km; leve inclinação para que os efluentes (os dejetos dos suínos) possam escorrer. A área não pode ter banhados, nascentes ou riacho que impeçam a construção e sofram impacto ambiental.

Além de 200 hectares, a UPL exigirá 80 mil metros cúbicos de terraplanagem; 40 mil metros quadrados de acesso pavimentados, aproximadamente 4 quilômetros de vias internas e externas da granja; rede de energia local de 300 mil kHw/mês, 60 mil litros de água por hora (1,440 milhão de litros por dia) e garantia de transporte para 120 funcionários. Será preciso articulação junto ao Governo do Estado para garantir esta infraestrutura.